Artistas visuais do RN se posicionam contra projeto na Rampa

Após a matéria que mostra relação da Casa da Ribeira com a Rampa, além da confusão com o seu contrato, grupo de artistas visuais do estado divulgaram que são contra a ocupação artística no antigo terminal aéreo da Segunda Guerra Mundial.

“Inicialmente, com as apresentações do projeto “Complexo Cultural Rampa – Arte Museu Paisagem”, surgiram várias questões que ficaram pairando, muitas das quais ainda estão em aberto. Uma delas é sobre o caráter do projeto, ora é colocado que o projeto é uma encomenda da Secretaria de Turismo (Setur), ora é apresentado como um projeto da Casa da Ribeira. Desta forma, não haveria necessidade de construção do poder público junto à sociedade civil sobre seus desdobramentos.”, afirmou

Além disso, a Casa da Ribeira estaria contratando consultorias para pensar a operação de um museu, que se dará no prédio da Rampa. Foi colocado que ainda não há definição sobre a personalidade jurídica do equipamento que ocupará o referido prédio.

“O que ocorreria se uma ou várias organizações propusessem uma forma de ocupação permanente ou definição do funcionamento de espaços públicos como o Teatro Alberto Maranhão e a Biblioteca Câmara Cascudo? Ou se surgissem outros projetos de ocupação para o referido complexo, concorrentes dos apresentados pela Casa da Ribeira?”, questionou os artistas.

Quais são as reivindicações contra a Rampa

Além disso, os artistas solicitaram as seguintes reivindicações:

1 – À Comissão da Lei Câmara Cascudo e à Secretaria de Turismo: Paralisação imediata da captação e execução do Projeto “Complexo Cultural Rampa – Arte Museu Paisagem”, até que se oportunize a participação social, os debates públicos com os moradores locais e os trabalhadores potiguares da cultura.

2 – Aos deputados e às deputadas estaduais: Que o interesse público em torno do Complexo Cultural da Rampa se sobressaia aos interesses privados de proponentes e patrocinadores ou unilaterais da SETUR e que a concepção, implementação e forma de financiamento para existência do Complexo Cultural sejam revistas. Que essas questões sejam postas em discussão junto à sociedade potiguar, a partir de uma Audiência Pública sobre o Museu da Rampa, onde se garanta a participação cidadã e democrática do setor artístico-cultural potiguar, dos pescadores, moradores do entorno do Museu e de acadêmicos das universidades.

Diálogo com a Governadora Fátima Bezerra

3 – À governadora: Que possa receber o setor cultural para um diálogo sobre as questões então postas e se sensibilize a receber sugestões de outros desdobramentos para o Complexo Cultural da Rampa. Que cumpra o plano de governo eleito no tocante à cultura, encaminhando a criação/regulamentação do Sistema Estadual de Cultura, do Conselho Estadual de Políticas Culturais, Fundo Estadual de Cultura, Secretaria Estadual de Cultura e garanta espaços democráticos e participativos como uma Conferência Estadual de Cultura para que todo o setor cultural participe da construção de políticas públicas culturais.

4 – À Fundação José Augusto: Retratação pública acerca do tratamento dispensado a artistas e trabalhadores da cultura, sociedade civil potiguar, quando nos debates pertinentes ao setor.

Para ter o acesso completo do documento dos artistas, acesse aqui.

Sobre a Rampa e a Casa da Ribeira

A Rampa é uma casa em Santos Reis inicialmente utilizada pela Aeronáutica do Brasil para a chegada de hidroaviões, uma vez que a cidade não tinha um aeroporto para a entrega de correspondências e chegada de pessoas. Além disso, na Segunda Guerra Mundial, junto com o Aeroporto Augusto Severo, tornou- se um importante ponto da Base Militar Americana.

Após uma luta que vem desde a equipe da Fundação Rampa, no ano de 2013 começaram a reforma do espaço, quando a gestão ainda era de Rosalba Ciarlini. No entanto, as obras ficaram paradas por muito tempo por falta de verba.

Além disso, a gestão de Robinson Faria inaugurou no final de 2018 sem mesmo acabar a obra. Agora chegamos a julho de 2021, quando o Governo do Estado declarou que a Rampa será inaugurada ainda este ano, prometendo ser um grande museu da capital potiguar.

