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[VÍDEO] Discos para ouvir nesta quarentena

Uma música ajuda a melhorar o rendimento de qualquer pessoa para aguentar esses dias turbulentos. A quarentena está deixando todo mundo louco, não é mesmo? Entretanto, ainda é possível ter um pouco de alegria nesse tempo de confinamento. Por isso, eu resolvi apresentar alguns discos que escuto para não pirar. Apresento a vocês, os álbuns bons, nacionais e internacionais, para escutar.

Além disso, pode ouvir os discos em qualquer plataforma digital. Já escutou algum deles? Quer escutar? Tem outra sugestão após ver o vídeo?

Nós gostaríamos muito de saber o que vocês escutam para esquecer um pouco desse período de isolamento social.

Prepare para ouvir os meus argumentos (será que são bons?), ouvir uns trechinhos, e vá escutar depois de assistir esse vídeo. Apesar de não ter acesso ao material físico, eles podem ser facilmente baixados (pesquise no Google, que vai dar certo) para colocar no seu pendrive e escutar no aparelho de som.

Foquei em mais colocar atrações nacionais do que internacionais, mas você pode ouvir o que quiser. E, talvez, haverá uma parte dois.

Veja o vídeo completo para assistir e compartilhe com os amigos, marca aquele like e ajude a espalhar a palavra do Brechando por aí:

Jussara Queiroz

Jussara Queiroz: uma diretora de cinema potiguar

Pouca gente sabe, mas o Rio Grande do Norte tem muitos diretores de cinema e uma das pioneiras do audiovisual potiguar é uma mulher. Se Septo e outras produções potiguares feitas pela mulherada existe, porque existiu alguém que começou a trabalhar na área quando tudo era literalmente mato. Ela se chama Jussara Queiroz, conhecida pelo longa “A Árvore da Marcação”e vamos contar a sua história a seguir.

Jussara nasceu na cidade de Jucurutu em 04 de janeiro de 1956. Sua paixão pelo cinema veio de família, uma vez que seu pai era dono do cinema da cidade e exibia diversos filmes, como “Tarzan”. Mas, ela era fã assumida do diretor Glauber Rocha, autor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Após o Ensino Médio, ela se mudou para o Rio de Janeiro com a finalidade de cursar cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF) e trabalhou na TV Educativa e Embrafilme.

Entre a década de 70 e 80, Jussara produziu curtas, que sempre tratavam sobre problemas urbanos e buscava fazer os mais variados experimentos, mas seu primeiro longa só foi feito em meados da década de 80, onde encontrou bastante dificuldade. Com o fechamento da Embrafilmes, durante o período da Ditadura Militar, no final da década de 70, lhe prejudicou bastante, uma vez que estava na produção do seu filme, “A Árvore da Marcação”.

A gravação começou em 1987 e só terminou em 1993, após uma parceria com a emissora ZDF da Alemanha. A história narra a trajetória de Jocélia, jovem estudante de Direito, que reencontra em seu trabalho o Inspetor, personagem violento e autoritário, que lhe recorda sua infância em Marcação, pequeno vilarejo da zona canavieira da Paraíba. Ali, a maioria das crianças trabalha, desde os cinco anos de idade, nos canaviais e no mangue, e tem seus direitos desrespeitados pelos poderosos do local. Dentro do vilarejo, Jocélia e amigos percebem o que está se passando e organizam uma luta contra a absurda situação da comunidade que é obrigada.

O elenco do filme é totalmente nordestino, com predominância de artistas paraibanos. Participam, também, crianças e adolescentes de Marcação que viveram personagens reais na história que agora apresentam.

A produção pode ser conferida a seguir:

Em seus filmes ela traz para discussão um conteúdo político, a referência ideológica à esquerda e a mobilização popular, aliás, diria que estes são aspectos fundamentais contidos em suas obras documentais e, na maioria, experimentais. Ela documentou as lutas das classes sociais, a exploração nos canaviais, a desvalorização do homem do campo, dos sem tetos e das crianças sem direito à Educação.

Interrompeu a sua carreira na década de 90 por problemas de saúde e sua história foi contada através do documentário “O voo silencioso do Jucurutu”. Em 2012, a Prefeitura do Natal lhe forneceu a medalha de Honra ao Mérito Nísia Floresta.