Drag recebe seu diploma na UFRN montada

Quem disse que Drag Queen não pode colar grau montada? O Felipe Paz montou a sua drag e foi receber seu diploma de publicitário na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) como Ametista. A cerimônia aconteceu no dia 26 de junho, no ginásio da instituição de ensino. Toda a sua montagem até a colação de grau foi toda registrada nas redes sociais e está disponível no Instagram da própria drag queen, que mostrou a reação dos amigos e familiares.

“Sou muito grata por ter vivido td que vivi nessa universidade, muito mesmo, e mais grata ainda por poder compartilhar essa nova fase da minha vida com pessoas que amo, principalmente minha mãe. Vai ter Drag formada sim”, disse Ametista em sua postagem no Instagram.

Ametista com os amigos após formatura
Ametista com a sua mãe

Nas redes sociais recebeu vários comentários sobre a sua atitude corajosa na UFRN:

julianaestefany_

Sucesso amor ❤️❤️❤️

thaliana_

artista formada e aclamadaaaa

lolawindy

ARRASOU DEMAISSSSSS 😍

 

A drag queen também apresentou o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) montada, no qual o seu objeto de estudo foi o canal Proposta, desenvolvido por criar notícias sobre a cena LGBT.

Apesar do dia do orgulho LGBT foi nesta quinta-feira (28), a apresentação aconteceu na quarta (27), na véspera. Para não confundir os leitores do Brechando. Porém, isso não tira o brilho ou a ousadia da drag de querer resolver apresentar seu trabalho montada, visto que as pessoas querem exigir que um ambiente acadêmico seja quadrado ou formal demais, enquanto as universidades federais pregam pela igualdade.

O motivo para apresentar o seu TCC montada foi “por causa da cena LGBT ter lhe ajudado a ser quem ele é hoje”. Portanto, é uma homenagem. O TCC também fez uma análise sobre a cena local.

“Quando eu entrei na faculdade eu nem imaginava que me apaixonaria tanto pela arte drag, muito menos que um dia eu me tornaria uma. E hoje estou aqui, feliz e realizada por ter apresentado meu TCC montafa. Sim, eu falei sobre a Proposta e a cena LGBT local, que sou simplesmente orgulhosa de também fazer parte. Então aproveitei este dia 28 de Junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, pra avisar que aqui tem um LGBT feliz de ocupar um espaço tão representativo e que tive o privilegio de integrar: a universidade”, comentou a drag no ano passado.

Esta não é a primeira vez que a UFRN, aos trancos e barrancos, abre espaço para os estudantes LGBT, visto que o espaço tiveram como alunas a Emily Mel Fernandes e Leilane Assunção, que inclusive foi a primeira professora trans no Departamento de História.

Veja a sua comemoração da drag após ter sido aprovada:

Eu depois que tive o TCC APROVADOOOOO 🎉 #LGBT #DragQueen

Uma publicação compartilhada por Ametista ✨ Felipe Paz (@ametistacw) em

Como acabar com o fascismo com hardcore, por Rodrigo Lima

Quando Rodrigo Lima criou o Dead Fish em 1991, a democracia brasileira estava de volta após 21 anos do Golpe Militar, o governo de Fernando Collor apavorava todas as classes sociais e os movimentos sociais estavam de volta as ruas. Após 28 anos, as manifestações públicas e os direitos políticos estão em ameaça de extinção, principalmente com a volta dos pensamentos ultraconservadores e a ascenção de Jair Bolsonaro a presidência da República. A caixa de Pandora abriu com todos os males do brasileiro, como o saudosismo ao Golpe Militar, valorização do jeitinho brasileiro, fim de sindicatos trabalhistas e perseguição às minorias. Agora todos estão querendo responder a seguinte pergunta: Como seguir mantendo firme com a resistência ?

Nesta semana, Lima esteve com o grupo para a apresentação no Garage Sounds, na Arena das Dunas, e na noite desta segunda-feira (29), ele se reuniu com integrantes do coletivo Artistas Potiguares Antisfascista para discutir o Bolsonarismo no poder. Poderia ser um tema batido e fazer a esquerda dá uma outra volta no círculo, porém todos concordaram que deveríamos parar de “criar teorias para acabar com o fascismo no Brasil e colocá-las na prática”.

