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Meu nome é Discol, visitando o Centro de Natal

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Conheça a história de Luiz Brás e como veio a loja Discol para capital potiguar, que resiste e continua vendendo LP

 

Nota da editora: Na primeira edição da revista (link no menu do site) do Brechando eu entrevistei Luiz Brás, dono da loja Discol, que até hoje resiste na Cidade Alta vendendo discos e outros artigos relacionados. Quatro anos após essa matéria descobri que a loja ainda funciona e vou compartilhar esta matéria.

 

O início 

Um dos ramos do antigo Grande Ponto, a rua João Pessoa no bairro de Cidade Alta é dividido entre coisas novas e antigas, entre as grandes redes de magazines e os tradicionais. Os edifícios Ducal e Sisal ainda estão lado a lado dos casarões que foram vulgarmente modificados. No piso inferior da loja maçônica da loja 21 de março (um dos primeiros registros da Maçonaria na cidade) está uma resistência da venda de LPs na capital potiguar. 

A Discol até hoje vende os produtos oferecidos quando a mesma veio eventualmente para capital potiguar no ano de 1975.

Em um espaço mais reduzido, os discos de vinil ainda estão lá utilizados como objetos de decoração ou custando entre 10 a 20 reais, dependendo se o mesmo é raro ou não, além de vender camisetas de bandas de rock e heavy metal, shape de skate, pendrive com música e fornece o serviço de converter VHS em DVD e transformar músicas de vinil e cassete para CD.

Ou seja, teve que se modernizar para se manter viva. Antes que esqueça, nos fundos da loja ainda tem um estúdio de tatuagem.

“Me lembro que comecei como olheiro na Discol de Campina Grande (PB), a matriz da loja, era bem novinho e tinha 14 anos. Quando eles quiseram se instalar em Natal, eles me chamaram para trabalhar, quase fui na mala do fusca (risos)”, disse Luiz Brás, que trabalha há 43 anos no local e hoje é o proprietário.

Loja virou seu nome?

“O Centro inteiro me chama de Luiz da Discol. A loja virou meu nome”, afirmou um grande amante da música e estava usando uma camiseta do Motorhead enquanto lhe entrevistava.

Brás lembra muito bem o dia em que a loja foi inaugurada. “Foi uma semana antes do carnaval de 1975 em outro local na Cidade Alta e depois ficamos por aqui. Foi proposital a data, para as pessoas comparem os discos do momento”, explicou. 

Meu primeiro contato com a Discol foi andando pelas ruas do Centro e vi que tinha poucas lojas mantendo a sua caracterização. O letreiro da rua ainda tinha cara de anos 70 e 80 e vasculhando os discos da minha mãe, alguns ainda mantinham a etiqueta da loja.

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“Os antigos donos amavam está logo, era o maior carinho do mundo”, relatou o quase músico Luiz. Sim, ele quase entrou em banda. 

Irmão de Maguila dos Teclados

Sua carreira musical ou quase carreira aconteceu quando ele e os irmãos foram convidados para formar uma banda de baile, na Paraíba (“nos moldes do Grafith”),  por um político que iria lhes emprestar, no qual deixou toda a família empolgada com a artimanha. “No final a banda nem deu certo, deixando todo mundo descontente, alguns não querem tocar mais o instrumento por conta do trauma. Somente um dos meus irmãos resolveu se tornar cantor”, contou Luiz se referindo ao Maguila, seresteiro bastante conhecido no Nordeste.

Maguila é uma figurinha carimbada nas serestas promovida pela Carreta Churrascaria, que ficava na Avenida Engenheiro Roberto Freire, e roda pelo interior do Nordeste e principalmente em casas de shows especializadas na cidade sobre seresta. 

“Não porque ele é meu irmão, mas ele é um excelente músico na área do que faz, sempre teve talento, um excelente seresteiro. Ainda toco bateria ou qualquer instrumento de percussão, mas é por puro lazer”, relatou. 

Começou sendo funcionário

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Fachada da Discol

A história do Disco e do Luiz se confunde, tanto que o seu nome no Facebook é Luiz Discol. “Quando você se envolve tanto com a loja, as pessoas colocam o nome dela junto com o meu de batismo. Amo trabalhar por aqui, passei por todas as áreas e só vai fechar quando morrer.”. 

Luiz começou como olheiro, depois passou para o balcão e finalmente chegou a gerência. “Fiquei 18 anos na gerência, segundo a minha carteira de trabalho. Somente quando a loja de Campina Grande fechou no início dos anos 2000, resolvi comprar o ponto e administrar a Discol”. 

Se nos anos 80, as pessoas compravam os discos do momento. Hoje a galera quer saber se ainda existe o melhor do Amado Batista (mesmo com alguns clientes saudosistas).

“Apesar de colocar música popular para chamar atenção, muitos jovens que querem saber dos LPs, lamento que o pessoal de 40 anos que viveu os áureos tempos do disco não querem saber de vitrola ou vinil”, contou o Brás, que ainda quer manter a música viva em um mundo que só quer saber de Spotify e escutar música via You Tube.  

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