Participando de mosh na minha adolescência e pesquisando sua origem

“O rock não tem dança”, dizia uma garota do estilo patricinha para mim na escola ao justificar que gostava mais de axé. No entanto, eu não acreditava nesta teoria, visto que existia o rockabilly, além de que as batidas de rock também encaixavam com dança do ventre, tribal fusion e inclusive na dança de rua. Achava que a famosa poga, que já ousei em participar de algumas, era só uma manifestação furiosa e não uma dança, apesar de descobrir na internet que existe uma corrente que defende que é um movimento artístico e de dança, conforme falei nesta matéria.

Quanto mais pesado o show de rock, mais poga terá. Quando era uma pirralha de 15 anos, eu andava com muitos garotos roqueiros como amigos, pois eles tinham gostos musicais parecidos e ficávamos trocando mp3 nos janelões de MSN ou comunidades do Orkut. Era normal eu participar da também conhecida roda-punk para pular e brincar com eles, principalmente se o som fosse empolgante. O domingo do Festival Dosol era certeza que teria uma roda, no qual era estimulada até pelos próprios produtores dos eventos. Alguns amigos meus saíam todos rasgados, mas felizes.

Quando sinto nostálgica, ás vezes até arrisco de fazer movimentos. A primeira vez que fiz foi quando namorava um rapaz dois anos mais velho que eu e ele me levou para o show do Matanza na Ribeira, para o desespero dos meus pais. Apesar dele ter ficado muito preocupado por ser menina, eu achei divertido ficar pulando e dançando ao som da música sem ser julgada. Embora o rock seja machista, muitas vezes, eu nunca fui assediada, apesar de saber que fui uma exceção e ser privilegiada por boa parte dos meus amigos me protegerem de machos ruins.

Depois do Matanza, eu fiz poga em vários shows, apesar de ter arrependido de não ter participado do Korn no Rock In Rio em 2015, pois foi um dos shows mais pulsantes que assisti.

Era uma forma de soltar os nossos demônios sem precisar socar alguém, apesar do povo achar que a roda parecer uma briga de playboys no Carnatal. Naquela época não existia nem um tutorial do Wikihow. Mas, como surgiu ?

Entre cotoveladas, joelhadas e corridas, a roda tem uma característica específica e é como se fosse uma ciranda mesmo. Além diso, o ritmo da música determina a velocidade dos movimentos, o que obrigou os participantes a incluírem movimentos com os cotovelos na preocupação de se protegerem de algum choque entre os participantes, o que a fez parecer uma dança violenta, mas não existe a real intenção de causar danos aos participantes.

Se você for numa poga para dar porrada em alguém, você está em um lugar errado.

E evite portar objetos e essas coisas. Vários amigos meus quando vão para poga pedem para que o colega mais medroso carregue seus objetos, porque pode sair todo rasgado na hora da empolgação.

A foto acima, por exemplo, mostra uma roda de mosh que aconteceu no Festival Ribeira 360 graus, no ano de 2017, durante o show de uma banda de heavy metal. A primeira dança identificada como mosh surgiu durante um show da banda punk Bad Brains, onde o vocalista havia mandado as pessoas se separarem e gritou “mash it up”, porem devido ao forte sotaque jamaicano, a plateia entendeu “mosh pit”, e dai surgiu o nome e a pratica.

Uma das coisas mais difíceis é fotografar uma roda de poga.

De acordo com o site Whiplash, um dos maiores portais de heavy metal do Brasil, os mosh pits cresceram em popularidade ao longo das duas décadas seguintes e se tornaram um elemento fixo dos shows de metal e punk.

Há regiões no Brasil que misturam os dois termos e chamam de roda-de-hardcore. De fato, existem no mesmo espaço tanto participantes que queiram ficar em roda quanto os que queiram praticar o movimento two steps que é mais dirigido.

Poga é o nome para o movimento em inglês para Mosh Pit, também conhecido apenas com a palavra Mosh.

No Brasil, porém, chamam mosh o movimento e mergulhar do palco sobre a plateia em apresentações musicais, cujo nome correto é stage diving.

Proibido Elefantes está de volta e com show de Potyguara Bardo

A dança contemporânea é uma forma de estudar a coreografia sem aquele estereótipo trazido no balé clássico. A Companhia Gira Dança mostra que os mais diferentes corpos podem também transmitir a dança, quebrando padrões e estereótipos. Vvocê verá, portanto, que dançarinos com nanismo, cadeirante e com síndrome de down o sentimento de uma coreografia, apesar dos seus limites físicos.  No próximo sábado (2), na Casa da Ribeira, às 20 horas, a companhia traz de volta o espetáculo Proibidos Elefantes, que fala sobre o olhar como via de entrada e saída de signigicados, é uma reflexão sobre limites e preconceitos.

O olhar enquanto apreensão subjetiva do mundo é, neste trabalho, apontado como elemento potencializador do sujeito diante do mesmo. Proibir elefantes é restringir o acesso, impedir o livre trânsito do animal que serve como meio de transporte na Índia, mas que causaria enormes transtornos em outras localidades. Neste espetáculo, é proibir o olhar que ressalta as limitações, os impedimentos; que duvida da capacidade do sujeito frente à adversidade. Aqui, é apostar no olhar do sujeito sobre si e sobre o mundo em que vive como elemento ressignificador e instaurador de realidade.

Diz a Organização em seu material de divulgação

A peça foi desenvolvida por Clébio Oliveira, que tem a direção artística de Alexandre Américo e trilha sonora de Toni Gregório. As fotos que ilustram a matéria é de Brunno Martins.

O espetáculo “Proibido Elefantes” estreou em 2012 através do Prêmio Procultura 2010 (Ministério da Cultura), recebeu o Prêmio Klauss Vianna Petrobras de Dança 2012 (Funarte), participou do Ano do Brasil em Portugal em 2013 e circulou por mais de 40 cidades brasileiras no Palco Giratório – SESC em 2015.

Os ingressos custam R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira) e podem ser comprados neste link ou na bilheteria da Casa da Ribeira (seg à sexta das 14 às 17h). 

Após a apresentação, terá um show da cantora potiguar e drag Potyguara Bardo no Espaço Gira Dança, que também fica na Frei Miguelinho, às 22 horas. Os detalhes podem ser vistos nesta imagem a seguir:


Informações:


Espetáculo: Proibido Elefantes
Local: Casa da Ribeira – Rua Frei Miguelinho, 52, Natal/RN
Data: 02 de fevereiro
Horário: 20:00
Valores: R$ 15,00 e R$ 30,00 (inteira)

Ingressos:
Online via Sympla: https://www.sympla.com.br/proibido-elefantes-na-casa-da-ribeira__437285
Casa da Ribeira – aberta de seg à sexta das 14 às 17h.


Ficha técnica:

Concepção, Coreografia e Direção: Clébio Oliveira
Direção Artística: Alexandre Américo
Assistente de Coreografia: Álvaro Dantas
Bailarinos/criação: Álvaro Dantas, Jania Santos, Joselma Soares, Marconi Araújo, Iego José e Ana Vieira
Produção Executiva: Celso Filho
Trilha Sonora Original: Toni Gregório
Figurino: Loris Haas
Colaboração: Daniela Fusaro
Consultoria de projetos: Ana Paula Medeiros
Design de Luz: Ronaldo Costa
Operação de Luz: Nando Galdino
Foto do evento: Brunno Martins