Nilo Peçanha

Avenida de Natal homenageia o primeiro presidente negro do país

Cidades
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No final da Avenida Prudente de Morais, Natal recebe outra avenida com nome de presidente, a Nilo Peçanha. Vocês sabiam que ele foi o primeiro presidente da República do Brasil que era negro, porém as fotos tentaram eventualmente embranquecê-lo. Algo bem parecido que aconteceu com o escritor Machado de Assis. Por isso, vamos contar a história de Peçanha a seguir.

Nilo Peçanha nasceu em 2 de outubro de 1867 em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, filho de Sebastião de Sousa Peçanha, padeiro, e de Joaquina Anália de Sá Freire, descendente de uma família de agricultores. Portanto, ele era diferente de outros políticos da época, ele veio de uma família simples.

A sua entrada na política se deu a partir do casamento com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa, conhecida como “Anita”, descendente de famílias aristocráticas e ricas de Campos dos Goytacazes, neta do Visconde de Santa Rita e bisneta do Barão de Muriaé e do primeiro Barão de Santa Rita.

O casamento foi um escândalo social, uma vez que a noiva teve que fugir de casa para se casar com um pobre e “mulato”, embora político promissor. Botei entre aspas este termo, uma vez que era uma referência às pessoas negras com um tom mais voltado ao marrom.  Inicialmente o termo era também aplicado para designar mestiços. Alguns consideram este termo preconceito, pois Grupos ligados ao Movimento Negro sustentam que a palavra é ofensiva e racista e que deveria ser abolida, porquanto deriva do animal “mula”.

Nilo Peçanha
Nilo Peçanha

Como Nilo Peçanha chegou a presidência

Participou das campanhas abolicionista e republicana. Iniciou a carreira política ao ser eleito para a Assembleia Constituinte em 1890. Em 1903 foi eleito sucessivamente senador e presidente do estado do Rio de Janeiro, hoje seria o equivalente ao cargo de Governador, permanecendo no cargo até 1906 quando foi eleito vice-presidente de Afonso Pena. Mesmo ele sendo o “governador”, os jornais da época o satirizavam por conta de sua cor.

Com a morte de Afonso Pena em 1909, assumiu o cargo de presidente. Seu governo foi marcado pela agitação política em razão de suas divergências com Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador. Durante seu governo, Nilo Peçanha criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI, antecessor da Funai). Durante seu breve período na presidência da República, Nilo Peçanha tomou a iniciativa de criar as Escolas de Aprendizes e Artífices, precursoras dos atuais Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefets); por esta razão o ex-presidente é o patrono da educação profissional e tecnológica no Brasil.

Foi o sétimo Presidente da República. Ao fim do seu mandato presidencial, retornou ao Senado em 1912 e, dois anos depois, novamente elegeu-se presidente do Estado do Rio de Janeiro. Renunciou a este cargo em 1917 para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Em 1918 novamente elegeu-se senador federal.

Embranquecimento nas suas fotos

Alguns pesquisadores afirmam que suas fotografias presidenciais eram retocadas para branquear sua pele escura. Outros presidentes negros, posteriormente, assumiram o poder, mas negando a sua etnia, como Campos Sales, Rodrigues Alves e Washington Luís. O jornalista Eduardo Bueno comenta um pouco mais desta história.

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