{"id":1462,"date":"2017-05-20T00:00:00","date_gmt":"2017-05-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1462"},"modified":"2017-05-20T00:00:00","modified_gmt":"2017-05-20T03:00:00","slug":"dando-uma-brechada-para-falar-sobre-a-banda-igapo-de-almas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/dando-uma-brechada-para-falar-sobre-a-banda-igapo-de-almas\/","title":{"rendered":"Dando uma brechada para falar sobre a banda Igap\u00f3 de Almas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tinha preconceito com instrumental, ainda s\u00e3o poucas bandas que escuto, mas Igap\u00f3 de Almas, daqui de Natal, \u00e9 muito legal. Cheguei nesta conclus\u00e3o ap\u00f3s escutar o &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WYozAvaEt7k\">A<\/a>&#8220;, primeiro \u00e1lbum do grupo lan\u00e7ado em 2014. A banda \u00e9 formada \u00a0por Walter Naz\u00e1rio, Henrique Lopes, Pedra Le\u00e3o, Rafael Melo e Artur Porpino. S\u00e3o esses caras da foto acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A performance deles pode ser vista a seguir:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Igap\u00f3 de Almas - Aboio\" width=\"1170\" height=\"658\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_JXlGSZ1A5Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som deles mistura os sons da natureza, o folk e de v\u00e1rios artistas do mundo. Nessa miscel\u00e2nea pode ser citado: Tom Z\u00e9, Amon Tobin, Tortoise, John Frusciante e Uakti. Como tudo come\u00e7ou? De acordo com Lopes, as primeiras grava\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em 2011 atrav\u00e9s da aproxima\u00e7\u00e3o entre o Walter Naz\u00e1rio e o Pedras. Esse processo foi se dando at\u00e9 2013, de maneira esparsa, e a\u00ed em 2014 saiu o primeiro \u00e1lbum, chamado \u2018\u2019 A \u201c. Mas por que o nome? N\u00e3o \u00e9 relacionado em si ao bairro que fica na zona Norte da capital potiguar, mas da palavra ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, os integrantes gravaram um dub \u2018\u2019 Mardub\u201d, com a presen\u00e7a do Renan Amant\u00e9a e do Dante Augusto, no entanto n\u00e3o foi publicado na internet.. &#8220;N\u00e3o se trata de uma experimenta\u00e7\u00e3o do Igap\u00f3 propriamente, mas foi um momento de cria\u00e7\u00e3o bem legal que rolou j\u00e1 tem um tempo e quem sabe no futuro seja lan\u00e7ado, sem nenhum compromisso.&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A palavra igap\u00f3 se refere \u00e0s matas que se formam no interior de regi\u00f5es alagadas &#8220;, contou Lopes.\u00a0 Na floresta amaz\u00f4nica tamb\u00e9m existem muitas matas de igap\u00f3 e o Pedras morou algum tempo no Acre. &#8220;Ent\u00e3o \u00e9 um nome que tem rela\u00e7\u00e3o com as coisas da natureza, os processos org\u00e2nicos e ao mesmo tempo \u00e9 uma imagem se conecta \u00e0 cidade e que pode ser ressignificada, at\u00e9 mesmo em termos sonoros, a\u00ed j\u00e1 entra o pr\u00f3prio som da banda&#8221;, complementa o m\u00fasico, que tem um projeto paralelo chamado Esquizophanque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha do instrumental veio de uma forma natural e hoje \u00e9 o foco central nos ensaios e apresenta\u00e7\u00f5es. Para os integrantes, no entanto, \u00a0a\u00a0can\u00e7\u00e3o cantada est\u00e1 presente no trabalho, o primeiro \u00e1lbum tem cinco can\u00e7\u00f5es e o pr\u00f3ximo tamb\u00e9m ter\u00e1 algumas composi\u00e7\u00f5es. \u00c9 natural que aos poucos passemos a incorporar algumas can\u00e7\u00f5es nos shows, como essa perfomance aqui:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Igap\u00f3 de Almas - Alegria\" width=\"1170\" height=\"658\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9wBJPTp6L9g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea viu o primeiro v\u00eddeo acima, constatou que eles fogem completamente dos instrumentais: guitarra+baixo+bateria+teclado e utilizam outros instrumentos, como o didgeridoo,\u00a0um instrumento de sopro abor\u00edgene, feito de madeira, no qual o Henrique Lopes garantiu que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de tocar e \u00e9 simples para produzir um som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia da banda passa por essa rela\u00e7\u00e3o com outros instrumentos, sejam org\u00e2nicos ( percuss\u00f5es e didgeridoo) ou eletr\u00f4nicos ( computadores, samplers, sintetizadores). Por exemplo, quando come\u00e7amos a apresentar o som do Igap\u00f3 em 2014 acabamos levando pro palco tr\u00eas pcs, uma coisa meio absurda em termos