Nightbirds

Nightbirds exalta artistas negros em live neste domingo (31)

O Nightbirds Records é um selo que procura artistas indepedentes de todos os lugares do RN. Além disso, ele quer enfatizar os artistas negros, visto que o acesso ainda é diminuto. Como resultado, o selo promoverá com recursos da Lei Aldir Blanc, o “Nightbird Sessions 2021 – Especial Música Preta Potiguar”.

O evento online acontece primeiramente no próximo domingo (31), reunindo quatro artistas pretos para trazerem reflexões acerca das estruturas presentes no cenário artístico local – além, é claro, de muita música. O line-up contará com apresentações de Jo Piter, Quilomba Zu, Sâmela Ramos e Sueldo Soaress e poderá ser assistido gratuitamente via YouTube e Instagram.

Evento procurou misturar artistas novatos e experientes

Nomes experientes e calouros da cena norte-rio-grandense fazem parte da programação da sessão, uma vez que será realizada de forma adaptada devido à atual pandemia de COVID-19, uma ve que seguia os protocolos necessários de higiene e prevenção.

Além disso, o Nightbird Sessions promoverá não somente a inclusão e exposição desses artistas, mas também uma amostra do ecletismo característico da produção musical preta potiguar, contribuindo também para a quebra de estereótipos musicais e para a formação de público consumidor da música norte-rio-grandense.

Cartaz do Nightbirds Records

Além disso, o projeto reúne produtores culturais, técnicos, musicais e audiovisuais pretos, evidenciando ainda a necessidade urgente de igualar posições dentro do mercado cultural do estado, resultando em uma ação efetiva em prol da representatividade destas pessoas em todos os setores e etapas de produção artística.

Trabalhos também vão para plataformas de streaming

Todo o conteúdo será disponibilizado nos canais do selo, no YouTube e IGTV (Instagram), além da distribuição dos áudios das sessões para streaming nas plataformas digitais, no mês de fevereiro.

O Nightbird Sessions deu certo com os recursos da Lei Aldir Blanc no Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Conheça os artistas participantes, portanto, a seguir:

Jo Piter

Com uma mistura de estilos e junções de ritmos populares, Jo Piter agrega em suas composições desde a MPB ao blues e usa a arte como meio de expressão e resistência, de um modo original e forte. Natural de Recife-PE, embora reside em Natal-RN desde 2013 e há cerca de dois anos se apresenta no cenário independente potiguar. O músico de 22 anos busca transmitir seus sentimentos nas letras, compartilhando as dores, emoções e vivências de modo efervescente e empático.

Quilomba Zu

Quilomba Zu é Drag Queer, artista visual, performer, atriz, compositora e cantora. Desenvolve seus estudos principalmente na ressignificação do corpo preto-bixa como potência. Além disso, procura ser agente transformador na sociedade, como também resgate de sua ancestralidade. Tem como referências musicais Ventura Profana, Linn da Quebrada, As Bahias, Sevdaliza, Sza, Rihanna e outros nomes importantes na música preta e LGBTQIA+. Em 2020 se lançou como cantora com o single “Me tora” e, em seguida, divulgou seu primeiro EP, ”AMADOR”. Atualmente trabalha em sua primeira mixtape denominada “FATO POPULAR” com previsão para 2021.

Sâmela Ramos

Sâmela Ramos é cantora de Jazz, Soul e R&B, radicada na cidade de Natal desde 2011, nascida na cidade de Guarulhos (SP), e foi lá onde conheceu a musicalidade preta mais perto, cantando em corais de música negra cristã, com influência dos corais norte americanos. Como resultado, hoje sua música carrega essa influência do Soul, R&B e Spiritual que transborda, portanto, para o Jazz onde se encontra atualmente.

Sueldo Soaress

Artista presente na noite natalense desde os anos 80, consagrou-se por palcos, festivais e prêmios, como compositor e intérprete. Após passar pelo teatro em temporadas de sucesso, em 1986, participou do Projeto Pixinguinha, show que trazia Joyce, Clara Sandroni e Lazo Matumba como atrações. No ano seguinte, estava participando do “Pixingão”, com a Orquestra de Música Popular Brasileira, na sala Sidney Miller (Rio de Janeiro).

