{"id":1189,"date":"2017-01-16T00:00:00","date_gmt":"2017-01-16T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1189"},"modified":"2017-01-16T00:00:00","modified_gmt":"2017-01-16T02:00:00","slug":"matando-pessoas-vai-diminuir-o-crime-organizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/matando-pessoas-vai-diminuir-o-crime-organizado\/","title":{"rendered":"Matando pessoas vai diminuir o crime organizado?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">*Este artigo foi baseado em reportagens sobre a rebeli\u00e3o de Alca\u00e7uz e mat\u00e9rias antigas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado tem o Sindicato do Crime do RN e do outro o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es criminosas que tentam dominar os pres\u00eddios do RN e o crime organizado nas cidades potiguares. De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenci\u00e1rios do RN (Sindasp), via Novo Jornal, somente cinco dos 32 estabelecimentos penitenci\u00e1rio do Rio Grande do Norte abrigam presidi\u00e1rios ligados ao PCC. Por isso a rebeli\u00e3o em Alca\u00e7uz, em N\u00edsia Floresta, na Grande Natal, que aconteceu neste s\u00e1bado (14) e durou at\u00e9 este domingo (15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo os jornais, eles contam da seguinte forma: Os presos da Penit\u00eancia Rog\u00e9rio Coutinho Madruga, conhecido como Pavilh\u00e3o 5 de Alca\u00e7uz (que na verdade \u00e9 um outro pres\u00eddio que fica ao lado, mas todos acham que fazem parte da mesma unidade), dominados pelo PCC, foram at\u00e9 o Pavilh\u00e3o 3, onde est\u00e3o cerca de 400 presos que n\u00e3o s\u00e3o ligados a fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, o pessoal do Sindicato do Crime e o PCC come\u00e7aram a guerrear no Pavilh\u00e3o 4, onde est\u00e3o os presos do Sindicato do Crime do RN, dando in\u00edcio \u00e0 rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, os detentos dos pavilh\u00f5es 1 e 2, que tamb\u00e9m s\u00e3o ligados ao Sindicato do Crime, sa\u00edram em defesa dos apenados do Pavilh\u00e3o 4. Para isso, bloquearam a sa\u00edda do Pavilh\u00e3o 3 e atearam fogo em colch\u00f5es e outros objetos do lado de fora, com o objetivo de asfixiar os detentos dos pavilh\u00f5es 3 e 5 com a fuma\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado? 26 mortos, v\u00e1rios com cabe\u00e7as decapitadas, mulheres (m\u00e3es e esposas) desesperadas sem saber alguma informa\u00e7\u00e3o e o desespero de saber por informa\u00e7\u00f5es. Nesse per\u00edodo, muitas pessoas come\u00e7aram a comemorar a morte destes detentos e outros lamentando o fim de uma pessoa de forma rude. A\u00ed, aumentando as mortes vai diminuir a viol\u00eancia? O blog entrevistou Ivenio Hermes, especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica,\u00a0 falta de investimento nessa \u00e1rea fez com que as coisas piorassem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Estado, por sua vez, n\u00e3o tem ganhos pol\u00edticos com investimentos em pres\u00eddios, pois isso n\u00e3o ganha elei\u00e7\u00f5es e nem promove os candidatos. Os criminosos apenados, mais conscientes de suas condi\u00e7\u00f5es, se juntam em grupos, disputando territ\u00f3rios entre si. Sem aumentar o efetivo de agentes penitenci\u00e1rios e oferec\u00ea-los condi\u00e7\u00f5es de trabalhos, o Estado paulatinamente foi perdendo o controle sobre o sistema carcer\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hermes tamb\u00e9m elencou que o problema tanto em Alca\u00e7uz quanto em outras penitenci\u00e1rias brasileiras vem a partir de in\u00fameros fatores, um deles \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o em punir o preso, prender e n\u00e3o pensar em seu retorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No Brasil nos preocupamos apenas em encarcerar e nem um pouco com o retorno do preso \u00e0 sociedade no final da pena. Esse processo superlota penitenci\u00e1rias onde o conv\u00edvio entre apenados se transforma numa verdadeira escola do crime acirrada pelo desejo de se vingar da sociedade que o enclausurou sem respeitar o m\u00ednimo para o pagamento de sua