Covid-19: Confira as mudanças no comércio no RN

A partir deste sábado (21), o Governo do Estado vai anunciar mudanças para os estabelecimentos comerciais de Natal e do Rio Grande do Norte com o objetivo de controlar a proliferação do Covid-19 (Coronavírus) e essas mudanças poderão ser feitas. As alterações acopnteceram após a aprovação do estado de calamidade pública pela Assembleia Legislativa, o Governo adotará uma série de medidas emergenciais para evitar aglomerações e o contato entre as pessoas no espaço público do Estado.

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As mudanças do decreto são:

1) Bares, Restaurantes, praças de alimentação (inclusive food truck) – fechar totalmente o atendimento ao público por 5 dias, até a próxima terça-feira , menos  os serviços de delivery e de retirada pelo cliente, no estabelecimento.

As medidas abaixo terão validade até 02 de abril, data em que faremos a reavaliação do funcionamento das escolas. De forma a unificar as possíveis prorrogações de prazos, caso sejam necessárias

2) Transporte coletivo intermunicipal – Vedar totalmente o funcionamento de linhas de ônibus, durante os finais de semana e reduzir em 50% o número de linhas durante os dias de semana (exceto a região metropolitana de Natal, que funcionarão com a mesma frota do período de férias) e o número de passageiros limitado ao número de cadeiras. Os ônibus deverão transitar com ventilação natural, ficando vedada a utilização do ar-condicionado.

3) Proibir acesso ao público nos shoppings centers com sistema de ar condicionado central.

Midway estará fechado.

4) Determinar o fechamento de Academias (mesmo tratamento das escolas), casa de recepções, teatros, cinemas, lojas maçônicas, igrejas e templos religiosos e ambientes correlatos

5)  Atendimento ao público nas agências bancárias estarão proibidos.

6) O Governo do Estado recomenda que transportes por táxis e aplicativos deverão transitar com ventilação natural

7) As Centrais do Cidadão para atendimento ao público serão fechadas

8) Proibir transporte coletivo interestadual, inclusive o turismo terrestre interestadual ou intermunicipal

9)  Os supermercados deverão afixar cartazes de controle de acesso com recomendações de acesso de 01 pessoa por família, de preferência fora do grupo de risco, e limitar o número de clientes a 01 pessoa por vez, por cada 5m² da loja.

Covid-19

Jornalista potiguar conta como foi fazer teste do Covid-19 em Portugal

O Coronavírus ou Covid-19 está assustando as pessoas do mundo todo pela sua rápida infecção. No Brasil os casos estão multiplicando e mortes já foram confirmadas. No entanto, outros países também estão passando pelo mesmo problema, um exemplo é Portugal, nosso antigo colonizador. Recentemente, o jornalista potiguar Anderson Legal chegou apresentar sintomas similares à doença viral e teve que fazer o teste do Covid-19 em terras portuguesas.  Atualmente, ele vive em Faro onde trabalha no Aeroporto e ainda tem um programa de Música brasileira numa rádio portuguesa, chamada Tropicalize.  Legal mandou um depoimento para o Brechando contando como foi essa experiência assustadora e ao mesmo tempo peculiar.

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Confira o depoimento do jornalista a seguir:

Há cerca de cinco dias eu venho sentindo sintomas estranhos. Tosse seca, coriza, olhos ardendo, espirros esporádicos, dores musculares e uma dor de cabeça fortíssima. Tomei dipirona algumas vezes e continuei na minha rotina de trabalho no Aeroporto Internacional de Faro, Algarve, sul de Portugal, expressivo destino turístico europeu. Mesmo com a recomendação de quarentena pelos órgãos mundiais de saúde, até o presente momento aqui em Portugal, os aeroportos cancelam vôos pontuais, mas em sua essência funcionam “normalmente”.

A cidade está parada, as pessoas estão em suas casas, os serviços estão suspensos… E eu me sentindo na contramão do mundo. Diariamente, estou aui, me deslocando de transporte público, às vezes inserido em aglomerados, para jornadas de atendimento direto ao público, lido com dezenas de pessoas por dia oriundas de diversos países afetados pelo Covid-19. As dores e os desconfortos não cessavam, só aumentavam. Passei noites sem conseguir dormir, tossindo muito ou com fortes dores na cabeça. Dores estranhas como nunca senti. Causei preocupação a minha mãe e aos amigos mais próximos.

Hoje cedo acordei com um desconforto ainda maior. Evitei ao máximo ir ao hospital, mas hoje não consegui segurar o desconforto. Pensava: “Será que estou contaminado com o Covid-19 ou isso é só uma forte gripe, ou qualquer outra coisa?!”. Hora de ir ao Hospital e saber mais detalhes.

Bem… Chegando lá, sem saber se seria atendido, pois havia muitos pacientes e o meu Título de Residência português ainda não saiu. Porém, fui recepcionado por profissionais atenciosos e uma equipe comprometida em combater esse inimigo invisível que está alterando nossas vidas de maneira significativa. Passei por uma rápida triagem, logo uma russa de alma sensível, Dra. Anna Bashkirova, disse com fluência em português em alto e bom som: “Isola ele! Eu vou fazer a coleta…”.

