{"id":1106,"date":"2016-12-10T00:00:00","date_gmt":"2016-12-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/homologacao.nerdbug.com.br\/?p=1106"},"modified":"2016-12-10T00:00:00","modified_gmt":"2016-12-10T02:00:00","slug":"qual-relacao-de-zila-mamede-com-o-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/brechando.com\/novo\/qual-relacao-de-zila-mamede-com-o-mar\/","title":{"rendered":"Qual rela\u00e7\u00e3o de Zila Mamede com o Mar?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Zila Mamede era paraibana, mas seu cora\u00e7\u00e3o era do Rio Grande do Norte. Com cinco anos, se mudou para Currais Novos, onde seu pai teve uma f\u00e1brica beneficiadora de algod\u00e3o. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela se mudou para Natal, onde come\u00e7ou a sua vida de poeta e bibliotec\u00e1ria, no qual atuou na Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e C\u00e2mara Cascudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas principais obras: Rosa de pedra (1953); Salinas (1958); O arado (1959); Exerc\u00edcio da palavra (1975) e Corpo a corpo (1978).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o mar, ela tem diversos poemas sobre o mar. Confira um:<\/p>\n<blockquote>\n<div><b>ELEGIA<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<h6>N\u00e3o retornei aos caminhos<\/h6>\n<h6>que me trouxeram do mar.<\/h6>\n<h6>Sinto-me brancos desertos<\/h6>\n<h6>onde as dunas me abrasando<\/h6>\n<h6>tarjam meus olhos de sal<\/h6>\n<h6>dum pranto nunca chorado,<\/h6>\n<h6>dum terror que nunca vi.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>Vivo hoje areias ardentes<\/h6>\n<h6>sonhando praias perdidas<\/h6>\n<h6>com levianos marujos<\/h6>\n<h6>brincando de se afogar,<\/h6>\n<h6>com rochedos e enseadas<\/h6>\n<h6>sentindo afagos do mar.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>Tudo perdi no retorno,<\/h6>\n<h6>tudo ficou l\u00e1 no mar:<\/h6>\n<h6>arrancaram-me das ondas<\/h6>\n<h6>onde nasci a vagar,<\/h6>\n<h6>desmancharam meus caminhos<\/h6>\n<h6>\u2013 os inventados no mar:<\/h6>\n<h6>depois, secaram meus bra\u00e7os<\/h6>\n<h6>para eu n\u00e3o mais velejar.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>Meus pensamentos de espumas,<\/h6>\n<h6>meus peixes e meu luar,<\/h6>\n<h6>de tudo fui despojada<\/h6>\n<h6>(at\u00e9 das f\u00farias do mar),<\/h6>\n<h6>porque j\u00e1 n\u00e3o sou areias,<\/h6>\n<h6>areias soltas de mar.<\/h6>\n<h6>Transformaram-me em desertos,<\/h6>\n<h6>ou\u00e7o meus dedos gritando<\/h6>\n<h6>vejo-me rouca de sede<\/h6>\n<h6>das leves \u00e1guas do mar.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>Nem descubro mais caminhos,<\/h6>\n<h6>j\u00e1 nem sei tamb\u00e9m remar:<\/h6>\n<h6>morreram meus marinheiros,<\/h6>\n<h6>minha alma, deixei no mar.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>Pudessem meus olhos vagos<\/h6>\n<h6>ser ostras, rochas, luar,<\/h6>\n<h6>ficariam como as algas<\/h6>\n<h6>morando sempre no mar.<\/h6>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zila Mamede morreu afogada em 1985, enquanto nadava na Praia do Meio, situada na costa litor\u00e2nea, pr\u00f3xima ao Forte dos Reis Magos, em Natal, como fazia quase diariamente. Neste poema, acima, ela fala do mar como parte das mem\u00f3rias dos lugares em que viveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o personagem deste filme que falaremos nesta postagem, nesta ter\u00e7a-feira (13), na Casa da Ribeira, estreia mais um novo curta-metragem em Natal chamado &#8220;Mar de Zila&#8221;. O curta \u00e9 fic\u00e7\u00e3o, mas mostra \u00e9 uma homenagem \u00e0 Natal e as pessoas que sempre retornam.\u00a0Sess\u00e3o aberta ao p\u00fablico com entrada franca (sujeita \u00e0 lota\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o). A distribui\u00e7\u00e3o de ingressos a partir das 18h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/15391470_1375648819144295_814678427092851982_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11454\" src=\"http:\/\/www.brechando.com\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/15391470_1375648819144295_814678427092851982_o-571x800.jpg\" alt=\"15391470_1375648819144295_814678427092851982_o\" width=\"571\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a sess\u00e3o, haver\u00e1 bate-papo com a equipe e pocket-show da banda Mahmed, respons\u00e1vel pela trilha sonora original do filme. Por falar na banda, o integrante<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria conta a vida de um homem que retorna \u00e0 sua cidade origem, que \u00e9 Natal, ap\u00f3s muitos anos sem pis\u00e1-la, e descobre que durante o caminho v\u00e1rias sensa\u00e7\u00f5es lhe acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi produzido pela Jatob\u00e1 Filmes, dirigido por Ariana Mondo, e um dos contemplados do edital Cine Natal 2014 e de Economia Criativa do Sebrae. Confira o teaser a seguir:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Teaser Mar de Zila\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/194515426?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"1170\" height=\"658\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zila Mamede era paraibana, mas seu cora\u00e7\u00e3o era do Rio Grande do Norte. Com cinco anos, se mudou para Currais Novos, onde seu pai teve uma f\u00e1brica beneficiadora de algod\u00e3o. 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