Daí por diante, teve participação especial em shows de alguns mega-stars da MPB, como Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor, Angela Rôrô, Geraldo Azevedo, Toninho Horta , Kleiton e Kleidir e Xangai, além de fazer parte do Pixinguinha Nacional, junto com o grupo João Penca e seus Miquinhos Amestrados, pelo Norte e Nordeste.

Nos anos 90, passou pela Europa, África e Estados Unidos, visto que leva as suas canções autorais ou acompanhando turnês de outros artistas, como Jorge Ben Jor. Ainda mais destacou-se também como atração da segunda edição do festival MADA, em Natal, e segue atualmente como um dos nomes de referência do cenário potiguar.

Serviço

Apoio: Studio Blackhole.

Identidade visual: Gabriel Carvalho.

Produtora audiovisual: Bju Produções.

PROGRAMAÇÃO:

Nightbird Sessions 2021 – Especial Música Preta Potiguar

Data: 31/01 (domingo) – 12h (horário de Brasília)

Transmissão: YouTube e IGTV

https://www.youtube.com/c/NightbirdRecords/

https://www.instagram.com/nightbirdrecords/

Thiago Medeiros

Thiago Medeiros lança novo livro

Durante a quarentena do Covid-19, o poeta Thiago Medeiros viu o seu cotidiano mudar, uma vez que o Insurgências Poéticas, sarau semanal que ajuda organizar, teve que ser virtual. Além disso, ele resolveu usar este momento para refletir e isto resultou em seu mais novo livro, com lançamento neste domingo (31).

O nome da nova obra é “Quanto mar cabe no sal da lágrima”, passeia por temas como saudade, desespero e esperança. O lançamento acontecerá, portanto, em live especial no perfil do Instagram do autor, com a participação da cantora e compositora norte-americana Haley Peltz.

Capa do livro

Livro de Thiago Medeiros recebeu recursos da Lei Aldir Blanc

Esta é a primeira publicação por incentivo público, sendo a décima obra do selo independente insurgências poéticas. Além disso, o trabalho fomenta a parceria do poeta com equipe que já o acompanha nos títulos anteriores, Rita Machado direção de arte, Creeaty arte da capa e Luiz Renato Almeida orelha, além de textos da poeta baiana Daniela Galdino e Jean Sartief.

O livro segue em pré-venda até domingo e pode ser adquirido através do site insurgenciaspoeticas.com.br ou através das redes sociais do autor @preuparardemedoer. 

Essa obra está inclusa na lei emergencial Aldir Blanc, através da Prefeitura Municipal do Natal, Funcarte e Governo Federal.

bicudo

Em 1983, ninguém acreditava na praga do Bicudo no RN

O algodão era conhecido como o ouro branco do Rio Grande do Norte. Entretanto, nós não produzimos mais por conta de uma praga de um besouro chamado Bicudo. Além disso, isto prejudicou bastante o desenvolvimento no interior do estado.

Vamos explicar sobre este inseto nesta postagem.

Como surgiu a cultura do algodão no RN ?

O algodão era o ouro branco e a produção durante os anos de produção ajudou a criar rodovias, prosperar pequenas comunidade e municípios. Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algodão nativo. Os jesuítas do padre Anchieta introduziram e desenvolveram a cultura do algodão

Somente o algodão “mocó”, de fibra longa, poderia ocupar esse lugar de excelência no mercado exportador internacional, posto que se destinava à confecção de tecidos finos. Sim, eram dois tipos de algodões que eram plantados no RN: o arbóreo (“mocó” ou “Seridó”) e o herbáceo.

O algodão “mocó” foi a variedade que melhor se adaptou aos sertões: por suas raízes profundas, era mais resistente às secas; por seu vigor, era uma variedade mais infensa às pragas e ,por outro lado, produzia até por 8 anos. Em suma, era muito mais vantajoso que o herbáceo, que tinha um ciclo vegetativo muito curto – geralmente um ano e, além disso, mais suscetível a pragas.

No Rio Grande do Norte, identificam-se três fases distintas para a evolução da cotonicultura. A primeira fase seria aquela iniciada pelo coloniza-dor branco, do cultivo e processamento do algodão nativo já feito pelo indígena e que inclui o primeiro surto de exploração em fins do século XVIII, motivado pela Revolução Industrial Inglesa.