pena&#8221;, relatou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ser\u00e1 que \u00e9 isso mesmo? Foi ent\u00e3o que o <b>Brechando<\/b> foi debru\u00e7ar em artigos e mat\u00e9rias antigas de jornais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma delas foi a mat\u00e9ria do Nexo Jornal, no qual relatava sobre a anula\u00e7\u00e3o do julgamento do Massacre do Carandiru e o jornalista entrevistou <a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/ensaio\/2016\/10\/08\/No-Carandiru-devemos-falar-sobre-o-PCC\">um dos desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desembargador parecia se enxergar numa guerra, onde os nossos inimigos est\u00e3o misturados com a popula\u00e7\u00e3o nas cidades e n\u00e3o vestem uniformes. Para lidar com esses bodes expiat\u00f3rios que moram ao lado, quase assombra\u00e7\u00f5es a nos meter muito medo, o exterm\u00ednio e o confinamento acabam sendo a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o. Acho que \u00e9 esse o senso comum que faz a cabe\u00e7a de ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o. Como se a \u00fanica forma de deixar o nosso mundo mais seguro fosse retirar esses inimigos do conv\u00edvio.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 bonito comemorar estas mortes, visto que esta trag\u00e9dia j\u00e1 havia sido &#8220;presumida&#8221; e dita v\u00e1rias vezes. Poderiam ter feito outras medidas para que n\u00e3o chegassem ao que aconteceu neste fim de semana. Os jornais falavam destas organiza\u00e7\u00f5es e os governantes sempre negando ou o presidente do Supremo Tribunal Federal, na \u00e9poca Joaquim Barbosa dizendo que \u201c<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/rn\/rio-grande-do-norte\/noticia\/2013\/04\/joaquim-barbosa-visita-pavilhao-com-120-detentos-em-penitenciaria-do-rn.html\">as unidades prisionais do estado n\u00e3o respeitam padr\u00f5es m\u00ednimos de dignidade humana<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o exterm\u00ednio est\u00e1 sendo um caminho mais f\u00e1cil em troca de gastar rios de dinheiro com melhorias no sistema penitenci\u00e1rio. Mas ser\u00e1 que acaba a viol\u00eancia e os crimes? A cria\u00e7\u00e3o do PCC mostra que o \u00f3dio gerou mais \u00f3dio.<\/p>\n<blockquote>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o come\u00e7o de 1993, quando o PCC nasceu, o total de presos se multiplicou por sete e hoje s\u00e3o mais de 230 mil pessoas encarceradas em S\u00e3o Paulo. O Estado tem hoje a taxa de mais de 522 presos por 100 mil habitantes, a mais alta do Brasil e uma das mais altas do mundo. Foi justamente nesse novo mundo constru\u00eddo atr\u00e1s das grades que a ideologia do PCC, que prega a uni\u00e3o do crime, floresceu e se expandiu para fora dos muros das pris\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div>Nexo Jornal<\/div>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando para a capital do RN. De acordo com o <a href=\"http:\/\/novojornal.jor.br\/policia\/traficante-rivotril-fundou-o-sindicato-do-crime-no-rn\">Novo Jornal<\/a>, um dos criadores do Sindicato do Crime foi Rivotril, natural do bairro de M\u00e3e Lu\u00edza e dominava o tr\u00e1fico de drogas de um dos bairros com \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos de Natal. A organiza\u00e7\u00e3o surgiu ap\u00f3s o rompimento do Rivotril com o PCC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Rivotril morreu no dia 18 de fevereiro de 2014 ap\u00f3s um confronto com a Policia Militar. Naquele per\u00edodo muitas pessoas chegaram a compartilhar fotos dele baleado e dentro do hospital, al\u00e9m de &#8220;comemorar a sua morte&#8221;, alegando que isto diminuiria a viol\u00eancia urbana. Por\u00e9m n\u00e3o foi isto que aconteceu.<\/p>\n<blockquote>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O traficante e seus aliados atuavam onde o Estado n\u00e3o chegava. Davam aux\u00edlio de sa\u00fade aos detentos e familiares, aux\u00edlio financeiro e at\u00e9 custeavam os advogados para acompanharem os processos de cada um dos filiados.