{"id":1926,"date":"2018-01-27T00:00:00","date_gmt":"2018-01-27T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1926"},"modified":"2018-01-27T00:00:00","modified_gmt":"2018-01-27T02:00:00","slug":"ruinas-de-guarapes-e-testemunha-do-desenvolvimento-economico-do-rn-no-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/ruinas-de-guarapes-e-testemunha-do-desenvolvimento-economico-do-rn-no-seculo-xix\/","title":{"rendered":"Ru\u00ednas de Guarapes \u00e9 testemunha do desenvolvimento econ\u00f4mico do RN no s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quem trafega pela BR 226, na divisa entre a capital potiguar e Maca\u00edba, um importante cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do desenvolvimento econ\u00f4mico do Rio Grande do Norte durante o Imp\u00e9rio Brasileiro, no s\u00e9culo XIX, agoniza ao longo dos anos. As ru\u00ednas do Casar\u00e3o de Guarapes, que possu\u00eda pouco mais de 200 metros quadrados, s\u00e3o o que resta do complexo Fabr\u00edcio &amp; Cia, constru\u00eddo em um terreno com nove hectares. Nele, funcionava a casa e o escrit\u00f3rio do comerciante Fabr\u00edcio Gomes Pedrosa, onde hoje fica o bairro do Guarapes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedrosa era um comerciante pernambucano natural de Nazar\u00e9 da Mata (alguns historiadores afirmam que ele era paraibano da cidade de Areia), com a esposa, Ana da Silva Vasconcelos, com quem teve sete filhos, entre eles Feliciana Maria da Silva, que mais tarde se casara com um de seus conterr\u00e2neos que se tornara ent\u00e3o seu auxiliar mais pr\u00f3ximo nos neg\u00f3cios, chamado Amaro Barreto de Albuquerque Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte da segunda esposa, instalou em Maca\u00edba. O espa\u00e7o foi testemunha de um per\u00edodo pr\u00f3spero entre Natal e Maca\u00edba.\u00a0 No local era armazenado toda a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, couro, algod\u00e3o e uma infinidade de produtos de v\u00e1rias cidades do interior do Estado, e encaminhada para outras regi\u00f5es do Brasil e pa\u00edses da Europa, principalmente a Inglaterra.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/WhatsApp-Image-2018-01-12-at-18.01.38-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18543\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/WhatsApp-Image-2018-01-12-at-18.01.38-2-1067x800.jpeg\" alt=\"\" width=\"1067\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1858, Fabr\u00edcio casa-se com Luiza Florinda de Albuquerque Maranh\u00e3o, irm\u00e3 de seu principal s\u00f3cio, Amaro Barreto, e muda-se de Maca\u00edba para Guarapes, onde manda construir numa colina um imponente casar\u00e3o e ao seu redor um verdadeiro complexo, incluindo armaz\u00e9m, escola, capela, alojamento para funcion\u00e1rios, e senzalas para os escravos. No ano de 1861, Fabr\u00edcio Pedrosa se tornara o mais poderoso e influente comerciante da \u00e1rea, negociando uma infinidade de produtos e devido ao grande fluxo de mercadorias, principalmente ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o do Porto dos Guarapes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porto, com ancoradouro quase t\u00e3o extenso e profundo quanto o da Tavares de Lira, na Ribeira, funcionou \u00e0s margens do Rio Guarapes e recebeu in\u00fameros navios que comportavam at\u00e9 500 toneladas de mercadoria, ainda hoje naveg\u00e1vel para canoas e embarca\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas de pequeno porte, alcan\u00e7ou o auge de funcionamento entre os anos de 1860 e 1890.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ele, grande parte da produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o, couro, a\u00e7\u00facar e cereais de cidades como S\u00e3o Paulo do Potengi, Serra Caiada, Ielmo Marinho, Santa Cruz e, S\u00e3o Pedro era enviada para a Europa e outras regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meados de 1871, casado desta vez com Dona Luiza Florinda Pedrosa, ele confia a dire\u00e7\u00e3o do seu imp\u00e9rio ao genro Amaro Barreto de Albuquerque Maranh\u00e3o e viaja ao Rio de Janeiro, para cuidar da sa\u00fade. Mas, em 22 de setembro de 1872, morre o \u201cSenhor de Guarapes\u201d e \u00e9 sepultado no Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista naquela cidade. Ap\u00f3s isso, o Casar\u00e3o de Guarapes pertenceu a v\u00e1rios donos. Mas, com a chegada das linhas ferrovi\u00e1rias \u00e0 regi\u00e3o a for\u00e7a comercial de Guarapes e consequentemente Maca\u00edba entra em decl\u00ednio. O fechamento da casa comercial dos Guarapes, que funcionou entre os anos de 1859 e 1896, abalou financeiramente o estado do RN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tombada pelo Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico do RN atrav\u00e9s portaria n\u00ba 456 de 1990, a estrutura, foi adquirida pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2002, desde ent\u00e3o, est\u00e1 sob os cuidados da Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Augusto e nunca passou por reformas. Em 2010, a FJA manifestou o interesse em revitalizar o Casar\u00e3o de Guarapes. Um grupo de arquitetos e engenheiros para avaliar as ru\u00ednas do que restou do complexo comercial Casa Fabr\u00edcio &amp; Cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do porto de Guarapes n\u00e3o restou nada para contar hist\u00f3ria. J\u00e1 do Casar\u00e3o que pertenceu ao comerciante pernambucano Fabr\u00edcio Gomes Pedrosa, apenas algumas paredes ainda resistem ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de esquecido pelo poder p\u00fablico, o Casar\u00e3o de Guarapes recebe visitas, algumas, fi\u00e9is: durante o dia \u00e9 iluminado por uma luz, que toma conta da regi\u00e3o Nordeste do Brasil durante praticamente o ano inteiro, a do sol. Durante a noite \u00e9 a vez da lua marcar presen\u00e7a. Outras, indesejadas: sabendo, ou n\u00e3o, do valor hist\u00f3rico do lugar, v\u00e2ndalos chegaram a furtar os tijolos de algumas paredes do Casar\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do antigo porto n\u00e3o sobrou exatamente nada para contar hist\u00f3ria, mas algumas s\u00f3lidas paredes do Casar\u00e3o dos Guarapes resistem, \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo e de criminosos, ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ciclo, de lembran\u00e7as e esquecimento, o Casar\u00e3o de Guarapes segue resistindo em qualquer que seja a esta\u00e7\u00e3o, largado \u00e0 pr\u00f3pria sorte e \u00e0 espera de um milagre que pode ser operado por homens humanos a quem lhes fora atribu\u00eddo o t\u00edtulo de autoridades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem trafega pela BR 226, na divisa entre a capital potiguar e Maca\u00edba, um importante cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do desenvolvimento econ\u00f4mico do Rio Grande do Norte durante o Imp\u00e9rio Brasileiro, no s\u00e9culo XIX, agoniza ao longo dos anos. 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