{"id":1553,"date":"2017-06-05T00:00:00","date_gmt":"2017-06-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1553"},"modified":"2017-06-05T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-05T03:00:00","slug":"como-a-ray-ban-caiu-nos-gostos-dos-natalenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/como-a-ray-ban-caiu-nos-gostos-dos-natalenses\/","title":{"rendered":"Como a Ray-Ban caiu nos gostos dos natalenses"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um ato interessante dos natalenses, independente de ser classe m\u00e9dia ou classe m\u00e9dia alta, \u00e9 fazer um pr\u00f3prio censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) a partir da utiliza\u00e7\u00e3o das coisas. Ou seja, a gente julga se o outro \u00e9 rico a partir dos objetos que ele consome. Se ele tiver usando um carro 0 km de uma marca estrangeira, ter uma casa em um bairro nobre e usar roupas de grife, provavelmente, na vis\u00e3o de muitos habitantes, \u00e9 &#8220;rico&#8221;. Mas, de onde veio esse h\u00e1bito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das influ\u00eancias vieram com a chegada dos americanos durante a Segunda Guerra Mundial, j\u00e1 falada no Brechando em algumas mat\u00e9rias e nesta semana falar\u00e1 de mais um assunto interessante sobre o assunto. Uma delas foi a chegada da grife Ray-Ban no Brasil, que at\u00e9 hoje \u00e9 considerado um artigo de luxo para muitos papa jerimuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b> Leia Tamb\u00e9m<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2016\/07\/sabia-que-coca-cola-chegou-em-natal-primeiro\/\">Sabia que a Coca-Cola chegou em Natal primeiro?<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2017\/04\/o-que-foi-a-feb-dia-que-os-potiguares-foram-para-segunda-guerra\/\">O que foi a FEB? Dia que os potiguares foram para Segunda Guerra<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/2016\/08\/9118\/\">Falando sobre o encontro de Roosevelt e Vargas em Natal<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os americanos vieram para Natal no ano de 1943, mas uns seis anos antes surgiu a grife Ray-Ban, no qual os natalenses foram os primeiros a experimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns anos antes da sua cria\u00e7\u00e3o, o tenente John MacCready retornando de uma aventura a\u00e9rea em um bal\u00e3o reclamou que o sol tinha irritado e danificado a retina dos seus olhos. Ele contatou em Nova Iorque a famosa loja e fabricante de \u00f3culos Bausch &amp; Lomb, pedindo-lhes para criar \u00f3culos elegantes e que desse prote\u00e7\u00e3o aos seus olhos contra os raios solares. E dessa caracter\u00edstica surgiu o nome da marca, a mistura do termo em ingl\u00eas raio (Ray) e as tr\u00eas primeiras letras da palavra banir (Bannish). Em 7 de maio de 1937, a Bausch &amp; Lomb registrou a patente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pilotos da For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos imediatamente adotaram os \u00f3culos de sol devido a estas caracter\u00edsticas. Por isso, alguns o chamam de \u00f3culos de aviador.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15474\" aria-describedby=\"caption-attachment-15474\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/bcca12a7b17d93f661b90b7432dca769.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15474\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/bcca12a7b17d93f661b90b7432dca769.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"792\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-15474\" class=\"wp-caption-text\">O \u00f3culos aviador, queridinho dos natalenses na Segunda Guerra (Foto: Life)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi nesta \u00e9poca que os natalenses conheceram os americanos e ficaram apaixonados por estes \u00f3culos. Claro, eles queriam consumir estes produtos. O cotidiano norte-americano \u00e9 trazido para Natal com uma forte imagem de povo dominante, cultura rica. Com a chegada dos estrangeiros, a popula\u00e7\u00e3o natalense aumentou em 20%, o que mudou drasticamente os h\u00e1bitos locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os gringos trouxeram na bagagem o jazz, a coca-cola, o chiclete, as camisetas coloridas, o ray-ban, o jeans, o Lucky-strike, a cal\u00e7a slack \u2013 que os natalenses chamavam \u201cde sileque\u201d, o h\u00e1bito de tomar cerveja na boca da garrafa e colocar os p\u00e9s nas mesas dos bares. Neste per\u00edodo, jornais, como a Rep\u00fablica, refor\u00e7avam como os h\u00e1bitos dos americanos eram importantes para os brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Carmem Daniella Sp\u00ednola da Hora Avelino, em seu artigo, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) de Get\u00falio Vargas, no per\u00edodo que gerenciava o Estado Novo (l\u00ea-se Ditadura de Vargas), inicialmente, recomendavam que os jornais e imprensa tivessem uma postura mais neutra com os americanos que estavam instalados em Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, o jornalismo na Segunda Guerra Mundial \u2013 assim como a Primeira, era totalmente descritivo e generalista, baseado em fatos e coment\u00e1rios. Essa tend\u00eancia ficou conhecida nos Estados Unidos como he said journalism, ou seja, o jornalismo das declara\u00e7\u00f5es, que deixava de lado a an\u00e1lise, a contextualiza\u00e7\u00e3o, a interpreta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 eles ressaltavam que era muito interessante os h\u00e1bitos dos americanos e as pessoas foram aderindo. Foi assim que criamos uma sociedade consumista, uma semente futura do &#8220;American Way of Life&#8221;. \u00c9 muito comum ouvir as pessoas desesperadamente quererem um \u00f3culos aviador em pleno ano de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a ascens\u00e3o do Ray-Ban n\u00e3o aconteceu em Natal. Durante a d\u00e9cada de 50, mais precisamente em 1952, o designer Raymond Stegeman criou o modelo Wayfarer constru\u00eddo com arma\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico e com um desenho inspirado em carros com traseira rabo-de-peixe, muito comum na \u00e9poca. Raymond Stegeman vendeu o prot\u00f3tipo para a B&amp;L que registrou a patente como Ray-Ban Wayfarer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Wayfarers obtiveram grande popularidade na d\u00e9cada de 1950 e 1960, especialmente ap\u00f3s de terem sido usados por Audrey Hepburn, em 1961 no filme &#8220;Bonequinha de Luxo&#8221; e principalmente por serem usados por Jacqueline Kennedy, a primeira dama dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o per\u00edodo de sucesso nas d\u00e9cadas de 50 e 60, o Wayfarer caiu no esquecimento nos anos 70 e quase ficou fora do mercado. Nos anos 80, a Ray-Ban resolveu investir no modelo novamente com a inser\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios filmes de Hollywood e deu certo. Na d\u00e9cada de 80 os \u00f3culos voltaram a ser destaque de moda e vendas, principalmente com a vinda de filmes de guerra, como &#8220;Top Gun&#8221;, que foi um sucesso estrondoso em Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1999 foi comprada pela empresa italiana Luxottica por U$$ 640 milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ato interessante dos natalenses, independente de ser classe m\u00e9dia ou classe m\u00e9dia alta, \u00e9 fazer um pr\u00f3prio censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) a partir da utiliza\u00e7\u00e3o das coisas. Ou seja, a gente julga se o outro \u00e9 rico a partir dos objetos que ele consome. 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