Future-se, o futuro da universidade em jogo e a posição da UFRN

Desde que foi proclamado os cortes gerais para as instituições de ensino federal, muitos querem a resposta da seguinte pergunta: O que esperar para garantir recursos ? Uma outra medida duvidosa do Governo Federal é o projeto Future-se,  uma iniciativa proposta pelo Ministério da Educação (MEC), apresentada em julho deste ano, com o objetivo de “aumentar a autonomia administrativa das universidades federais”. Lembrando que as universidades e institutos federais já possuem autonomia, pois dentro da divisão da administração públicas as mesmas são autarquias, ou seja, empresas da administração indireta que possuem recursos próprios.

Isso significa que uma universidade, como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por exemplo, tem recursos já garantidos do MEC e também de fundos de participação.

Aí que entra a contradição do MEC em propor o Futuru-se, visto que a solução apresentada pelo governo é firmar parcerias entre a União, as universidades e as organizações sociais. Essas organizações são empresas privadas voltadas, sem fins lucrativos: são obrigadas a investir na própria atividade todo o dinheiro excedente. Devem atuar em áreas relacionadas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde.

Elas foram criadas na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, pela Lei das Organizações Sociais.

Um exemplo disso é a EBSERH, sigla para Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que administra os hospitais universitários atualmente, que foi criada durante a gestão de Dilma Rousseff.  No entanto, agora a intenção é fazer com que as instituições de ensino sejam administradas em empresas como a EBSERH. Ou seja, a terceirização da administração universitária, assim como acontece em hospitais como o Hospital Universitário Onofre Lopes em Natal.

Ainda não se sabe se haverá um processo de qualificação para selecionar as que estão aptas a entrar no programa. Também não está definido um número de organizações que poderiam ser contratadas, se uma mesma OS poderia atuar em mais de uma universidade ou se uma instituição de ensino poderia ter mais de uma OS como parceira.

Apesar do texto parecer ser uma privatização, o MEC reforça que não se trata de privatizar o ensino público, e sim de criar uma nova forma de financiá-lo. A cobrança de mensalidades em cursos de graduação, mestrado e doutorado está descartada, apesar de ter proposto em reunião com os reitores das universidades em maio deste ano.

Até o dia 15 de agosto, qualquer cidadão pode se cadastrar na consulta pública e fazer sugestões e comentários sobre a ideia que foi apresentada. Depois, o MEC irá compilar as respostas e analisar se fará mudanças no texto. Só então o Future-se será apresentado ao Congresso Nacional em forma de projeto de lei. Para consultar é só acessar aqui.

E a posição da UFRN sobre o Futuru-se ?

No início de agosto, o reitor da universidade, José Daniel Diniz Melo, debateu sobre o assunto na pauta da 2º sessão ordinária do Conselho Universitário (Consuni), reunião realizada no Auditório da Reitoria. Na oportunidade, o reitor da UFRN salientou que “todo e qualquer encaminhamento ou decisão que a Universidade tomar, será precedido de um amplo processo de discussão com todos os segmentos da comunidade universitária”.  Essa sessão foi acompanhada pela Agência de Comunicação da instituição de ensino.

Na reunião, os dirigentes do Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação do Ensino Superior (Sintest) e Diretório Central dos Estudantes (DCE) demostraram preocupação sobre o assunto, principalmente na parte de desmonte da instituição. “É preciso estudar o projeto e, para isso, é importante um profundo processo de discussão, no qual possamos aprofundar e saber o que é o projeto”, colocou Jaciele Valentim, que garantiu que está em diálogo com os centros acadêmicos.

A exposição procurou demarcar quais as principais preocupações identificadas no corpo do texto, sobretudo acerca dos efeitos orçamentários e administrativos.

O diretor do Centro de Educação, Jeferson Fernandes Alves, por sua vez, alertou para a necessidade de intensificar a interlocução com a sociedade, “afinal precisamos mostrar que o projeto tem premissas em muito do que já fazemos, como por exemplo em termos de governança e proximidade com necessidades da sociedade e do setor produtivo”. Para ele, não podemos, entretanto, afastar a universidade do papel de ser “uma das instituições responsáveis pela construção de projeto de país e de sociedade menos assimétrica”.

Natal tem um curso de animação, saiba por aqui

Muitos da área de Comunicação Social e Design querem saber a existência do curso de animação em Natal, mas não sabe aonde procurar. Sabendo disso, o Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Decom/UFRN) está com inscrições abertas até a próxima sexta-feira (9). As inscrições podem ser feitas no site do Sigeventos . O curso tem carga horária de 40 horas e será realizado no Decom (por trás da TVU).

A ação tem como objetivo introduzir a história, as técnicas e os princípios da produção audiovisual de animação para fomentar o desenvolvimento de animadores no Rio Grande do Norte e região. A abertura acontece no dia 19, com uma apresentação geral sobre a história da animação.

São disponibilizadas 20 vagas, sendo 10 para estudantes dos cursos de Comunicação Social (Audiovisual, Publicidade e Propaganda e Jornalismo) e 10 vagas destinadas para estudantes, professores e gestores da rede pública e estadual de ensino; profissionais do Audiovisual; ilustradores; designers e demais interessados.

O curso será realizado entre os dias 19 e 30 de agosto, das 8h às 12h, com aulas expositivas, aplicações de exercícios práticos, exibição e debate de obras, workshops e palestras com profissionais do setor. Trata-se de um pontapé inicial para a oferta de cursos de formação continuada.

Agora você tem um curso de animação em Natal.

História da animação no Brasil

Surgiu na  primeira metade do século XX foram produzidas algumas pequenas experiências em animação sem muita continuidade. Apenas na década de 50 surgiram os primeiros filmes, como “Sinfônia Amazônica”, produzido por Anélio Lattini Filho. Filmado em preto e branco, demorou seis anos para ser concluído pois foi realizado unicamente por Anélio Lattini, sem a ajuda de nenhum outro desenhista. Durante os anos de 1960 a animação passa a ter presença regular na publicidade e surgem os primeiros profissionais da área.

Por falar em publicidade, no Rio de Janeiro, Wilson Pinto junto com Wanda Lattini (irmã de Anélio Lattini) dizeram o curta “Um Rei Fabuloso”, curta de animação feito em 1965 para falar sobre a história do petróleo, fazendo uma discreta propaganda para a Petrobrás.

Em 1973, o japonês, naturalizado brasileiro, Ypê Nakashima lançou o filme “Pinconzé”, considerado o primeira longa-metragem de animação colorida no país.

Outra animação pioneira foi “Presente de Natal”, produzido pelo amazonense Álvaro Henrique Gonçalves sem incentivo de qualquer empresa, governo ou assistentes. Álvaro começou a produzi-la em 1965, e o mais interessante é que, além de criar tudo sozinho, ele ainda construiu a máquina de projeção e sonorização. Álvaro finalizou o fotograma número 140.000 em 1971, levou a animação finalizada em 35mm a um produtor paulista e fracassou, voltou para Manaus onde foi exibido e teve grande repercussão no Brasil.

O estúdio NBR Filmes, do animador Clóvis Vieira produziu o primeiro longa-metragem de animação produzido inteiramente em computação gráfica do Brasil, Cassiopéia, em 1996.