Brechando uma exposição inédita dos 90 anos do Mickey no Brasil

Assim como a Mônica está para Maurício de Sousa, o Mickey Mouse está para o Walt Disney. O personagem foi alicerce para construir o mundo mágido da Disney, no dia 18 de novembro de 1928, porém a sua primeira apresentação foi em um desenho sonoro intitulado “Steamboat Willie”, que foi o primeiro desenho animado sonoro, apresentado no Colony Theatre em Manhattan, Nova Iorque. Sua dublagem a era desempenhada pelo próprio Walt Disney (entre 1928 e 1946). Depois de Walt Disney, foi James G. MacDonald que assumiu a vocalização do Mickey e em 1977, Wayne Allwine, um aprendiz de James G. MacDonald que foi a voz do Mickey até a sua morte em 2009. Atualmente, Mickey é dublado por Bret Iwan.

Inicialmente batizado de Mortimer, o personagem teve seu nome alterado para Mickey Mouse por sugestão de Lillian Bounds, esposa de Disney, que considerava o primeiro nome formal demais para o personagem. Inicialmente, Mickey bebia e fumava, mas a popularidade que ganhou em pouco tempo foi tão grande que Walt Disney resolveu torná-lo politicamente correto já em 1930.

Em janeiro, a cidade de São Paulo recebeu uma exposição para comemorar os 90 anos, no qual vai ficar no Shopping JK Iguatemi até abril deste ano.

Meu amigo ator, e agora Youtuber potiguar, Fred Merlim, mostrou nas suas redes sociais e deixou a gente compartilhar algumas fotos de sua aventura nesta exposição, no qual podia pintar algumas tirinhas que estavam expostas na parede com lápis da Faber-Castell, capas dos almanaques do Mickey que foram um sucesso no Brasil na década de 60 e 70, além de mostrar uma linha do tempo deste idoso ratinho, bastante carismático até hoje para a criançada.

De acordo com Fred, “a exposição é incrível e dificilmente as pessoas vão sair tristes. Emociona desde as crianças até os adultos”.   A magia começa em um túnel do tempo com as evoluções do personagem, seguindo para uma réplica dos estúdios de Walt Disney – onde tudo começou – com mesas de luz e flipbooks para o público interagir e entender os princípios da animação. A exposição traz até o barco de Steamboat Willie, com direito ao Mickey em preto e branco igual no curta.

Como não poderia faltar, público vai conferir também A Casa do Mickey Mouse, série de desenho animado do canal Disney Junior, além do cenário do Clube do Mickey – primeira série de televisão da Walt Disney Productions lançada em 1955. É lá no clube que os visitantes poderão deixar uma cartinha de aniversário para o personagem. Claro que o Fred, deixou a sua cartinha desejando aquele efusivo abraço de parabéns (fotos no final do post).

A exposição traz ainda um espaço que destaca a revolução no mundo da animação, graças a Walt Disney, com a Câmera Multiplano (Paralax), que trouxe profundidade aos desenhos animados. Nesse espaço foi criado para ser totalmente para que o público possa entender o funcionamento dessa inovação tecnológica na animação.

Os visitantes terão acesso também a diversos cenários lúdicos e interativos como, uma projeção do show de fogos da Disney, Happily Ever After, e photo opportunity inspirado na Main Street, avenida principal do Magic Kingdom, um dos parques do complexo Walt Disney World Resort, na Flórida.

A exposição é realizada pela ONG Orientavida, que apoia  famílias de baixa renda. No final do trajeto, inclusive, terá uma loja com diversas opções de produtos licenciados, de peças de decoração a vestuário, feitas à mão pelas artesãs da instituição. E quem quiser ainda poderá personalizar pelúcias por lá. Toda a venda dos produtos Orientavida será revertida para a ONG, que tem como missão solucionar a vulnerabilidade de mulheres e famílias de baixa renda por meio de capacitação de mão de obra feminina.

Esta é a primeira vez no Brasil que o personagem mais famoso do mundo terá uma exposição exclusiva em sua homenagem. A “Exposição Mickey 90 anos” é patrocinada pelo Ministério da Cultura e a Bradesco Seguros.

Confira as fotos das brechadas de Fred a seguir:

Multidão e a música de reistência para 2019

2019 é o ano que vamos fazer inúmeras críticas contra os avanços do conservadorismo no Brasil. Desde dezembro de 2018, o músico Digo Amazonas, em São Paulo, criou o projeto “Multidão”, que lançou o single chamado “Desordem e Protesto”, com forte posicionamento político contra a atual situação nacional. A intenção do músico era realmente fazer um “grito de guerra contra o falso nacionalismo e da onipresente falsidade na política brasileira”. 

“Queria que esse clipe fosse um lembrete do que significou 2018 e da angústia coletiva que estamos vivemos enquanto brasileiros, e a Maranha Filmes conseguiu captar totalmente essa ideiae fazê-la em imagens”, disse o músico.  A Maranha citada na fala é uma produtora audiovisual focada em inspirar transformações reais através de conteúdos que revelam assuntos urgentes e inadiáveis. Então, como os dois querem tocar o dedo na ferida política, fazer um clipe sobre o assunto seria rapidinho feito.

Este não é o primeiro single de protesto, a canção “Brasilis” é uma epopéia carnavalesca (lembrando que carnaval de 2019 vai ser em março) que contou a história do Brasil em ritmo de marcha-rancho e frevo. “Lançado em outubro, no olho do furacão eleitoral, contou com mais de 50 pessoas envolvidas entre músicos, cineastas, ativistas, atores e colaboradores que se engajaram nessa crítica Oswaldiana às origens das injustiças sociais do nosso país e ao nacionalismo oportunista”, explica.

