{"id":1819,"date":"2017-11-14T00:00:00","date_gmt":"2017-11-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1819"},"modified":"2017-11-14T00:00:00","modified_gmt":"2017-11-14T02:00:00","slug":"a-divina-diva-jane-di-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/a-divina-diva-jane-di-castro\/","title":{"rendered":"A Divina Diva Jane Di Castro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/DSC0119-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17647\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/DSC0119-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/a>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2016, foram 127, um a cada 3 dias. A expectativa de vida deles \u00e9 de 35 anos, menos da metade da m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 75 anos. Conta-se nos dedos travestis que s\u00e3o idosos. Al\u00e9m disso, muitas s\u00e3o for\u00e7adas a trabalhar como prostitutas. Por\u00e9m, na d\u00e9cada de 70, na tradicional Cinel\u00e2ndia, do Rio de Janeiro, algumas travestis tiveram oportunidade de trabalhar como artistas de teatro, como Jane Di Castro, cuja sua hist\u00f3ria e de mais sete travestis foram contadas no document\u00e1rio &#8220;Divinas Divas&#8221;, dirigido pela atriz Leandra Leal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As meninas trabalhavam no famoso teatro Rival, dirigido pelo av\u00f4 de Leandra, Am\u00e9rico Leal, e depois administrado pela m\u00e3e, \u00c2ngela Leal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No teatro foram descobertas a Rog\u00e9ria, Val\u00e9ria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Elo\u00edna dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de B\u00fazio. Juntas formaram, na d\u00e9cada de 1970, o grupo que testemunhou o auge de uma Cinel\u00e2ndia repleta de cinemas e teatros. O document\u00e1rio acompanha o reencontro das artistas para a a montagem de um espet\u00e1culo, trazendo para a cena as hist\u00f3rias e mem\u00f3rias de uma gera\u00e7\u00e3o que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma \u00e9poca, principalmente a Ditadura Militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas n\u00e3o podiam andar nas ruas vestidas com trajes atribu\u00eddos ao g\u00eanero feminino, precisavam encenar os espet\u00e1culos primeiramente para os censores, nunca apareciam na televis\u00e3o, e muitas vezes acabavam sendo presas, agredidas e mortas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_17640\" aria-describedby=\"caption-attachment-17640\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/DSC0119.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-17640\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/DSC0119-1200x800.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-17640\" class=\"wp-caption-text\">Jane Di Castro durante o Cine Sol<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fico triste em que ainda existem pessoas que querem a volta deste governo. S\u00f3 sabe como foi ruim quem sentiu na pele a censura e a dor dos militares. A gente precisa enfrentar estes preconceituosos de frente, como a gente fez&#8221;, relatou Jane Di Castro, que concedeu o bate-papo durante o Festival Cine Sol, que acontecia simultaneamente com o Festival Liter\u00e1rio de Natal (Flin).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Castro ainda tamb\u00e9m criticou a a\u00e7\u00e3o extremista de alguns religiosos. &#8220;Infelizmente, a Igreja deveria fazer um papel de comunh\u00e3o, mas na verdade planta nos fi\u00e9is o \u00f3dio nas minorias. Eles n\u00e3o querem saber de amor, mas de dinheiro&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome do document\u00e1rio \u00e9 baseado numa apresenta\u00e7\u00e3o que Di Castro idealizou em 2004 e quando completou 10 anos aconteceu uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa, no qual Leandra Leal acompanhou de perto e conseguiu pegar os relatos de cada uma das participantes, al\u00e9m de saber um pouco da vida pessoal, uma vez que elas tiveram momentos de gl\u00f3ria e tamb\u00e9m de ru\u00ednas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado \u00e9 um trabalho comovente. As artistas contam sobre suas vidas, relembrando os momentos de gl\u00f3ria da carreira, a dif\u00edcil conviv\u00eancia com os familiares, seus amores e a repress\u00e3o da ditadura. O processo de envelhecimento delas, retratado no filme, evoca no p\u00fablico a dor da passagem do tempo. Por outro lado, passa tamb\u00e9m uma mensagem de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Principalmente, pelo fato de casar, no qual Di Castro est\u00e1 h\u00e1 50 anos com Ot\u00e1vio, que apareceu no document\u00e1rio lhe entregando flores. Eles se conheceram no teatro, quando o baiano a viu atuando. Ao se conhecerem ap\u00f3s o show, Ot\u00e1vio disse: \u201cnossa amizade ser\u00e1 eterna\u201d. Apesar de Jane desconfiar num primeiro momento, principalmente porque n\u00e3o encontrava relacionamentos duradouros entre LGBT na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parte que retrata o casamento dos dois \u00e9 uma das mais emocionantes e sempre recebe elogios quando o filme passa em festivais. Em Natal, isso n\u00e3o foi diferente. &#8220;Sempre me emociono quando assisto o depoimento de Ot\u00e1vio, principalmente agora, que completamos 50 anos de casados e neste momento n\u00e3o se encontra saud\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jane ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do Divinas Divas nos deu uma pequena performance, enchendo os olhos de l\u00e1grima do p\u00fablico presente com sua performance ao vivo, minutos depois do fim do filme, que evidenciou o valor art\u00edsticos das apresenta\u00e7\u00f5es. O termo Divas n\u00e3o \u00e9 condescendente. \u00c9 de impressionar ver senhoras de mais de 70 anos exibirem belas vozes, controle corporal e presen\u00e7a de palco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2016, foram 127, um a cada 3 dias. A expectativa de vida deles \u00e9 de 35 anos, menos da metade da m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 75 anos. 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