Contrato polêmico

Após a entrega da obra, o Complexo terá a administração da Secretaria Estadual de Turismo, a Setur. Contudo, a administração da Rampa será estadual, sendo que terceirizada, uma vez que há contrato com a empresa House, de Gustavo Wanderley. Além da terceirização, existe uma Ocupação Artística no Complexo da Rampa com obras de arte moderna.

A ocupação artística do Complexo Cultural da Rampa, será feita a partir do projeto “rAMPa | Arte Museu Paisagem”, que ressaltará, entre outros pontos, a importância histórica de Natal e do RN para o desenvolvimento da aviação no início do século XX utilizando arte moderna, projeção e entre outros aparelhos.

Aí agora vem a parte complicada, a ocupação estará sob a supervisão da House e organizado pela Casa da Ribeira, que utilizou a Lei Câmara Cascudo para isenção fiscal. A Casa da Ribeira se distancia da Rampa por 1,5km.

A estrutura divide entre o Museu da Rampa e do Memorial do Aviador, a diferença dos dois é que um será de caráter temporário e outra em definitivo. Tanto as duas exposições mencionadas acima mais a ocupação de arte estão sob a coordenação do produtor Gustavo Wanderley, dono da House e fundador da Casa da Ribeira, e parceria com o Governo do Estado através da Setur.

Para ler a reportagem por completo, clique, portanto, aqui.

Já viu este prédio da OAB em Natal?

Atualmente no bairro de Candelária, próximo do Ministério Público. Por muitos anos a sede potiguar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ficava na antiga avenida Junqueira Aires. Entretanto, hoje a via recebe o nome de avenida Câmara Cascudo, uma vez que a casa do folclorista também fica na região. A antiga sede está envolta de vários prédios históricos, como o Solar Bela Vista, a Praça das Mães, a casa de José Mauro de Vasconcelos e entre outros.

Por isso, vamos contar a história do prédio e como ele está hoje em dia.

Quando ele passou para OAB

A primeira sede do antigo Instituto dos Advogados do Rio Grande do Norte funcionou, provisoriamente, em uma das salas Instituto Histórico e Geográfico do RN, próximo do Palácio Potengi, antiga Governadoria. no Teatro Municipal e na Associação Comercial. Até 1978 esteve na Rua da Conceição, onde atualmente é a sede do Poder Legislativo. Depois, passou para antiga Av. Junqueira Ayres.

Antes, o prédio com estilo arquitetônico de art nouveau foi por muito tempo sede da Assembleia Legislativa.

 

O prédio tem projeto de autoria do Arquiteto Herculano Ramos, contratado pelo Governador Augusto Tavares de Lyra, no qual construiu para ser a sede das reuniões dos deputados estaduais. Depois, o Tribunal de Justiça utilizou o prédio como sede, antes de se mudara a Praça Sete de Setembro.

Mudança aconteceu a partir de uma permuta

Nesse período administrativo, em assembleia geral extraordinária, realizada no dia 16 de abril de 1974, o Presidente Eider Furtado esclareceu que a convocação dizia respeito ao pedido de autorização da Corporação dos Advogados para realizar a permuta da atual sede na Rua da Conceição, que seria demolida para ali ser erguida a sede do Poder Legislativo, pelo prédio onde funcionava o Tribunal de Justiça do Estado, na então Av. Junqueira Ayres.

Tombamento

O local é tombado pela Fundação José Augusto (FJA) desde 1992. Como resultado, não pode sofrer alterações na sua estrutura original.

Entretanto, no ano de 2016, a sede da OAB passou para o bairro de Candelária, zona Sul de Natal. O objetivo inicial era a criação do Museu da OAB/RN e do Memorial dos Advogados. Até agora nada rolou.

Atualmente, como o prédio da OAB em Natal anda

Em 2019, a OAB, em entrevista para Tribuna do Norte, comentou que tinham planos com o antigo prédio, uma vez que reconheciam o valor histórico. Esta decisão, no entanto, cabia na Comissão de Cultura e Artes, no qual tem como membros advogados com interesse na área cultural.

Além disso, o prédio está com problemas nas instalações elétricas e hidráulicas.