29 29America/Bahia junho 29America/Bahia 2021 – Brechando

De escriba para diretor, Patrício Júnior lança curta sobre Mestre Nilo

Patrício Júnior Mestre Nilo

Patrício Júnior e umas das figuras importantes do selo Jovens Escribas. Agora, saindo um poucos das letras para dirigir audiovisual. Nesta quarta-feira (30), para fechar julho, acontece o lançamento de seu trabalho inédito, “Minha Nação – Um filme sobre Mestre Nilo”, dirigido e roteirizado pelos estreantes Patrício Júnior e Raquel Medeiros, com realização da Mangaba Coletiva.

De acordo com Patrício, que reside atualmente em Recife, tudo começou quando começou a estudar produção de roteiro para o cinema e ao juntar com Raquel Medeiros resolveram dar o primeiro passo nesta aventura: se aventurando no edital Aldir Blanc.

A lei Aldir Blanc é uma lei que repassou recursos para trabalhos culturais durante a pandemia, no qual é repassado pelos estados e municípios. Além disso, esse dinheiro repassou para os agentes culturais através de editais e municipais. No caso de Patrício, através do Governo de Pernambuco.

“A gente já sabia que ia documentar algum mestre de cultura do estado (Pernambuco), mediante a sua proposta artística e a Secretaria de Cultura selecionava quem a gente falaria de acordo com o perfil de cada proposta do produtor audiovisual”, comentou Patrício em entrevista ao Brechando.

Patrício e sua equipe optaram em participar, no entanto, da parte do edital do Prêmio de Salvaguarda e Registro Audiovisual de Saberes Tradicionais e da Cultura Popular é apenas um dos editais que o Governo de Pernambuco realizou para distribuição dos recursos da lei Aldir Blanc.

Neste edital, a Secretaria de Cultura selecionou Mestre Nilo, um dos mais jovens nesta área cultural. Mas, isto, de nenhuma maneira, acabou a empolgação dos entusiastas da produção do audiovisual. “Por mais que ele seja um dos mais novos, ele tem uma grande bagagem. Participou várias vezes na Rede Globo, forte participação nas redes sociais e mostrou o Maracatu para Europa”, afirmou.

Um pouco da história do Mestre Nilo

Mestre Nilo Oliveira é fundador, zelador e mestre do maracatu Nação Maracambuco, fundado em 1993 no bairro de Peixinhos, na periferia de Olinda. Apesar de ser um dos mais jovens mestres de Pernambuco, Nilo tem bastante experiência com o carnaval e ainda mais ajudou mais de três mil jovens da marginalidade. 

Nasceu em Jaboatão dos Guararapes, no bairro de Porta Larga, Nilo conta que se mudou para Olinda devido a uma enchente. Morou numa casa de plástico, batalhou, e hoje se esforça para que outros jovens não passem pelas mesmas experiências. “Eu passei fome, eu sei como é”, conta ele durante o filme, que mostra ser uma pessoa brincalhona e risonha apesar das dificuldades. 

O nome Maracambuco não é a toa, uma vez que é um maracatu de  baque virado, com tradição nagô, consagrado como um importante projeto social no Estado. 

Primeiramente, o curta contará como Mestre Nilo lidou com o primeiro ano sem carnaval

O filme, com duração de 5 minutos, foi contemplado no Edital do Prêmio de Salvaguarda e Registro Audiovisual de Saberes Tradicionais e da Cultura Popular, através da Lei Aldir Blanc, e gravou no Carnaval 2021, conhecido como “o Carnaval que nunca aconteceu”.

“Nós tínhamos uma imensa curiosidade em saber como alguém que vive em função do Carnaval, que trabalha o ano todo pelo Carnaval, estava lidando com as pressões de ver a festa cancelada pela primeira vez em décadas”, afirmou Patrício. 

“Marcamos a entrevista principal propositadamente para a semana do Carnaval”, afirma Raquel Medeiros, que também é diretora da produção.

