13 13America/Bahia novembro 13America/Bahia 2018 – Brechando

Vamos colocar o Brechando nas estantes

O ano de 2017 tinha acabado, estava na sacada de um prédio de um amigo da minha amiga olhando os fogos de todos os bairros da cidade apenas desejando uma mudança na minha vida e que tivesse novas ideias. Nesses 11 meses de 2018 foram choros, cólicas, tensões e sempre sabendo que depois do dia 31 ou 30 de cada mês, alguma mudança brusca iria acontecer. Essas tensões estão ocorrendo, pois está próximo de lançar um material mais “sério” que o site já desenvolveu em seus três anos e é uma forma de deixar a sua contribuição pela cidade.

A revista do Brechando vai custar 15 reais e será aceito cartão (baixem o aplicativo do mercado pago) e transferência.

O destino provou que posso ser mais forte do que pensa ser e posso compartilhar novas formas de trabalho.

Montar uma revista sempre foi uma vontade de fazer desde a adolescência. No entanto, achara melhor trabalhar primeiro em uma grande redação, com o objetivo de adquirir experiência e infelizmente não foi bem assim que aconteceu. Porém, minhas experiências de jornalistar por aí mostrou que minhas influências podem sim me ajudar a criar o meu próprio material impresso, pois estimula a criação não somente de uma nova mídia, mas também uma outra forma de ler Natal.

Sim, Natal. Terra que aprendi a amar e respeitar cada linha em cada brechada. Mais de 1 milhão de leitores já leram e gostaram (ou não) das marcas que registrei de cada pedacinho de Natal, no qual agora quero deixar nas estantesd, pois não sei se um bug fará acabar a internet algum dia.

Quarta-feira, dia 14 de novembro, no Mahalila (R. Dra. Nívea Madruga – Lagoa Nova), será o lançamento da revista e desde já o meu muito obrigada.

Obrigada a todos que me seguem e acompanham o meu trabalho. Além disso, quero agradecer a equipe da Muganga e Maluz Medeiros por acompanhar a minha loucura e também colocar esse pedacinho de leitura em realidade.

Espero vocês e vamos colocar o site nas estantes!

[ARTIGO] Voe para o céu, Leilane

Eu era uma recém-caloura de jornalismo e vi nos corredores do Setor 2, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Leilane Assunção andando de vestido, salto e falando sobre todos os assuntos possíveis. Ficava maravilhada com aquilo, porque infelizmente só via notícias de mulheres trans serem prostitutas, graças ao Superpop, da Luciana Gimenez. Acordo triste ao saber de seu falecimento.

Mesmo não sendo amiga ou ter trocado pouquíssimas palavras, admirava pessoas que furam o tecido das coisas comuns e mostram que podemos ser o que quiser. Leilane era uma delas e sempre foi uma das pessoas mais ativas daquele setor de aulas.

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Cresceu na Igreja Evangélica, mas após o questionamento sobre sua pessoa e viu que o local nunca lhe aceitaria, resolveu largar. A transformação para Leilane surgiu enquanto graduava História.

Por causa dela, muitas trans foram estimuladas a entrar no ambiente acadêmico, como a Emily Mel, a primeira a se formar em psicologia na mesma universidade.

Ela era a figura que colocava o dedo na ferida do ambiente acadêmico, que diz ser “mente aberta”, mas é cheia de preconceitos. Sofreu transfobia de alunos, professores e funcionários, o banheiro unissex surgiu após ter sido barrada de usar o sanitário feminino.

Apesar de tudo, ela não desitiu, graduou em história, fez mestrado e doutorado, ainda chegou a ser a primeira professora trans da UFRN.

Mesmo com todos os brilhos, ela sofreu uma difícil batalha contra a sua saúde. De acordo com o jornalista Rafael Duarte, do Saiba Mais, ela não resistiu uma infecção causada por um fungo e estava internada há dias no Hospital Giselda Trigueiro, sem contar que estava com problemas financeiros após suas saída na instituição de ensino.

Foi com o jornalista a sua última entrevista, que vale a pena ser lida.

A mesma defendia que só a liberalização de todas as drogas poderia fazer frente e combater o tráfico e reduzir a mortalidade de pobres e negros nas periferias brasileiras.

Tinha orgulho do título de doutora em Ciências Sociais conquistado no país que mais mata LGBTs no mundo.

No título de mestrado, defendeu a tese sobre outra guerreira, a mineira Clara Nunes, trabalho que pretendia lançar em livro.

Leilane deixa a mãe, cinco irmães e um grande legado para a comunidade LGBT.

Agora vai encontrar seu amigo João W. Nery e outros trans que lutaram para um mundo mais justo e igual.

