“A Invenção do Nordeste” recebe prêmio Shell, maior troféu do teatro brasileiro

Na noite desta terça-feira (12), no Rio de Janeiro, o grupo de teatro Carmin recebeu o prêmio Shell, maior premiação do teatro brasileiro.  O grupo recebeu na categoria de melhor roteiro (Autoria) pela peça “A Invenção do Nordeste”, que  narra a história de um grupo que procura um diretor de teatro para que procure atores que retrate um verdadeiro nordestino, no qual narra o porquê do Nordeste passou por muito perrengues e preconceito na história do Brasil.

O roteiro de  Pablo Capistrano e Henrique Fontes foi baseado no livro “A Invenção do Nordeste e outras artes”, de Durval Muniz.

Além disso, eles receberam indicação na categoria “Direção” (a atriz Quitéria Kelly é a diretora da peça). Eles foram a segunda peça que mais receberam indicações, perdendo apenas para Os espetáculos “Um Tartufo” e “Esperança na Revolta”.

O público de Natal já pode se programar para assistir a peça. Em abril, nos dias 6 e 7, A Invenção do Nordeste volta a Casa da Ribeira para quatro apresentações. Os ingressos já estão à venda na internet.

O ator Matheus Cardoso, um dos protagonistas da peça, escreveu em seu perfil no Instagram o orgulho de receber esse prêmio e por participar de um grupo potiguar, que concorreu com grandes peças da região Sudeste. “Tenho a honra de fazer parte desse elenco, tenho a honra de receber essa linda concha de bronze pesado como o natalense que sou, nordestino que sou, ator que sou e o ser realizado que agora estou. É privilégio demais poder viver de arte nesse país, nesse momento, mas também é responsabilidade grande. Não vamos arregar! E estou feliz de segurar esse prêmio e essa missão com os profissionais com quem tenho a honra de dividir vida e vocação. Eu não teria condições de escolher melhores pessoas para estar ao lado. Às vezes penso que é sonho poder acordar todo dia e ter mensagens do Grupo de Trabalho do Carmin no Whatsapp pra responder. Obrigado Grupo Carmin. Obrigado jurados do Shell. Obrigado Mainha, Painho, família e amigos que tem segurado minha mão e me apoiado nessa carreira louca que escolhi viver. Amo vocês. Esse Shell é por causa de vocês e pra vocês. Obrigado, obrigado e obrigado.”, disse o ator em sua publicação.

O grupo também fez uma publicação sobre o assunto, que pode ser conferido a seguir:

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Sim a foto é estourada, o tempo de agradecimento foi estourado, a bolha estourou!! O Grupo Carmin.Ganha o prêmio de Melhor Dramaturgia no 31°Prêmio Shell RJ. Uma noite revolucionária de muita arte preta premiada, de muitas falas de resistência. De um Brasil, que vive um tempo diferente dos que vivem de fake news. Esta peça, escrita por @henriquefontes75 e @pablompcapistrano inspirada na obra “A Invenção do Nordeste e outras Artes” do professor Durval Muniz de Albuquerque Jr, a partir da provocação da diretora @quiteriakelly marca uma conquista histórica para o Teatro Potiguar e Nordestino. Estamos juntos e sem largar a mão. Na foto, de mãos dadas conosco está @larissaluzeluz outra nordestina premiada por melhor música no espetáculo Elza – o musical.#premioshell #ainvencaodonordeste #teatrocarmin #teatro

Uma publicação compartilhada por Grupo Carmin (@teatrocarmin) em

Simona Talma: cantora, compositora e empreendedora

Com olhos brilhantes e porte seguro, a cantora Simona Talma em 2019 completa 20 anos de carreira e agora vai mostrar uma de suas facetas: empreededora. A gestão de sua própria carreira fez com que ela desenvolvesse o circuito Rock de Mulher, com o objetivo de incentivar outras meninas a unir o empreededorismo, as artes e o rock and roll no mesmo espaço, visto que o espaço musical ainda é bastante voltado para o público masculino.

“Cada novidade profissional é uma responsabilidade. Sempre bate um nervosinho quando lanço trabalhos novos, o meu lado empresária surgiu pelas consequências da minha carreira é gerir os meus próprios shows, produzir canções e também fazer o meu próprio CD”, disse Simona em entrevista ao Brechando.