Os diretores, portanto, conseguiram captar o Mestre Nilo com sentimento misto de melancolia, medo e, por fim, de resistência.

Ainda vai ter continuação

Embora vai mostrar apenas a parte do ano que não teve carnaval, a intenção de Patrício Júnior é fazer uma biografia cinematográfica completa. Além disso, Mestre Nilo repassou os principais pontos da sua carreira.

“Mestre Nilo nos surpreendeu com sua capacidade de encarar sua trajetória como algo que tinha de ser”, conta Patrício, “Em dado momento da entrevista, quando nos contou sobre sua relação com Iemanjá e as religiões de matriz africana, ficou nítido que sua fé é o que lhe traz força para defender sua nação”, disse Patrício Júnior.

Mas a principal pergunta é: como alguém que vive em função do Carnaval lidou com o cancelamento da festa. “O vírus quebrou nossa presença”, desabafou o Mestre Nilo. E assim, de uma frase poética a outra, ele vai revelando durante o filme que nem a pandemia conseguiu brecar seu destino. A frase que abre o trailer do filme dá uma amostra: “Como é que vai explicar o amor?”, ele pergunta.

Onde assistir

Para assistir, o curta será liberado no canal do Youtube a partir das 19 horas nesta quarta (30). Primeiramente, você precisa clicar deste link. Com o objetivo de dar gostinho de saber como será o curta, confira o trailer, portanto, a seguir:

Este sítio virou uma famosa escola em Natal

sítio escola natal

A foto acima achei numa publicação do grupo Fatos e Fotos Antigas de Natal, no qual o usuário mostrou esta foto bucólica da capital potiguar. Mas, onde ficava isso?

Este lugar primeiramente é o Sítio Solidão, propriedade de Pedro Velho, onde foi construída a Escola Doméstica de Natal, na Avenida Hermes da Fonseca. Como uma simples propriedade rural virou uma escola? Por isso, a postagem está aqui, para explicar.

Lembra que a gente falou sobre os primeiros uniformes das alunas? Caso não lembre, clique aqui. Agora vamos falar o que aconteceu para que esse sítio se transformasse numa escola em Natal.

O colégio inicialmente ficava no casarão da Praça Augusto Severo, onde hoje é o Posto de Saúde Carlos Passos. No entanto, com o crescimento da procura e fama de educar mulheres, a instituição de ensino precisou de um espaço bem maior.

Então, o Governo do Estado cedeu este terreno para a escola em Natal

Vale lembrar que o primeiro governador do estado foi Pedro Velho e muitas de suas propriedades se transformaram em prédios públicos. Na época, era muito comum, principalmente no início do século XX, usar os sítios como casas de verão. Isso só mudou com o Plano Palumbo.

Uma desses prédios públicos que perceberam esta mudança foi o sítio, que também foi espaço para receber os bondinhos do Centro e Ribeira para Tirol e Petropólis.

Na década de 50, a Doméstica transferiu para Avenida Hermes da Fonseca quando o Governo do Estado cedeu um terreno para a construção de uma unidade própria.

A professora Noilde Ramalho, uma ex-aluna que estava começando a sua carreira como diretora, percebeu que seria necessário deixar o prédio da Ribeira. Qual foi o motivo? Além da infraestrutura não comportar mais a escola, as pessoas não estavam mais morando na Ribeira e ainda mais tinha o fator das chuvas, uma vez que as famosas enchentes na Ribeira estavam dificultando o desempenho das alunas.

Em março de 1952, portanto, houve a transferência para o novo endereço, na avenida Hermes da Fonseca.

A escola foi extinta em 2019. Agora, o colégio Henrique Castriciano, a parte mista do colégio que surgiu na década de 80, e a Doméstica se tornaram um espaço só. Agora, o colégio se chama Noilde Ramalho, em homenagem a ex-diretora.

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