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de j\u00e1 se ter not\u00edcia do grupo criminoso no RN em 2015 e no in\u00edcio do ano passado, foi em julho e agosto de 2016 que a fac\u00e7\u00e3o ganhou mais visibilidade. Os presidi\u00e1rios comandaram, de dentro das unidades carcer\u00e1rias, uma s\u00e9rie de ataques a \u00f4nibus, pontos tur\u00edsticos e unidades policiais em diferentes cidades do estado. Isso porque o Governo do Estado instalou bloqueadores de telefonia m\u00f3vel na Penitenci\u00e1ria Estadual de Parnamirim (PEP), impedindo a comunica\u00e7\u00e3o dos detentos com o lado de fora da unidade.<\/p>\n<\/div>\n<div>Novo Jornal<\/div>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PCC, por sua vez, foi criado ap\u00f3s o Massacre do Carandiru, considerado uma das maiores barb\u00e1ries do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<blockquote>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido um ano depois do Massacre, em agosto de 1993, a fac\u00e7\u00e3o criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) \u00e9 a grande novidade da cena criminal brasileira nos dias de hoje. A fac\u00e7\u00e3o, que surgiu nas pris\u00f5es de S\u00e3o Paulo, passou a organizar o tr\u00e1fico de drogas nas ruas e hoje j\u00e1 disputa mercados em praticamente todos os estados brasileiros. O assunto \u00e9 inc\u00f4modo principalmente para as autoridades do governo paulista, que se favorecem quando o tema \u00e9 deixado de lado e quando fingimos que o problema n\u00e3o existe.<\/p>\n<\/div>\n<div>Nexo Jornal<\/div>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sindicato do Crime, assim como o PCC, se sustenta atrav\u00e9s das mensalidades de seus associados. Por isso, em algumas regi\u00f5es s\u00e3o considerados her\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma pessoa considera um criminoso um her\u00f3i \u00e9 o resultado da desigualdade social, no qual o garoto do bairro de Ponta Negra tem muito mais chances de arranjar um bom emprego e melhores condi\u00e7\u00f5es escolares do que aquele que vive na Vila de Ponta Negra, que fica no meio da trincheira entre traficantes e bandidos, muitas vezes vivendo em fam\u00edlias disfuncionais, s\u00f3 tem condi\u00e7\u00f5es de estudar na \u00fanica escola do bairro. Alguns conseguem sair, mesmo sabendo que o resultado \u00e9 ao longo prazo. Mas outros preferem o caminho do dinheiro f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como faz para mudar? Temos op\u00e7\u00f5es a ser discutidas: legaliza\u00e7\u00e3o das drogas (independente se voc\u00ea \u00e9 contra ou a favor, isto deve ser falado), regulamenta\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio, criar novas op\u00e7\u00f5es de programas sociais, mais escolas em lugares de dif\u00edcil acesso, mais postos de sa\u00fade, saneamento b\u00e1sico, hospitais, aumento do transporte p\u00fablico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se em muitos casos as pris\u00f5es contribu\u00edram para fazer justi\u00e7a e diminuir a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade nas ruas, s\u00e3o tamb\u00e9m causadores de decis\u00f5es equivocadas que acabaram com a vida de pessoas e fazendo com que piorasse os pres\u00eddios, como aquelas que foram presas por roubar comida para matar a fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o esses detentos do estilo Jean Valjean que ficam mais sujeitos a se tornarem massa de manobra das fac\u00e7\u00f5es. Em Alca\u00e7uz, no Rio Grande do Norte, por exemplo, alguns desses mortos estavam presos h\u00e1 quase um ano, sem ainda ser julgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As coisas s\u00f3 continuam dessa forma, pois existem pessoas que financiam o tr\u00e1fico, que tamb\u00e9m estimula a corrup\u00e7\u00e3o dos quatro poderes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Este artigo foi baseado em reportagens sobre a rebeli\u00e3o de Alca\u00e7uz e mat\u00e9rias antigas. De um lado tem o Sindicato do Crime do RN e do outro o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es criminosas que tentam dominar os pres\u00eddios do RN e o crime organizado nas cidades potiguares. 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