Vanilda é a idosa da foto. Já morou em diversos lugares do país, como o Rio de Janeiro. Foi no Rio que sua saúde mental começou a deteriorar, há 30 anos. Eram os primeiros sinais da esquizofrenia e motivou a voltar a Simão Dias, interior de Sergipe. “Só que isso foi sendo postergado, porque a família não entendia como algo de saúde, mas sim como algo problemático em relação a escolhas erradas”, declarou Lucas Góis, sobrinho dela.
A saúde mental ainda é um tabu e ser esquizofrênico no Brasil ainda é mais. Além disso, na próxima quinta-feira (9), a partir das 19 horas, haverá o lançamento do documentário TIA, no auditório do NEPSA da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A direção do curta sobre Vanilda é do jornalista e mestrando em Estudos da Mídia pela UFRN, Lucas Góis. Após o circuito de exibições, o filme será disponibilizado em plataforma digital. O documentário TIA, que propõe uma reflexão sensível sobre o estigma da esquizofrenia e a qualidade de vida. A história narra a vida de Vanilda, uma mulher idosa que foi diagnosticada tardiamente com esquizofrenia.
Com a palavra, Lucas Góis
De acordo com o diretor do filme, em entrevista exclusiva ao Brechando, o filme surgiu durante uma viagem entre setembro e janeiro para visitar os parentes por parte de mãe
“Desde que eu me conheço que eu passei a conhecer ela com maior consciência já tinha esse estereótipo dela sobre ela ser maluca, ser doida…Enfim, não entendia, não se falava sobre esquizofrenia. Usavam até de intermédios religiosos”, comentou. Lucas ainda complementou que era uma forma de mostrar uma versão diferente de sua tia Vanilda.
“O TIA vem para mostrar a versão dela, o que as pessoas falam sobre ela como pessoa, corpo e sua qualidade de vida era afetada todos os dias”, complementou
Entre silêncios, memórias e afetos, TIA revela aquilo que raramente ganha visibilidade: a saúde mental na velhice e os estigmas que a cercam, especialmente em contextos de cidades pequenas. Mais do que explicar, o filme do Lucas Góis propõe uma experiência de escuta e reflexão, convidando o espectador a se aproximar de uma realidade muitas vezes invisibilizada.
O diretor disse que poderia apresentar isso como outra dificuldade, mas que se tratava de algo mais abstrato. Explicou que, antes, havia mencionado uma dificuldade mais concreta, e que a outra que pensou era uma forma de tentar mostrar a tia de maneira crua, como ela realmente é, sem muitos efeitos ou elementos adicionais. Comentou que isso era curioso, pois a tia se manifestava de diversas formas e era bastante performática sem perceber, com muitas ações e atitudes teatrais, embora de uma maneira ainda crua, o que considerava interessante.
Acrescentou que, por causa disso, enfrentou dificuldades na pós-edição de várias partes do documentário, já que ela apresentava alguns devaneios durante as falas, o que prejudicava o entendimento e a continuidade. No entanto, destacou que isso também trouxe um aspecto interessante, pois foi possível trabalhar esse elemento de forma positiva.
“Hoje minha tia faz tratamento aos 71 anos e hoje ela tem uma vida razoavelmente tranquila, não 100%, porque ela descobriu outros problemas de saúde junto com a esquizofrenia em si. E por incrível que pareça, hoje, após quase 5 anos de tratamento, que hoje ela já está com 76, o menor problema dela é a esquizofrenia, entre outros que ela já tem”, comentou.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a esquizofrenia é a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 44 anos. São cerca de 1,6 milhão de brasileiros que, além da doença, sofrem com o estigma.
Sobre a produtora
Produzido pela Timbú, produtora potiguar, em associação com o coletivo Espelho Mágico, de Sergipe, a obra nasce de uma abordagem íntima e busca dar visibilidade a uma história que, por muito tempo, permaneceu silenciada.
Intitulada “Amigos da Timbú”, a sessão marca o início da trajetória do filme por mostras, cineclubes e festivais. A proposta é reunir convidados, apoiadores e pessoas próximas ao projeto em uma exibição intimista, seguida de um momento de diálogo sobre os temas abordados na obra.
Após a sessão, haverá um momento de conversa com convidados, ampliando o debate sobre saúde mental, envelhecimento e preconceito.
Ficha técnica
- Direção: Lucas Góis
- Roteiro: Lucas Góis e Júlio Cardoso
- Pesquisa: Lucas Góis e Edmilson Góis
- Narração: Higor Nunes
- Personagem principal: Vanilda Viana
- Produção: Lucas Góis
- Produção Executiva: Tatiane Viana
- Direção de Fotografia: Ícaro Carvalho
- Captação de Imagem: Ícaro Carvalho
- Imagens Aéreas (Drone): Ícaro Carvalho
- Captação de Áudio: Francielly Oliveira
- Edição / Montagem: Matheus Silveira e Dayara Carvalho
- Finalização: Samuel Agripino
- Direção de Arte: Mariane Guimarães
- Design: Luiz Vinycios
- Comunicação e Divulgação: Elizandra Soares
Serviço
Exibição: Amigos da Timbú
Data: 09 de abril
Horário: 19h às 20h30
Local: NEPSA II – UFRN
contato: timbuproducoes@gmail.com