Tudo começou quando começou a participar do Festival Sonora, que reúne artistas mulheres do mundo inteiro para o festival que acontece em várias cidades. “No entanto, eu percebi que algumas vezes havia um amadorismo por parte de algumas artistas e veio a necessidade de compartilhar a minha experiência com as outras pessoas. A Andrea Martins já tinha um evento parecido em Salvador e eu e ela decidimos criar o Circuito Rock Mulher, que também acontece em cidadez vizinhas, como João Pessoa e Recife.”.

A mesma ainda contou que a experiência com o Dosol, que tem como uma das sócias a baixista Ana Morena Tavares, também foi uma escola para fazer um empreededorismo no rock. “Aprendi muito com eles, como gestão de carreira e turnê. Comecei lá no Projeto Incubadora, quando lançamos o primeiro disco do Talma & Gadelha. Recentemente, eu participei da produção do disco da Luaz, foi uma experiência incrível e inédita em trabalhar como produtora. Lá sempre a lição é repassada para as pessoas, nada é guardado. A educação precisa ser compartilhada. “.

O seu sinal de empreendedora surgiu quando criou o evento Rock de Mulher, desenvolvido em 2015 para divulgar a mulherada que participa no rock com shows de artistas locais. “O empreededorismo é bom para todas as áreas, você pode fazer o seu próprio bagulho, está por dentro de todas as atividades e fica feliz com o resultado. Parece chato, mas quando você olha o seu projeto se desenvolver e a mostrar o resultado é muito gratificante. Não acho que existe um ponto negativo para trabalhar como empreededora”.

Simona contou que ainda é difícil a participação da mulher no mercado musical, principalmente quem for trabalhar com o estilo musical diferente do habitual. “A maioria das vezes que chamam as mulheres para ser produtora são para trabalhos gratuitos ou com os nossos discos. São nos momentos de dificuldades que temos de mostrar as possibilidades em trabalhar com a música.”.

Para ela ensinar as mulheres sobre empreender é um “trabalho gigante e de muita responsabilidade”, mas fica a vontade, pois se “sente em casa para falar sobre o assunto”. “Parece que a gente conquistou muita coisa, porém ainda é o mínimo, precisamos conquistar mais espaços, pois a maioria das áreas já é dominada por homens”, contou.

Simona Talma na abertura do Rock de Mulher

Sobre o Rock de Mulher

O “Rock de Mulher Circuito – Empreendedorismo e Formação para Mulheres na Música” nasceu com o intuito de gerar um espaço para o desenvolvimento de novas profissionais no mercado musical. Idealizado pela cantora e compositora potiguar Simona Talma e a cantora baiana Andréa Martins, o circuito foi lançado na última sexta-feira (08) e segue com atividades nesta semana em Natal, passando também por João Pessoa e Recife.

O projeto, que foi selecionado pelo Natura Musical por meio do edital 2018 com o apoio da Lei Rouanet, oferecerá durante esta semana oficinas, rodas de conversa e master class, com objetivo de auxiliar mulheres a se profissionalizarem para atuar no mercado musical. Estas atividades são gratuitas e serão realizadas no Praia Shopping.

Confira o teaser do projeto a seguir:

E para encerrar o circuito em Natal em grande estilo, a banda Rock de Mulher -composta por Simona Talma, Ana Morena, Nathália Noronha, Andréa Martins, Maíra Soares e Raquel Oliveira – realizará um show no Biergarten Natal. A programação contará também com a presença de tatuadoras e exibição de curtas dirigidos por mulheres.

Confira o calendário de atividades em Natal:

13 de março (14h): Simona Talma orienta a oficina de “Autogestão, Empreendedorismo, Conceito Artístico e Técnica Vocal para o Cotidiano”.

13 de março (19h): Ana Morena, musicista e produtora do festival DoSol, realiza a Master Class “Circulação em Festivais e Gestão de Carreira”, em frente às Lojas Americanas do Praia Shopping. Ana falará sobre como produzir e fortalecer um empreendimento cultural. Além de outros assuntos como, carreira artística, produção executiva de projetos e premissas básicas de planejamento, gestão e interação com o meio cultural. Esta atividade é aberta ao público.