Mais detalhes, você pode ler esta curiosidade do Brechando.

A praga do Bicudo

O bicudo é um inseto da família Curculionidae, mais precisamente um besouro. Esta praga é específica do algodoeiro, uma vez que a planta que proporciona condições para que este inseto complete todo o seu ciclo de vida.

Sua história como praga-chave da cotonicultura mundial começou com sua ocorrência no Texas, EUA, em 1892. Em 1949 foi encontrado na Venezuela e, em 1950, na Colômbia.

Quando começou a praga no RN

No Brasil, foi registrado pela primeira vez em fevereiro de 1983, nas regiões produtoras de algodoeiro em Sorocaba e Campinas, no estado de São Paulo.  Em julho do mesmo ano, já atingia a região Nordeste, mais precisamente o município de Ingá, no Estado da Paraíba.

Os jornais potiguares, por sua vez, relataram a praga do bicudo em abril de 1983, quando outros estados já estavam apresentando a praga. 

No entanto, a praga começou na cidade de Parelhas em julho do mesmo ano, no qual especialistas da Emater capturaram um besouro.  Sem contar que acharam resquícios do inseto em cidades que faziam fronteira com a Paraíba, que na época perdeu quase toda a lavoura. 

Em abril, o deputado estadual Kleber Bezerra  alertou as autoridades da presença do animal nas cidades da Paraíba que fazem fronteira com o RN.

E Cortez Pereira, ex-governador, utilizou a coluna do jornalista Cassiano Arruda Câmara para alertar o perigo.  Mas, o Governo do Estado, na época administrado por Agripino Maia, disse que era “impossível” acontecer.

Em julho, o ex-deputado estadual Leonardo Arruda havia afirmado em plenário que a praga já chegara no Rio Grande do Norte, principalmente em sua cidade-natal, Nova Cruz. De início, eles negaram a presença da praga. Porém, as notícias de encontro de larvas ou insetos parecidos com o Bicudo eram comuns nos jornais. 

A praga foi oficial em 1984

 

 

Somente em julho de 1984, um ano depois, o Governo do Estado confirmou a presença do Bicudo. Onde? Em Nova Cruz. Como resultado, tomou finalmente, as primeiras ações fazendo parceria com o Ministério da Agricultura.  

Neste período, portanto, técnicos começaram a aprender a erradicar o Bicudo. Lê-se tentaram.


Foi nesta mesma época que ações do Governo do Estado com o Federal tentaram criar medidas para combater a praga, além dos problemas da seca que atingiam o RN na época. Mas, a praga estava avançando em outros municípios. 

Em 1985, uma das formas de tentar acabar com a praga foi a instalação de um decreto do Governo Federal para proibir as novas plantações, gerando uma nova polêmica. 

Durante toda a década era comum as diversas notícias e tentativas de acabar com a praga do bicudo. No entanto, houve mais prejuízos do que benefícios. A medida que os planos mudavam, a safra de algodão cada vez reduzia.  Assim, foi o fim do ouro branco. 

O Diário de Natal e Poti da década de 80 relataram este período e foi a nossa fonte de informação para esta matéria. 

Atingiu outras regiões do Nordeste

De acordo com o jornal cearense, O Diário do Nordeste, a região nordestina sofreu com a praga do bicudo.

Além do RN e Ceará, a Paraíba e sobretudo Pernambuco também perderam o desempenho de décadas passadas. A exceção é a Bahia, uma vez que concentra sua produção no oeste do estado. Apesar de oscilante nos números, mantém liderança isolada na região. Como resultado, os baianos obtiveram 247 mil hectares de área cultivada de produção de 317 mil toneladas de plumas.

O único lugar que se beneficiou com o fim do algodão no Nordeste, no entanto, foi a região Centro-Oeste, principalmente nos anos 90, quando agricultores migraram ao Cerrado brasileiro.

Praga ainda existe

A capacidade de reprodução do bicudo a partir de um casal que entra na lavoura nova chega a ser fantástica. Teoricamente, um casal no início do ciclo pode dar origem a 12 milhões de descendentes no final da safra.

E, detalhe, a praga ainda existe até hoje.

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