Dora, a aventureira, tem uma loja no Alecrim

Andando no bairro do Alecrim, a gente encontra uma loja de conveniência que se chama Dora, que aproveitou o trocadilho e colocou o personagem do mesmo nome na logo de seu comércio, chamando bastante atenção de quem circula pelo tradicional bairro comercial. O estabelecimento comercial fica na Rua dos Canindés, também conhecida como avenida 6. Será que ela orienta os compradores a comprar Coca-Cola ou sucos naturais? Este é o maior exemplo de como usar um personagem popular para atrair os consumidores. A loja tem Whatsapp e aceita todos os cartões. Para quem não sabe quem é a personagem que estou falando, vou colocar o teaser aqui: Dora é uma série de televisão animada criada por Chris Gifford, Valerie Walsh e Eric Weiner e produzida pela Nickelodeon Animation Studios. O primeiro episódio da série foi ao ar em 1999 porém tornou-se uma série regular a partir de 2000. O desenho tem caráter educativo e apresenta as aventuras de Dora e seu amigo o macaco Botas que frequentemente falam com o telespectador. Alguns profissionais ligados a necessidades educativas especiais recomendam esse desenho para crianças com autismo, devido aos apoios visuais durante toda a comunicação dos personagens com a criança espectadora. No Brasil, a série começou a ser exibido pela Nickelodeon (em canal fechado) no bloco Nick Jr e depois no próprio canal Nick Jr.  Na televisão aberta já foi transmitido pela RedeTV! no programa TV Clubinho entre 2006 e 2007, transmitindo apenas as duas primeiras temporadas. Posteriormente o programa retornou ao ar em rede aberta pela TV Cultura em 2009, transmitindo apenas episódios da 3ª, 4ª e 5ª temporada,posteriormente tendo se aderido ao programa Quintal da Cultura. No dia 13 de julho de 2015 a TV Cultura adquiriu e transmitiu os episódios restantes da série, mas saiu do ar no ano seguinte em favor de outros desenhos da Nickelodeon.

Importância de Stan Lee no desenvolvimento social

A tarde desta segunda-feira (12) foi marcada, para os fãs dos quadrinhos, com muita tristeza, uma vez que o Stan Lee, criador do universo do selo Marvel faleceu aos 95 anos (ele não criou a Marvel, mas o conceito que fez o selo a ficar famosa quando foi editor-chefe).

Nasceu em Nova Iorque no ano de 1922, no mesmo período começavam os estudos na Alemanha no qual formaria sobre a Escola de Frankfurt e os estudos da Indústria Cultural, no qual estudavam elementos como o rádio e quadrinhos na ajuda na formação de uma população. Sim, indiretamente (ou diretamente ?), Lee utilizou os quadrinhos para fazer não só críticas sociais, mas também mostrar que por meio da diversão de comprar HQs e filmes podem ajudar as pessoas a abrir a sua mente.

Se for assim, Adorno e Horkheimer concordariam que a sociedade pode ser movida e moldada através dos Meios de Comunicação..

Foram nos quadrinhos que foi discutido sobre bullying, conceitos de famílias diferentes (Vai dizer que Peter Park, Tia May e Tio Ben estão inclusos na família tradicional norte-americana ?), sobre o que é ser diferente e as diferenças entre ser o correto e justo (Alô, “Guerra Civil”).

Após a mudança do nome da editora, primeiro para Atlas Comics, e depois para Marvel Comics, Lee revolucionou o mercado de quadrinhos ao modernizar o gênero de heróis com criações para um público mais velho, como o lançamento de “Quarteto Fantástico”. Com dramas familiares e heroísmos que utilizavam elementos de ficção científica, as histórias ajudaram na fama de personagens mais complexos e realistas da Marvel em relação à sua principal concorrente, a DC.

O que diferenciava? Seus heróis tinham um temperamento ruim, ficavam melancólicos, cometiam erros humanos normais. Preocupavam-se em pagar suas contas e impressionar suas namoradas, e às vezes ficavam até doentes fisicamente. Os super-heróis de Lee capturaram a imaginação dos adolescentes e jovens adultos, e as vendas aumentaram drasticamente. Tem gente que se identifica com a autoestima do Tony Stark, a rebeldia do Wolverine, ser malandro como Deadpool ou ser temperamental como o Hulk.

A identificação social foi o que moveu a Marvel crescer, no qual mesmo mostrando a realidade de forma pesada, dizia-se que no final tudo terminaria bem.

Além disso, ele também tinha uma grande consciência de classe, no qual ele apoiava os lugares dos outros e também tentava, na medida do possível, desenvolver um lugar de fala, através de seus heróis, sempre utilizando metáforas.  Em 1963, com a cabeça no movimento por direitos civis de negros no Estados Unidos, liderado por Martin Luther King, lançou os X-Men, uma equipe de mutantes que eram marginalizados e hostilizados pelos humanos.

Nos últimos anos, Lee tornou-se um ícone e a cara pública da Marvel Comics. Fez aparições em convenções de histórias em quadrinhos pelos EUA, palestrando e participando em discussões. Mudou-se para a Califórnia em 1981 para desenvolver as propriedades de televisão e filme da Marvel, além de ficar conhecido por fazer inúmeras aparições nos filmes dos seus heróis. Sem contar que os quadrinhos da Marvel estimularam outras pessoas a criarem os seus próprios trabalhos, estimular o crescimento na profissão do quadrinista e vários artistas já declararam a influência da obra de Lee em seus trabalhos.

O legado dele na Marvel vai continuar, principalmente defendendo as causas das minorias, no qual alguns quadrinhos já mostraram um Homem-Aranha Negro, Beijo entre pessoas do mesmo gênero, o machismo, relacionamento abusivo (assistam Jéssica Jones) e dentre outros assuntos que estão no nosso cotidiano e a gente quer insistir em esconder a poeira para de baixo do tapete.

A morte de Stan Lee não é o fim dos quadrinhos, mas a continuação de um legado social que a arte dos HQs continuam oferecendo.