14 de março (19h): Roda de conversa “Desafios e Enfrentamentos das Mulheres no Mercado de Trabalho”, na em frente às Lojas Americanas do Praia Shopping, com participação de Ana Morena, Andréa Martins, Nathalia Noronha, Simona Talma, Carol Carvalho (Produtora Cultural) Danielle Leal (Gerente de marketing do Praia Shopping) e Daniela Cruz (Cantora e Psicóloga). Ao final do bate-papo haverá um pocket show com a banda Rock de Mulher.

15 de março (19h): Show de finalização do circuito Rock de Mulher em Natal, no Biergarten Natal.

Agora a pergunta é: Quem mandou matar Marielle Franco?

363 dias depois…Acharam o assassino da vereadora Marielle. Era algo que todos suspeitavam: a milícia estava no meio de todo este crime. A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta terça-feira (12) dois suspeitos de participarem do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), morta em 14 de março do ano passado. Integrantes da Delegacia de Homicídios e do Ministério Público, responsável por denunciar a dupla à Justiça, deflagraram operação. Um deles é policial militar reformado e o outro é ex-PM. A ação foi feita com grupos reduzidos para evitar chamar atenção. Às 5h, equipes já cumpriam mandados de prisão em endereços dos suspeitos.

Segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Rio, um dos presos é o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos. Ele é suspeito disparar a arma que matou a vereadora e seu motorista, Anderson Gomes. Gomes levava Marielle e uma assessora de um evento da Lapa, na região central da cidade, para a Tijuca, na Zona Norte. No meio do caminho, em uma área do Centro conhecida como Cidade Nova, um carro emparelhou com o da vereadora e uma pessoa disparou, segundo a polícia, arma automática.

De acordo com o jornal O Globo, Lessa entrou na lista de suspeitos após ser vítima de uma emboscada, em 28 de abril, 30 dias depois do assassinato da vereadora. A suspeita seria que pessoas envolvidas no crime teriam tentado promover uma queima de arquivo. Uma coincidência é que o militar reformado era vizinho de Jair Bolsonaro, atual presidente da República, em um condomínio na zona Sul.

O segundo suspeito preso foi o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 36 anos. Ele estaria dirigindo o carro quando os tiros foram disparados.

Segundo a denúncia, Marielle teria sido morta em razão de sua militância em favor dos direitos humanos. A operação desta manhã foi a primeira com a participação do Ministério Público do Rio, por meio do Gaeco, que é o grupo de combate ao crime organizado. Essa unidade investiga crimes principalmente relacionados às milícias no Rio.

A ação foi batizada de Lume, em referência ao Buraco do Lume, praça no centro do Rio em que parlamentares do PSOL (onde a maior força do partido se encontra dentro da cidade carioca) costumam se reunir para falar de seus mandatos, toda sexta-feira. Os investigadores também identificaram que o policial reformado teria feito pesquisas sobre a rotina de Marielle e sobre eventos que participaria semanas antes do crime.

Além de ter pesquisado a vida não só de Marielle, mas também de Marcelo Freixo (hoje é deputado federal), deputado estadual na época e um dos ativistas em favor dos Direitos Humanos.

Em janeiro, pelo menos cinco pessoas suspeitas de envolvimento nos assassinatos da vereadora foram presas. Entre os detidos estavam um major da Polícia Militar e dois ex-PMs, identificados como sendo o major Ronald Paulo Alves Pereira, o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega e o subtenente reformado Maurício Silva da Costa. Mas só agora descobriu quem colocou o dedo no gatilho.

Apesar dos avanços, ninguém respondeu: quem mandou matar a Marielle Franco? Independente de quem apertou o gatilho, existem muitos homens por aí que querem apagar a sua história, no qual deixou um legado, inclusive sendo tema de uma das maiores Escolas de Samba da cidade (Estação Primeira de Mangueira) e estimulou a participação de outras mulheres faveladas na política.

Marielle Francisco da Silva nasceu no Rio de Janeiro, na Favela da Maré, definia como a “Cria da Maré”. Foi mãe aos 19 anos e teve de abandonar os estudos para criar a filha. Não tinha dinheiro para pagar um cursinho com o objetivo de estudar mais e entrar na Universidade Federal. Mesmo assim, mãe solteira, conseguiu uma bolsa na Pontíficia Universidade Católica (PUC). Foi ali que estimulou que outras pessoas como ela a ter acesso à faculdade e a militância começou a dar os primeiros passos. Dentro da PUC fez campanha para o então professor de história, Marcelo Freixo, de quem foi assessora parlamentar antes de se lançar em candidatura própria. Formou-se em Ciências Sociais e, posteriormente, tornou-se mestre em Administração Pública.

