Como eram os negros potiguares no século XX – Brechando
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Como eram os negros potiguares no século XX


No próximo sábado (20) será o Dia da Consciência Negra e é primeiramente uma forma de relembrar que o racismo ainda existe. No entanto, a gente vai falar sobre os primeiros retratos de pessoas negras do Rio Grande do Norte fotografadas no início do século XX. Tudo isso somente aconteceu  graças ao caicoense José Ezelino, no qual muitos os consideram o primeiro fotógrafo negro do sertão nordestino. As fotografias mostram, portanto, como os negros, após o fim da escravidão, eram vistos.

O trabalho de Ezelino é considerado único, já que a maioria dos registros de negros da época mostram algo totalmente diferente. Ezelino, que paralelamente produziu um vasto material de Caicó e demais regiões do Seridó, infelizmente teve muitas fotos perdidas.

Muitas dessas imagens são de familiares e vizinhos do próprio José Ezelino. Veja, portanto, algumas imagens a seguir:

Sobre o fotógrafo José Ezelino

Seu nome é José Ezelino e é filho de escravos e nascido em Caicó no ano de 1889 – um ano após a abolição da escravatura no Brasil, a Lei Aúrea, assinada pela então Princesa Isabel. Pouco se sabe de sua história e como descobriu a fotografia, só se sabe que ele adquiriu experiência com profissionais da Paraíba e do Pernambuco, através de um recorte de jornal da época. Mas, ele conseguiu registrar uma das 10 maiores cidades do Rio Grande do Norte, principalmente que esteve em ascenção economicamente, com a agricultura do algodão. Era uma profissão na época rara no Sertão, na década de 20, principalmente nos recantos distantes dos grandes centros urbanos do país.

De acordo com Rostand Medeiros, na metade da década de 1920 do século passado o município de Caicó tinha uma população em torno de 25.000 mil habitantes, mas o núcleo urbano não tinha nem 8000 pessoas. Apesar desta pequenez habitacional, Caicó já tinha um banco.

Anúncio de jornal de José Ezelino na época

Era nesse período que Ezelino registrou em sua máquina a si mesmo e a seus familiares com a mesma linha estética das famílias de alta classe da Região Sudeste e de países europeus. O artista, um grande inovador, criou figurinos direção, cenários e captação de imagens utilizando seus próprios recursos e sem apelar para referências de outros artistas. Além disso, conseguiu registrar o centro da cidade, como nesta foto a seguir:

Existe um livro sobre José Ezelino sobre negros potiguares

A pesquisadora Ângela Almeida lançou em 2018 o livro “Quando a pele incendeia a memória”, de autoria da pesquisadora Ângela Almeida que resgata o trabalho do fotógrafo caicoense. Além disso, Ezelino imortalizou imagens de parentes e amigos e o cotidiano da sociedade da sua época. Para a elaboração do livro, Ângela Almeida contou com o apoio da sobrinha-neta do retratista, a arquiteta Ana Zélia Moreira, que apresentou o álbum de família, herança deixada por sua mãe. O livro conta com projeto gráfico de Rafael Sordi Campos e ilustrações de Michelle Holanda.

A maioria dos registros é da população negra retratada como vendedores de ruas ou como trabalhadores de baixo escalão. Além dos registros familiares, Ezelino produziu um vasto material da cidade de Caicó e demais regiões do Seridó. Infelizmente, muitas destas fotos foram perdidas ao longo dos anos, o que fortalece ainda mais, portanto, a importância do trabalho da pesquisadora Ângela Almeida.


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