Dentre essas atividades que foram postas em prática está o mais novo disco do Dead Fish, “Ponto Cego”, marcando a volta do grupo ao selo Deck Disc, que abertamente falou o que eles estavam achando sobre esse Brasil 2019 e perto de entrar numa nova década. É um disco de tom explicitamente político que prega resiliência em letras que, com virulência punk, aludem a acontecimentos recentes da história social e política do Brasil. Alguns críticos da mídia especializada falaram que é uma revival aquele punk vindo das bandas dos anos 80, como Plebe Rude. Vide a letra de “Apagão”, cuja um trecho será exposto a seguir:

Fez-se o tumulto
E a desinformação
Daí surgiu a oportunidade
Se instala o medo
E a insensatez
Que não aflige quem tem muro e grade

Quando alguém vier bater
A sua porta a noite
E não tiver a quem recorrer
Como será?

Quando o discurso
É posto em ação
Daí talvez já seja muito tarde
No ponto cego
O grito é em vão
A vida tem suas fatalidades

“A gente recebeu opinião de todos os tipos com discos. Ouvi dizer de gente próxima de mim que o disco era panfletário e estava sendo vendido”, lamentou o Lima em reunião com os artistas antifascistas da cidade. Em uma conversa informal, descontraída e com igualdade, eles discutiram sobre as atividades que realizaram para atingir a mensagem para a comunidade o perigo de ter um governo autoritário. Rodrigo comentou um pouco da origem do Hardcore Contra o Fascismo, evento que ele participou na organização e atraiu milhares de pessoas ao Largo da Batata em São Paulo, novo ponto para as manifestações políticas de esquerda.

De acordo com o cantor, tudo começou a partir de ver bandas de rock e alternativas, de modo geral, começarem a aderir o discurso conservador nos seus trabalhos. “Vou aos shows de punk desde os 14 anos em Vitória e nunca vi tanto avanço dessas bandas para trás”, lamentou o músico. Porém, esse “incômodo” também atingia outros músicos e produtores que tinham as origens políticas atreladas em suas veias. Assim, bandas de diversos bairros de São Paulo resolveram se unir em um evento para divulgar a sua mensagem progressista, além de divulgar o seu som.  Assim, nasceu o “Hardcore Contra o Fascismo”.

Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, em reunião com Artistas Antifascistas

Era um festival feito de forma colaborativa. De acordo com o UOL, o palco das apresentações eram montadas com pequenas caixas de som, microfones e instrumentos colocados no chão. Passagens de sons rápidas preparavam o espaço para shows igualmente curtos, que não duravam mais de 15 minutos. Além do Dead Fish apresentaram-se: Desalmado, Surra, Mar Morto, Black Jaw Dancers, Dinamite Club e Bernie. Entre um show e outro, discursos de ativistas veganos, feministas, estudiosos de esquerda e, claro, músicos.

O sucesso do show foi tão grande, que tiveram edições em outros estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Norte.

Porém, Rodrigo Lima contou que fazer o show foi uma forma de resistência, visto que houveram muitas dificuldades em fazer, incluindo intimidação dos militares. “Começamos na internet, discutindo o avanço de bandas conservadores e vimos a necessidade de colocar as nossas pautas na rua. A polícia, quando soube do Hardcore Contra o Fascismo, nos chamaram para uma reunião, sabíamos que era uma forma de intimidar. Na reunião, a gente filmou tudo e eles o tempo todo tentando convencer a não fazer o show, colocar empecilhos e a gente dizendo que ia fazer, resistindo mesmo”.

Com o sucesso do show, as pessoas ficaram empolgadas e começaram a discutir formas de impedir a vitória de Jair Bolsonaro. Porém, o Rodrigo Lima reconhece que a eleição as pessoas estão com medo e desperançosas. “Precisamos ampliar a nossa voz. Sair da teoria e colocar as nossas ideias na prática, precisamos furar a bolha e dialogar cada vez mais com a sociedade”, relatou.

Durante a reunião, ele estimulou as pessoas não desistirem de eventos como Hardcore Contra Fascismo e criarem novas alternativas, mesmo diante das dificuldades.