Multidão surge no país como uma plataforma colaborativa de artistas que usam da música, cultura e ativismopara tratar temas da sociedade brasileira, e já promete mais singles e conteúdos para o ano de 2019.

Digo Amazonas, que é um dos fundadores do Bloco 5Kaya na Gandaia, percussionista da banda O Mangue e baterista dos Araras Negras. Seguindo o seu processo criativo e fugindo dos formatos de banda ou artista solo, criou a Multidão com uma proposta contemporânea de tornar-se uma plataforma de criação coletiva, onde músicos, produtores e artistas se conectam para criar conteúdos juntos, sempre com base na diversidade e nacolaboratividade.As palavras-chave são música, cultura e ativismo. O primeiro single, “Brasilis”, foi lançado em outubro e o segundo, “Desordem e Protesto”, em dezembro de 2018.

Além de Digo, o grupo conta com Andre Mota (guitarra), Juari Dovenas (baixo) e Ivan Silva (percussão).

Confira o clipe completo a seguir:

Jornalista transformando luto pela mãe em uma forma de compartilhar amor

Me deu um aperto no coração quando vi nas redes sociais que a mãe do jornalista e ilustrador Gabriel Vasconcelos tinha falecido. Apesar da gente se encontrar apenas em rolé na cidade, eu e a namorada dele, Gabriela Serejo, passamos boa parte da adolescência dentro de um colégio elitista, onde tínhamos ideias nerds, literatura, desenhos, sonhávamos em fazer alguma coisa com Comunicação Social (os três entraram para o jornalismo anos depois) e algumas vezes gravava vídeos. Ainda tínhamos o Sílvio e Pichorim, no pré o Vik Romero entrou nas nerdices. Éramos tão próximos, que nossos pais conheciam na reunião (frases comuns: “Você é a mãe da Lara?”) e ficavam desabafando o porquê dos três estavam em prova final.

Escutávamos de Rogério Skylab a Belchior em um piscar de olhos. Apesar da moda dos alternativos em meados de 2008 era o indie.

A gente ia para casa de um ao outro para fazer os trabalhos de escola, no qual rapidamente conheci a Isabel, mãe do Gabriel, que era sempre simpática e com um sorrisão, sempre fazia os bolos de aniversário do garoto, no qual era bastante concorrido pelos convidados. Me lembro de uma vez que Gabriel trouxe chocolates em formato fálico para a gente comer, que foi o que restou de uma encomenda para uma despedida de solteiro. Os rapazes burgueses nos olhavam tortos, mas sempre queriam puxar assunto com a gente, talvez porque aceitávamos a nossa esquisitice.

Toda vida que a gente dava um rolé nas redondezas da escola, o Gabriel sempre ligava para a mãe: “Olá Isabel Christina, eu voltei para escola e não fui roubado, estuprado e muito menos abduzido. Tá bom?”.  Ela era um amorzinho e achava engraçado que meu nome era o mesmo da filha caçula, além de ter ajudado a criar uma estrutura para jogar um ovo do primeiro andar e não quebrar para um trabalho extra de física com o objetivo de ganhar um ponto na prova.

Me lembro que ela prontamente topou em fazer um bolo para mim numa encomeda de aniversário de 16 anos e “traumatizada pelos esquecimentos de trabalhos de escola” por Gabriel, eu ficara ligando o tempo todo no celular para ele não esquecer da delícia em forma de glicose (“CADÊ O BOLO?”). Desde que eles se mudaram para os Estados Unidos, eu nunca mais a tinha visto, apesar deles terem já retornado à Juazeiro do Norte.

Quando soube da sua morte, prontamente veio essas memórias e sempre foi um amorzinho comigo. Lembrar da sua simpatia, tiração de sarro e amores é a marca dela. O lado zoeira era bem nítido da família do Gabriel, até nos momentos tensos. Raramente, eu o via triste ou depremido, sempre transformou a dor em momento criativo. Com a benção dele, eu resolvi compartilhar esse texto lindo em homenagem a sua mãe. Apesar de ser difícil, o Gabriel me ensinou que o legado tem que ser continuado de alguma forma: saudade e amor.

Leiam a seguir:

Rodoviária é ponto de encontro e despedida. E, aqui, foi feito o registro do nosso último abraço. Dona Isabel Christina (com “ch”) foi a mulher mais forte que já conheci. E linda. E talentosa. Tinha música (e aquela gargalhada, sua assinatura) na garganta, tinha dança nos pés e tinha amor demais nas mãos, como qualquer um que tenha provado seus bolos, tortas e doces pode atestar. Esse amor, que ela colocava em cada coisinha que fazia, foi posto também na gente – Rafael, Gabriel e Lara, seu legado na Terra; e preencheu todo o coração do nosso pai, Seu Zé Valdo, que eu nunca deixei de enxergar, vendo os dois juntos, como um menino apaixonado.

Olhando para a saudade que você deixou em nós, eu sinto cheiro de bolo assando no forno, ouço o rádio tocando e sinto as mãos arderem de tanto espremer limão contigo, afinal as tortas tinham de ficar prontas pro dia seguinte. Momentos fixos no tempo. Tão simples, tão poderosos, tão vivos quanto a certeza que eu tenho, de que você e o pai nos fizeram filhos do Amor. E Amor a gente passa adiante; é o objetivo último de nossa experiência planetária e a consequência definitiva da sua existência, mãe.

Eu nunca amei tanto na vida quanto amarei daqui em diante.