{"id":1416,"date":"2017-04-06T00:00:00","date_gmt":"2017-04-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1416"},"modified":"2017-04-06T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-06T03:00:00","slug":"precisamos-falar-de-bullying","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/precisamos-falar-de-bullying\/","title":{"rendered":"Precisamos falar de bullying"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A obriga\u00e7\u00e3o da padroniza\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas vem da escola, quando os seus colegas querem que voc\u00ea siga uma mesma linha de apar\u00eancia. Caso n\u00e3o aceite, voc\u00ea tem altas chances de sofrer xingamentos, brincadeiras est\u00fapidas ou agress\u00f5es. Essas\u00a0que se chamam bullying, termo em ingl\u00eas para ass\u00e9dio moral que acontece em um ambiente escolar e tamb\u00e9m acad\u00eamico. \u00c9 uma das formas de viol\u00eancia que mais cresce no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>O Brechando recomenda que as pessoas assistam a s\u00e9rie &#8220;13 Reasons Why&#8221; do Netflix\u00a0 \ud83d\udca1\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, o que \u00e9 o ass\u00e9dio moral? Se for explicado no termo trabalhista, o ass\u00e9dio moral \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m a situa\u00e7\u00f5es humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es. S\u00e3o mais comuns em rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas autorit\u00e1rias e assim\u00e9tricas, em que predominam condutas negativas, rela\u00e7\u00f5es desumanas e anti\u00e9ticas de longa dura\u00e7\u00e3o, desestabilizando a rela\u00e7\u00e3o da v\u00edtima com o ambiente de trabalho e a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso que comparo que o bullying na escola \u00e9 a mesma coisa que o ass\u00e9dio moral no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 2015 foi constatado que a presen\u00e7a de casos de bullying em escolas brasileiras aumentou de 5% para 7%, segundo pesquisa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) realizada com contribui\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O levantamento apontou ainda que 20,8% dos estudantes j\u00e1 praticaram algum tipo de bullying contra os colegas e que a pr\u00e1tica \u00e9 proporcionalmente maior entre os meninos (26,1%) do que entre as meninas (16%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valent\u00e3o, brig\u00e3o. Mesmo sem uma denomina\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, \u00e9 entendido como amea\u00e7a, tirania, opress\u00e3o, intimida\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o e maltrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma pesquisa coletou 109.104 depoimentos de todos os estados brasileiros em 2009 e 2012 e que serviram de base para a pesquisa. Na compara\u00e7\u00e3o entre os dois per\u00edodos foi poss\u00edvel observar que os casos de humilha\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o ou preconceito est\u00e3o em evid\u00eancia no ambiente escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa foi feita em escolas p\u00fablicas e particulares e aponta que 51% dos estudantes disseram ainda que n\u00e3o sabem os motivos do bullying, apenas uma pequena parte conseguiu explicar as causas do preconceito. Para 18,6% dos pesquisados, o ass\u00e9dio ocorreu devido a apar\u00eancia do corpo, seguido da apar\u00eancia do rosto (16,2%). Casos envolvendo ra\u00e7a ou cor representam 6,8% dos relatos, orienta\u00e7\u00e3o sexual 2,9%, religi\u00e3o 2,5% e regi\u00e3o de origem 1,7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Natal, este ato \u00e9 bastante comum e entrevistamos pessoas que foram alvo na escola ou ainda sobre. Veja os depoimentos an\u00f4nimos a seguir:<\/p>\n<table style=\"border-color: #000000;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h3>1:<\/h3>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal que falavam de mim eram apelidos, eram v\u00e1rios, todos s\u00f3 para tirar sarro com minha cara e para me ofender. Passei tamb\u00e9m pelo cl\u00e1ssico &#8220;voc\u00ea \u00e9 gay porque est\u00e1 sempre com aquele seu amigo&#8221;. Ainda tinham pessoas tentando tirar vantagem de mim, uma vez chegou a um menino ir no estabelecimento que meus pais tinham e dizer que iam ter desconto de 50% s\u00f3 porque era meu amigo e disse que eu tinha oferecido, coisa que nunca fiz. Eu me sentia constantemente sob amea\u00e7a, tinha alguns poucos amigos, n\u00e3o era o col\u00e9gio inteiro que era ruim e fazia bullying, mas quase todo dia, toda oportunidade, estavam sempre l\u00e1, sempre para tentar me ofender e ficar rindo de mim por terem me ofendido. Alguns eu sabia que at\u00e9 os pais apoiavam suas atitudes. At\u00e9 pensei algumas vezes em mudar de col\u00e9gio, mas eu sempre pensava: &#8220;Vai ser pior, v\u00e3o existir as mesmas pessoas por l\u00e1, pelo menos aqui estou acostumado ao tipo de castigo que eles me fazem&#8221;. N\u00e3o confiava em ningu\u00e9m, n\u00e3o totalmente. Tive que fazer terapia, pois eu n\u00e3o sentia nem alegria em viver.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>2:<\/h3>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00a0tempo de col\u00e9gio eu tinha problema com os dentes e no col\u00e9gio tiravam sarro por ser banguela. Depois disso, era sarro por tirar notas altas ou ser ruim na Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Em suma, n\u00e3o tinha motivos para essas tira\u00e7\u00f5es de onda. Apesar de n\u00e3o ter havido agress\u00f5es f\u00edsicas, eu me sentia incomodada e cheguei a reclamar do col\u00e9gio, mas sem enfeito. Enquanto os meus pais achavam que era s\u00f3 um problema e que precisava aprender a me defender.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>3:<\/h3>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho claustrofobia e morria de medo de pegar um elevador que tinha na escola, uma vez quando entrei entraram umas 20 pessoas e me empurraram para o fundo do elevador, a porta fechou e ficaram pulando na inten\u00e7\u00e3o de fazer o elevador quebrar. Claramente por minha causa, porque nessa \u00e9poca todo mundo sabia que eu tinha medo daquele elevador, j\u00e1 tinha evitado mil vezes entrar nele quado entravam mais pessoas. Uma outra vez, ficavam questionando minha sexualidade e teve um dia que levei uma queda na rampa do pr\u00e9dio central e levei quatro pontos no queixo, no outro dia os meninos da sala disseram que eu me cortei fazendo a barba.<\/p>\n<div class=\"conversation\">\n<div class=\"_4tdt _ua1\">\n<div class=\"_ua2\">\n<div class=\"_4tdv\">\n<div class=\"_5wd4 _1nc7 direction_ltr\">\n<div class=\"_h8t\">\n<div class=\"_5wd9\">\n<div class=\"_5wde _n4o\">\n<div class=\"_5w1r _3_om _5wdf\">\n<div class=\"_4gx_\">\n<div class=\"_d97\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"_5yl5\">N\u00e3o procurei o col\u00e9gio, porque achava a dire\u00e7\u00e3o omissa. Um exemplo foi quando eu era crian\u00e7a e vi um menino pichando o col\u00e9gio e fui falar na coordena\u00e7\u00e3o, pedi pra n\u00e3o falassem que eu tinha dito, porque ele pegava o mesmo \u00f4nibus que eu. No mesmo dia me chamaram e me botaram na frente do menino, desrespeitando meu direito de anonimato.\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<div class=\"conversation\">\n<div class=\"_4tdt _ua1\">\n<div class=\"_ua2\">\n<div class=\"_4tdv\">\n<div class=\"_5wd4 _1nc7 direction_ltr\">\n<div class=\"_h8t\">\n<div class=\"_5wd9\">\n<div class=\"_5wde _n4o\">\n<div class=\"_5w1r _3_om _5wdf\">\n<h3 class=\"_d97\" style=\"text-align: justify;\">04:<\/h3>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bullying \u00e9 mais do que uma brincadeira, uma besteira de adolescente, \u00e9 algo que te endurece quanto ser humano e que deixa marcar na vida adulta. Um apelido maldoso, uma exclus\u00e3o em um grupinho de &#8220;descolados&#8221;, e assim que um discurso di\u00e1rio de baixa auto-estima come\u00e7a a te fazer questionar: &#8220;eu realmente devo ser essa pessoa inferior, afinal, porque todo mundo falaria se n\u00e3o tivesse um pingo de realidade?&#8221; Eu sofri bullying, e n\u00e3o isso n\u00e3o me fez &#8220;crescer ou foi uma fase normal do amadurecimento&#8221;. Foi uma experi\u00eancia traum\u00e1tica, da qual tento curar as cicatrizes at\u00e9 hoje. O que pe\u00e7o \u00e9 empatia, n\u00e3o apenas rotular de drama, mas tentar entender realmente a situa\u00e7\u00e3o de quem sofre e de quem \u00e9 resumido a &#8220;quatro olhos gorducho diferente estranho&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqui coloco um link em PDF de um advogado natalense que resolveu topar em falar no blog sobre as consequ\u00eancias de sofrer bullying na escola desde a juventude. Clique <a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Sobre-o-bullying.pdf\">aqui<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As consequ\u00eancias disso? S\u00e3o v\u00e1rias, como o desenvolvimento de poss\u00edveis doen\u00e7as, como transtorno de ansiedade, depress\u00e3o e dentre outras. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a relacionar a palavra a um fen\u00f4meno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, que viu que as brincadeirinhas das escolas tinha rela\u00e7\u00e3o com as tend\u00eancias suicidas entre adolescentes, objeto de pesquisa dele na d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As agress\u00f5es acontecem, na maior parte dos casos, sem o conhecimento de professores e pais. A consequ\u00eancia \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o de medo e inseguran\u00e7a que atrapalha os estudos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de amea\u00e7a e que, portanto, o bullying era um mal a combater. Al\u00e9m disso, a popularidade do fen\u00f4meno cresceu com a influ\u00eancia dos meios eletr\u00f4nicos, como a internet e as reportagens na televis\u00e3o, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando propor\u00e7\u00f5es maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme falamos anteriormente, n\u00e3o sabemos se existe uma rela\u00e7\u00e3o com o bullying, mas o ato de retirar a pr\u00f3pria vida j\u00e1 registra\u00a01% de todas as mortes de crian\u00e7as e adolescentes do pa\u00eds. Esse valor, h\u00e1 30 anos, era de 0,2%. Ou seja, em 1986 esse n\u00famero era 455 e em 2013 saltou para 788. Portanto, houve um aumento de 63,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, existe, desde 2015,\u00a0a lei n\u00ba 13.185 como forma de proteger este ato. A caracteriza\u00e7\u00e3o do bullying \u00e9 bastante espec\u00edfica e vai al\u00e9m de citar atos viol\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica em atos de intimida\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o. Cita, especificamente, casos de ataques f\u00edsicos, insultos pessoais, coment\u00e1rios sistem\u00e1ticos e apelidos pejorativos, amea\u00e7as por quaisquer meios, grafites depreciativos, express\u00f5es preconceituosas, isolamento social consciente e premeditado, pilh\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei considera que h\u00e1 \u201cintimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios para depreciar, incitar a viol\u00eancia, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m tem como propostas capacitar docentes e equipes pedag\u00f3gicas para a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de discuss\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o do problema; implementar e disseminar campanhas de educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o; instituir pr\u00e1ticas de conduta e orienta\u00e7\u00e3o de pais, familiares e respons\u00e1veis diante da identifica\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas e agressores; dar assist\u00eancia psicol\u00f3gica, social e jur\u00eddica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento ainda fixa que \u00e9 dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremia\u00e7\u00f5es recreativas assegurar medidas de conscientiza\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o, diagnose e combate \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Para saber mais sobre a lei, clique no <a href=\"http:\/\/pesquisa.in.gov.br\/imprensa\/jsp\/visualiza\/index.jsp?data=09\/11\/2015&amp;jornal=1&amp;pagina=1&amp;totalArquivos=96\">link<\/a>.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><strong>Bullying ser\u00e1 discutido na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte<\/strong><\/h1>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Assembleia Legislativa vai realizar na pr\u00f3xima segunda-feira (10), \u00e0s 14h, no plenarinho da Casa, a audi\u00eancia p\u00fablica: Diga n\u00e3o ao bullying nas escolas do RN. A proposta \u00e9 da parlamentar Christiane Dantas, que quer incentivar a discuss\u00e3o permanente sobre o assunto nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Durante a audi\u00eancia p\u00fablica ser\u00e1 distribu\u00eddo um material educativo elaborado pela deputada, al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es culturais do cordelista Nando Poeta e de alunas da Escola Estadual R\u00f4mulo Wanderley.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Foram convidados para participar do debate representantes do Conselho Estadual de Promo\u00e7\u00e3o da Paz nas Escolas, das Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o do Estado e Munic\u00edpio, Conselho Regional de Psicologia, representa\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas e privadas, e o Sindicato dos Trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o (Sinte).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obriga\u00e7\u00e3o da padroniza\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas vem da escola, quando os seus colegas querem que voc\u00ea siga uma mesma linha de apar\u00eancia. 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