t\u00e9cnicos mas era o que t\u00ednhamos dispon\u00edvel para materializar a sonoridade eletr\u00f4nica ligada ao instrumental mais convencional, o que era algo que est\u00e1vamos e ainda estamos buscando desenvolver. Muitas bandas fazem isso, n\u00e3o estamos inventando a roda. Cada uma se vira como pode, pois equipamentos n\u00e3o s\u00e3o baratos e a\u00ed entra a quest\u00e3o da gambiarra como um componente fundamental dessa procura por instrumentos diferentes, que \u00e9 na realidade uma procura por outras sonoridades&#8221;, explicou o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda para este anos, eles est\u00e3o produzindo o segundo \u00e1lbum, intitulado de\u00a0&#8220;Laborioso Vinho\u201d, no qual o Henrique explica o porqu\u00ea do t\u00edtulo: &#8221; A grava\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 uma fermenta\u00e7\u00e3o constante, de ideias, de sonoridades, de vis\u00f5es de mundo, feita de maneira coletiva, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o do tempo. No nosso caso, \u00e9 um labor que gera m\u00fasicas fermentadas ao inv\u00e9s de m\u00fasicas instant\u00e2neas (risos), sejam instrumentais ou can\u00e7\u00f5es. Essa coisa da fermenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 acontecendo o tempo dentro e fora da gente n\u00e9? No mundo, na sociedade, na vida de maneira geral. O nome faz refer\u00eancia a essa percep\u00e7\u00e3o de que certas coisas precisam de tempo para se transformar no que se tornam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a m\u00fasica independente, eles foram um dos cabe\u00e7as da\u00a0REMUIN (Rede de M\u00fasica Independente de Natal), que junta v\u00e1rias bandas independentes que querem produzir um som pr\u00f3prio e original, no qual se re\u00fanem semanalmente para espalhar o seu som na capital potiguar e esporadicamente no interior do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estamos vivendo a \u00e9poca em que o famoso prov\u00e9rbio de C\u00e2mara Cascudo sobre \u2018\u2019 consagra\u00e7\u00e3o\u201d vai deixando de ser repetido como mantra entre os artistas locais de diferentes segmentos, o que \u00e9 motivo de alegria pois evidencia algumas realiza\u00e7\u00f5es importantes mesmo diante da precariedade vigente para o setor cultural. O fato \u00e9 que sempre esteve bem claro que Natal \u00e9 um polo de cria\u00e7\u00e3o musical dos mais intensos do Brasil e ultimamente isso est\u00e1 mais evidente. Na verdade, n\u00e3o existe uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o que resolveria todos os problemas do cen\u00e1rio musical da cidade, que \u00e9 muito variado. At\u00e9 o que cada banda ou artista almeja \u00e9 muito variado. Isso que voc\u00ea chama de &#8220;bandas bem sucedidas&#8221;n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o musical, \u00e9 toda uma cadeia de rela\u00e7\u00f5es funcionando ao mesmo tempo. Mas \u00e9 preciso saber filtrar as coisas, evitar se espelhar naquilo que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 buscando. Isso vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o musical mas n\u00e3o se det\u00e9m exclusivamente na quest\u00e3o investimento, porque achar que o que falta \u00e9 apenas investimento tamb\u00e9m gera uma atitude passiva de considerar que est\u00e1 tudo pronto entre n\u00f3s e o que falta \u00e9 apenas algu\u00e9m ou alguma institui\u00e7\u00e3o para investir. \u00c9 preciso correr atr\u00e1s cotidianamente, se articular coletivamente de modo a buscar expandir potenciais, fazer guerrilha, estudar, sair do lugar comum, n\u00e3o tem outro jeito. \u00c9 a dor e a del\u00edcia do fazer art\u00edstico, ainda mais com o cen\u00e1rio pol\u00edtico do jeito que est\u00e1, completamente fudido. Cada um se vira como pode e com tudo se aprende. Logo, n\u00e3o existem f\u00f3rmulas mas sim diferentes maneiras de agir, de criar conex\u00f5es, de fazer acontecer. N\u00f3s do Igap\u00f3 ajudamos a criar a , pode-se dizer que \u00e9 uma plataforma que tem potencial do ponto de vista coletivo, mas \u00e9 preciso agir&#8221;, finalizou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tinha preconceito com instrumental, ainda s\u00e3o poucas bandas que escuto, mas Igap\u00f3 de Almas, daqui de Natal, \u00e9 muito legal. Cheguei nesta conclus\u00e3o ap\u00f3s escutar o &#8220;A&#8220;, primeiro \u00e1lbum do grupo lan\u00e7ado em 2014. A banda \u00e9 formada \u00a0por Walter Naz\u00e1rio, Henrique Lopes, Pedra Le\u00e3o, Rafael Melo e Artur Porpino. 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