Sábado será feita uma campanha para incentivar o LGBT a doar sangue, após a decisão do TJRN

Atenção, LGBT! Sábado é dia de doar sangue

O Coletivo Leilane Assunção promove, no próximo sábado, 31 de agosto, em Natal, o Dia D de doação de sangue LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). A ação é uma campanha de doação coletiva de sangue para o Hemocentro Dalton Cunha, no bairro de Tirol, na Zona Leste de Natal, próximo ao Parque das Dunas. A iniciativa ocorrerá das 9h às 11h30.

A campanha visa conscientizar a população LGTB da Grande Natal sobre a importância da doação de sangue e para divulgar a recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), que proibiu o estado potiguar de se negar a aceitar doações de sangue devido à sua orientação sexual do doador.  Para doar sangue, você precisa preencher os seguintes requisitos:

Estar em boas condições de saúde

Ter entre 16 e 69 anos. Pessoas acima de 60 anos só podem doar se já tiverem doado sangue alguma vez antes dessa idade

Pesar no mínimo 50kg

Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas)

Estar alimentado, por isso evite alimentos gordurosos e aguarde até 2 horas para doar

Apresentar documento original com foto, que permita o reconhecimento do candidato, emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

Os desembargadores que integram a 1ª Câmara Cível do TJRN decidiram, à unanimidade de votos, proibir o Estado do Rio Grande do Norte de impedir qualquer pessoa de doar de sangue por causa de sua orientação sexual. O relator da Apelação Cível, desembargador Cornélio Alves, proibiu o Estado do RN de inabilitar o autor da ação para doação de sangue humano, com base exclusivamente na norma da Anvisa ou outra posterior, sob pena de pagamento multa de R$ 5 mil por cada negativa, limitada a R$ 50 mil

Em agosto do ano passado, o plenário do TJ já havia considerado inconstitucional uma resolução da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), usada para justificar as negativas.  A decisão atendeu ao recurso de um cidadão que teve negada sua habilitação para ser doador de sangue por ter informado, durante entrevista, que era homossexual e que havia se relacionado com outra pessoa do mesmo sexo nos 12 meses anteriores. O caso aconteceu em novembro de 2010.

No restante do Brasil, no entanto, LGBTs só podem doar sangue se passarem um ano sem transar com outro homem.

De acordo com a revista Superinteressante, a restrição representa um desfalque considerável nos estoques de sangue. Em 2014, apenas 1,8% da população brasileira doou 3,7 milhões de bolsas. É bastante sangue, mas é pouca gente – ideal da Organização das Nações Unidas (ONU) é que 3 a 5% da população de uma nação seja doadora. Mas só conseguiríamos chegar nesse ideal de 3% se o número de brasileiros que vão regularmente aos hemocentros dobrasse. Ainda é pouco.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 101 milhões de homens vivem no país e, do total, 10,5 milhões é homo ou bissexual. Levando em consideração que cada homem pode doar até quatro vezes em um ano, com a restrição dessa parcela da população, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano.

Para o Ministério da Saúde, os 12 meses de abstinência sexual fazem parte de um conjunto de regras sanitárias para proteger quem vai receber a transfusão de possíveis infecções – até 2004, homens que fazem sexo com homens (HSH) eram proibidos de doar sangue. A Portaria nº 2712, de 12 de novembro de 2013, segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) sobre a restrição de HSH, de que todas as amostras de sangue sejam analisadas e de que os doadores sejam de baixo risco. O Ministério e a Anvisa afirmam que orientação sexual não deve ser usada como critério para seleção de doadores e que as regras não são discriminatórias. Mas a realidade dos hemocentros não é bem assim.

Bacurau continua em Natal: Por que assistir ?

Aclamado em Cannes, vencendo o prêmio de júri popular, Bacurau finalmente tchega na sua segunda semana em Natal e tem estreia oficial nos cinemas brasileiros nesta semana. O Brechando teve a oportunidade de assistir neste fim de semana e podemos dizer que está estupendo. Após perder a pré-estreia que aconteceu na cidade de Parelhas, e ter que se contentar em assistir “Era Uma Vez em Hollywood”, a gente finalmente assitiu, vide a foto acima do título. O filme é um road movie com toques de influência de filme europeu, mas com um roteiro que consegue desbancar o Quentin Tarantino em algum momento, apesar de alguns furos, como ser gravado todo no Rio Grande do Norte e o enredo se passa em Pernambuco. Esse erro é fácil de perceber pois o relevo dos dois estados são completamente diferentes.

Bacurau está disponível apenas no Cinépolis do Natal Shopping e do Norte Shopping e no Cinemark do Midway.

Porém, para quem é potiguar, traz uma identificação logo de cara, quando ver aquela serra no fundo da cidade ou quando fornece uma água mineral famosa da região, além de utilizar carros com identificação de lojas da terra. Mas, essas diferenças citadas não atrapalha o desenrolar da história, visto que o Nordeste é cheio de cidades como Bacurau. Poderíamos ficar perdendo o tempo falando da incrível atuação da Sonia Braga e com a presença de grandes nomes do Nordeste, como Silvero Pereira, que já protagonizou um curta potiguar da Caboré Audiovisual. Mas, vamos falar do filme e porque ele vale a pena.

O enredo conta a história de uma cidade fictícia chamada Bacurau que fica no sertão brasileiro, sem um tempo definido, pois pode acontecer neste ano ou daqui a dez anos. Como toda cidade do interior, ela passa por um período de seca e sofrendo com a falta de distribuição de água.  No entanto, a mesma passa por algumas situações estranhas, principalmente após a morte da matriarca da cidade, Carmelita. Esses acontecimentos vão desde aparecimento de drones até o desaparecimento de populares da região.  Então, o filme todo busca compreender quais são as causas e o porquê destes estranhos eventos.

Falando assim parece que é mais um filme de aventura, mas o mesmo carrega suspense, surpresa e, porque não, uma torcida para certos personagens. Além disso, ele traz uma certa identificação do povo nordestino no telão, porque traz aquela coragem e resistência do povo que passa anos sofrendo com a desigualdade social e com o preconceito feito por pessoas de outras regiões consideradas mais prósperas.

É uma forma de mostrar que o Nordeste é feito por milhares de pessoas fortes e que é tão brasileiro quanto aquele que vive na região Sudeste ou Sul. Como o próprio Kléber Medonça disse em entrevista ao O Globo, “a violência vira ato de sobrevivência”.

No meio de metáforas e parábolas, Bacurau é o retrato mais atual do Brasil, que está cada vez mais conservador e entregue as nossas riquezas para as outras pessoas tomarem. Fazendo com que o brasileiro escolha quais do caminho que precisa seguir: o da resistência, chegando a lutar a partir de meios mais extremos, ou assistir vendo a destruíção em massa que o país sofre a cada dia. Por isso, vale a pena assistir Bacurau.

Assista o trailer e confira o horário dos filmes neste link.