Fui encaminhado para um container e lá permaneci por cerca de uma hora sendo monitorado por câmeras. A foto do local pode ser vista a seguir:

“A doutora está a vir, campeão”, me comunicou um membro da equipe.

A essa altura eu já havia chorado, estava com os olhos marejados.

A Dra Anna entra com uma armadura de quem invade um ‘recinto radioativo’, devidamente uniformizada para guerra. Só conseguia ouvir sua doce voz e aqueles olhos azuis.  Colheu amostras da minha saliva, da minha secreção nasal, frequência cardíaca, temperatura corporal, etc. Todos procedimentos realizados minuciosamente, com precisão cirúrgica! Ao término, fui orientado a sair do container. Minutos depos, a médica me traz uma boa notícia e diz: “Você está bem, Anderson! O reagente deu negativo. Você deve estar com sinusite. De qualquer forma será realizado a análise laboratorial, ligo pra você em 4 dias”.

Me receitou e me aconselhou ir pra casa, dessa vez para cumprir a risca a quarentena! Chegando em casa ainda com a cabeça doendo mas com uma enorme sensação de alívio, tomei os remédios e resolvi pesquisar sobre a Dra Russa na internet. A encontro no Facebook, envio um convite de amizade, cinco minutos depois ela me aceita; em sua imagem de capa tem a seguinte frase: “O paciente não é só o paciente. Ele é o amor de alguém”. Essa foi minha primeira experiência com a saúde pública aqui em Portugal em quase dois anos vivendo aqui. Tive um dia bem tenso e intenso.

Assim sigo minha quarentena… Protejam-se e zelem pelos mais vulneráveis.

Médicos fazendo a triagem (Foto: Anderson Legal)

O jornalista comentou ao Brechando que o aeroporto ainda está funcionando e milhares de pessoas estão no saguão do terminal aéreo esperando voltar para as suas casas. A foto de como está o aeroporto pode ser vista a seguir:

O Aeroporto Internacional de Faro é o terceiro maior aeroporto em termos de tráfego em Portugal logo a seguir ao Aeroporto Humberto Delgado (situado em Lisboa) e ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro (situado no Porto) . A maior parte do tráfego é doméstico e europeu.

Coronavírus em Portugal

De acordo com a RTP, canal público do país,  Portugal está em estado de emergência com a Covid-19 e tem confirmados, até ao momento, 1020 casos de infeção e seis mortes no país. O surto já atingiu, a nível global, mais de 245 mil pessoas, das quais cerca de 88 mil recuperaram. Outras dez mil morreram. Neste momento, o Governo de Portugal declarou 14 dias de quarentena obrigatória.  O novo Coronavírus já provocou mais de mil mortos na Espanha, país vizinho, e há o registo de mais de 20 mil pessoas infetadas. As autoridades de Saúde garantem que ainda não foi atingido o pico de contágio nas terras ibéricas e portuguesas.

Gripe Espanhola em Natal

Coronavírus não foi a primeira epidemia que Natal enfrentou

A Gripe Espanhola de 1918 foi considerada uma das pandemias mais mortais da história da humanidade. Durante dois anos, o vírus influenza A do tipo H1N1 (a de 2009 era uma mutação desse vírus) matou entre 50 a 100 milhões de pessoas, quase 30% da população mundial. O nome da pandemia surgiu pelo fato da Espanha ter tido a maior quantidade de vítimas, porém atingiu todos os continentes e no Brasil, chegando a matar o presidente da república Rodrigues Alves.  Afinal, como foi a Gripe Espanhola em Natal ? Nada diferente do Coronavírus, sendo que uma época com tecnologias inferiores.

Os primeiros casos no mundo foram registrados, inicialmente, nos Estados Unidos, mais precisamente no Kansas em 4 de Março de 1918, e Nova York em 11 de Março do mesmo ano. Na Europa chegou em Abril de 1918 com tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França durante a Primeira Guerra Mundial. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Portugal e Espanha. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos Estados Unidos se deveram à gripe.

O Salomão Gomes de Medeiros pesquisou a doença para sua monografia de história na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).  De acordo com o pesquisador,  como o porto da cidade circulava navios e pessoas do mundo todo era difícil não ser atingido pela pandemia.

Na época, o Diretor Geral da Saúde Pública, Carlos Seidl, enviou um telegrama com o Inspetor de Saúde do Porto de Natal, Januário Cicco, para recomendar algumas medidas de profilaxia, como assepsia da boca e das fossas nasais e o uso de quinino, um analgésico, como preventivo. Na época, o Diretor Geral de Saúde afirmou que não acreditava na eficácia do isolamento e que não se justifica o temor exagerado. Vocês lembram de quem falando isso? Deixarei na entrelinhas.

No entanto, Dr. Januário Cicco foi uma das primeiras autoridades a se manifestaram acerca do assunto. No jornal “A República”, Cicco escreveu um artigo fazendo uma série de recomendações para dotar a população de conhecimentos mínimos necessários para enfrentar a doença, que tantos problemas já vinha causando em outros locais. Nos textos, ele concordava que aquilo era um exagero e apenas era uma gripe comum.

As últimas semanas do mês de outubro de 1918 começaram a repercutir de forma mais intensa de pessoas infectadas por Gripe Espanhola em Natal. O Colégio Imaculada da Conceição (CIC)  antecipou o encerramento do ano letivo, as escolas públicas municipais foram fechadas, foi ordenada a desinfecção diária dos mercados da Cidade Alta e da Ribeira, os cinemas tiveram suas atividades suspensas, a liga esportiva suspendeu todos os jogos de futebol que ainda estavam por se realizar naquele ano. Naquele período, Natal entrava em quarentena.

Já para a Arquidiocese, o Bispo de Natal, Dom Antônio Cabral emitiu um recado dizendo que a “Manifestação da enfermidade se constituía numa demonstração de desaprovação de Deus, em relação ao comportamento dos homens, que estavam se tornando cada vez mais libertinos”. Apesar disso, a Igreja Católica recomendara para que os fiéis ficassem em casa nesse período.

Jornal “A República” divulgou bastante sobre o surto de Gripe Espanhola (Foto: Rostand Medeiros)

Vemos nos noticiários que o Coronavírus está fazendo com que as pessoas fiquem em casas e empresas fechando temporariamente seus negócios. A Gripe Espanhola não foi diferente, fechou as repartições públicas pelo fato do crescimento de pessoas doentes. O Força e Luz desligava a energia da cidade às 23 horas, devido ao déficit de funcionários. Mas, o que eles fizeram para conter a doença na cidade ? Foi só a quarentena ? O que o Governo do Rio Grande do Norte fez ?

Além da quarentena, foram instalados três postos de saúde na Rocas, Alecrim e na Ribeira, cujo terceiro visava atender a população mais pobre. Lá eram oferecidos pequena quantidade de mantimentos, querosene e medicamentes, além das informações das autoridades para poder se prevenir. No entanto, não existem dados reais de quantas pessoas foram atingidas pela Gripe Espanhola e ainda existia uma contradição dos dados oferecidos pelo Governo e noticiado pelo jornal A República.

A presença da pandemia foi anunciada pela primeira vez em “A República” no dia 19 de outubro de 1918. Nesta data foi feita também uma campanha de vacinação contra a varíola no Posto vacínico do Grupo Frei Miguelinho. O interessante é que se convidava a população para se vacinar contra a varíola (Doença que já virou caso de Pandemia), deixando evidente a ideia de essa vacina também contribuía para o controle da Gripe Espanhola.

O pesquisador Salomão Gomes de Medeiros achou um noticiário de “A República”, publicado no dia 19 de novembro, mostrando que o penúltimo mês do ano foi o mais tenso, uma vez que houve o aumento da procura nos postos. “Anteontem procuraram a assistência 242 pessoas, muitas das quais levaram alimentos e remédios para pessoas das suas família. A turma dos escoteiros visitou 44 casas, socorrendo 68 doentes. […] Dos trezentos e tantos doentes, só anteontem faleceram dois, estando todos os demais consideravelmente bem”, dizia o artigo.

Não tomando conta, os pacientes da Gripe Espanhola em Natal eram levados para o Hospital da Caridade Juvino Barreto (Foto acima do título), onde hoje é o Hospital Onofre Lopes.

O declínio da doença começa a aparecer em “A República” em meado de dezembro de 1918. No dia 15 de dezembro o inspetor geral de higiene do estado, dr. Calistrato Carrilho, reabriu os estabelecimentos de diversão que haviam sido fechado como medida preventiva contra a propagação da epidemia na cidade.

A partir dessa data, as notícias vão ser mais raras e anunciar a diminuição da doença. Uma coisa importante a ressaltar que Natal era uma cidade que tinha em torno de 30 mil e estima-se que 1/3 da cidade foi infectado.

Dentre as mortes conhecidas da Gripe Espanhola em Natal, o historiador Rostand Medeiros informou que  o funcionário da Estrada de Ferro Central, José Calazans Carneiro, que perdeu dois filhos menores de idade. Já o capitão da polícia, Abdon Trigueiro, informava a morte do seu irmão, o sargento da polícia Othoniel Trigueiro. Ou o falecimento de Alfredo Costa, serralheiro da Ferrovia Great Western, que deixou numerosa família e a comerciário da empresa A. dos Reis & Cia., Miguel Medeiros, que morreu nas dependências do hospital Juvino Barreto e foi enterrado no cemitério do Alecrim.

O desembargador Vicente Simões Pereira de Lemos, ou do comerciante Alexandre de Vasconcelos, ou do professor Tertuliano da Costa Pinheiro também está na lista de mortos pela Gripe Espanhola em Natal.

As camadas mais pobres também faleceram bastante pessoas, mas como foi falado anteriormente, os registros são contraditórios, porém ambos os historiadores acreditam que esse número foi grande, uma vez que Natal não era uma cidade que tinha saneamento básico e boas condições de higiene nas partes mais ricas e muito menos nas regiões periféricas.