Dentro da Câmara dos Vereadores defendia que a revolução ou seria “feminista, classista e com o debate da negritude”, ou simplesmente não existiria. Ainda defendia as causas LGBT, uma vez que estava inserida no grupo.  Sempre encarou de frente homens poderosos, no qual muitos se tornaram parlamentares por apoiarem políticos de caráter duvidoso. Ela não tinha medo, mulheres faveladas cresceram com cabeça erguida mesmo com a falta de oportunidade.

Foi executada com três tiros na cabeça. De acordo com a Human Rights Watch, o assassinato de Franco relacionou-se à “impunidade existente no Rio de Janeiro” e ao “sistema de segurança falido” no estado. Marielle criticava ferozmente a intervenção federal no Rio de Janeiro e da Polícia Militar, denunciava constantemente policiais por abusos de autoridade contra os moradores e a presença das milícias, grupo paramilitar que domina algumas comunidades da capital fluminense. Recentemente, ela havia denunciado atrocidades feitas na Favela do Acari, uma das mais antigas do país.

365 dias para cá nada mudou, as armas foram liberadas, negros são mortos todos os dias e há o aumento dos indíces de violência. Sem contar que cresce cada vez mais o número de feminicídios, o crime é que a mulher é morta pelo seu cônjuge ou parente mais próximo, ou seja, pelas consequências da sociedade patriarcal. Para piorar, tentaram a difamar das piores formas possíveis, desde criação de fake news até deputados a ridicularizando em campanhas eleitorais.

49 Atividades para o Mês de Março: Datas Comemorativas Clique aqui para comprar o e-bool

Agora, precisamos ter uma voz mais forte, vinda dos pulmões para saber quem mandou a matar e o porquê ela teve que pagar com vida em nome de direitos que deveriam ser básicos para todas as pessoas.

Recentemente, a cantora pernambucana Doralyce fez uma música questionando sobre o assunto, cujo clipe foi lançado, por coincidência, no dia que os assassinatos foram descobertos. Vídeo faz parte da sua participação no Sofar Sounds Rio de Janeiro, gravado em novembro de 2018. A letra tem uma forte crítica social, denunciando a violência institucional contra o povo preto, pedindo a desmilitarização da polícia e justiça para Marielle Franco.

Doralyce é ativista, cantora, compositora e atriz. Formada em direito pela UniNassau (PE), ainda é produtora cultural e professora de música. A compositora traz as influências rítmicas advindas do sítio histórico de Olinda, representando a força feminina no Maracatu, Coco, Manguebeat, Samba, ijexá, frevo e Maculelê. Se mudou para o Rio de Janeiro, em 2014, seu trabalho se potencializou ao dialogar com a cena teatral carioca, através dos movimentos de ocupação e resistência cultural em que tem expressiva atuação, foi onde teve o contato com a Marielle.

“O caso de Marielle é um fato social, uma partícula que precisa ser analisada com um microscópio para você entender todo o problema social do Brasil: de onde ele se enraíza, por que ele vem, por que essa sociedade se mantém assim. A gente fala de desmilitarização porque quem sustenta essa sociedade ser assim, quem silencia e mata manifestante é a polícia. Eles que fazem o controle do Estado, da sociedade, para a gente aceitar essa realidade social. Então é muito importante a gente falar sobre isso: Marielle morreu porque ela questionou a polícia. Eu não sei quantas mais de nós serão necessárias mortas para que as pessoas entendam que a polícia está nos matando. Que a polícia mata o povo preto desse país e não importa se é o preto favelado, se é o preto que mora no Complexo do Alemão ou se é a preta quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro. Foi preto, essa sociedade e esse sistema matam. São assassinos. As balas que mataram Marielle são da Polícia Federal. As pessoas que mataram Marielle eram policiais militares. A gente precisa entender essa instituição que a gente sustenta, que a gente fomenta”.

A canção “O Bicho” pode ser escutado a seguir: