Natal Hair: o que fazer dentro de um evento de cabelereiros ?

Parece que dediquei a minha sexta para falar de cabelos. Agora vou falar de Natal Hair. Realmente gosto de mudar as cores e o corte de cabelo, a única coisa que eu não quero é passar chapinha, no qual faz três anos os meus fios não são queimados para ficar com aquele aspecto liso.

Foi pintando os cabelos que descobri os números da tinta, sabia que o 6.66 deixava o vermelho com a cor mais cereja e aproximando do 7 ficava no tom cobre.

E cuidar dos cabelos não necessariamente é uma futilidade, embora alguns tratem a transformação como grife, mas pode mudar a vida de pessoas.

O ramo da beleza é um grande leque de ideias e oportunidades. Olha que não estou falando apenas de salão de beleza, como também na criação de cosméticos. Movimenta mais de R$ 38 bilhões, mesmo com todos os impactos que as crises econômica e política causaram no comportamento de consumo dos compradores.

O Brasil hoje ocupa o quarto lugar no ranking mundial dos que mais crescem no segmento. E esse crescimento tem sido representativo não só na venda de produtos, mas também nos serviços correlacionados ao mercado. 

Sabendo disso, a produtora de eventos Fafá Medeiros anualmente faz uma feira chamada Natal Hair, que neste mês de agosto chegou em sua 18ª edição na capital potiguar. A ideia de divulgar este mercado, surgiu após uma mudança de vida.

“Sou formada em Comunicação Social. Cheguei a trabalhar em vários lugares, como bancos. Nos anos 90 eu tive um câncer e fiquei me sentindo terrível, muito feia mesmo. Então, eu resolvi ir ao salão e as pessoas me atenderam muitíssimo bem, além de sair me sentindo linda e poderosa. A beleza não é só questão de estética, mas também faz bem para saúde e mente. Por isso no evento quero promover não só os cabelereiros, unhas e produtos; ofereço aulas de zumba, dicas de saúde e procedimentos estéticos, pois tudo faz parte de um mesmo ciclo.”, disse a organizadora, no qual “comemora” o sucesso e o “poder de ajudar as pessoas”.

O evento, que durou dois dias, expôs trabalhos de artistas locais e internacionais, além de palestras e workshops.

O jovem cabelereiro Victor Venâncio esteve pela primeira vez com o objetivo de saber as novidades e conhecer um pouco mais da profissão. “O que mais gosto de trabalhar com a beleza é fazer com que a mulher se sinta empoderda após o meu trabalho”, relatou.

A produtora Fafá Medeiros organiza o evento há 18 anos (Fotos: Lara Paiva)

O que tinha de interessante para observar no Natal Hair?

Quando pensei em cobrir o Natal Hair, achava que seria um evento caro, mostrando produtos inatingíveis e o público-alvo seria a galera abastada da zona Leste da cidade. Porém, eu vi gente da terra, vendendo produtos de salão genuinamente nordestinos e um pessoal participando não só para divulgar o seu trabalho, como também estimular aqueles que estão sem emprego e querem uma oportunidade de crescer, principalmente vivendo nas regiões periféricas.

“Muitos dizem que a minha feira é para pessoas populares. Não importo com isso, gosto de mostrar e todas as classes consomem o mercado da beleza”, comentou a Fafá, que estava o tempo todo falando com os visitantes e “botando ordem” na sua feira.


Madrinhas dos Barbeiros

Boa parte do evento foi dedicada aos barbeiros

Um dos orgulhos dela é mostrar que ajudou a crescer o mercado da barbearia da cidade, no qual dedicou boa parte das atividades do Natal Hair para este ramo, como a Batalha de Barbeiros e Workshops no palco principal sobre o assunto.

“Me chamam de madrinha dos barbeiros e é uma classe que vem crescendo na cidade, muito unida e sempre dispostos em ajudar o próximo. Homens e mulheres estão cortando cabelo com eles. Além disso, tem muita mulher trabalhando com isso.”.

A Cíntia Gomes é uma das mulheres barbeiras que participou da 18ª edição do evento e vem de uma tradição familiares. Gomes gosta de seu trabalho e mostra que o machismo não tem vez. “Assim como os homens têm o direito de trabalhar como cabelereiros, nós mulheres podemos trabalhar como barbeiras. Nós queremos mostrar que há igualdade.”.


Vale Tudo para mostrar as novidades

Além dos barbeiros, o espaço era ideal para comprar novos acessórios para salão de beleza ou conhecer aquele produto inovador, como um creme que ajuda a descolorir o cabelo. Em cada estande havia um profissional mostrando as suas atividades aos participantes, que estavam filmando todos os detalhes no celular.

A parte que mais chamava atenção era parte das mechas, todo mundo queria saber como descolorir e pintar o cabelo sem danificar os fios. A jovem Maria Luiza, por exemplo, foi convidada por uma empresa a pintar seu cabelo no evento. “Não quis me ver no espelho, pois gosto da surpresa. É a minha primeira vez, nunca tinha feito nada e vou logo começando nas mechas, espero que fique lindo e não estrague no futuro, mas confio no trabalho do profissional”, relatou.

Lá valia tudo para chamar atenção dos futuros compradores, desde fornecer uma promoção de 14 reais para uma tinta de cor fantasia até um carrinho de pipoca (que estava gostosa, por sinal). O que vale é o carisma. Além disso, tinha panfletos de todos os tipos desde salões de Natal, promoções de chapinhas até de cirurgia de implante capilar.

Pipoca gostosa!

Na parte das unhas, a tendência era fazer unha em gel, uma ótima forma de substituir aquela unha postiça e saber se era possível fazer em casa. Lá vendia todos os produtos relacionados, era uma estante cheia com lixas, tintas e dentre outras coisas.

Para quem não sabe, é um processo de alongamento de unhas existe desde o início dos tempos, mas as feitas com o gel são as mais tecnológicas e avançadas, criando próteses idênticas a nossas unhas naturais, além de preservarem a integridade delas. O artista Rony veio do Peru e atualmente mora em Vitória (ES), porém estava em Natal, fazendo com que a mulherada disputasse para ter uma unha bonita por ele.

Apesar do preconceito do fato dos homens trabalharem como manicure, ele disse que ama o seu trabalho e é gratificante deixar o seu trabalho nas mãos de diferentes das mulheres. “Trabalho há seis anos e começou como uma proposta de emprego, porém a medida que o tempo passou eu tive interesse pela área. Gosto de fazer com que as unhas sejam uma obra de arte.”.

Todo esse relato e volta neste mundo de cabelos e cosméticos foi feito com a vista do mar da praia de Ponta Negra ao fundo. Que disputa difícil!

Confira as fotos completas a seguir:

[metaslider id=”22197″]

Moça, você sempre vai ter idade de usar cabelo colorido

Hoje, o meu cabelo é verde. Amanhã não sei. Só sei que gosto destas mudanças, uma forma de externar que o meu mundo não é tão trevoso assim. A minha primeira representação de ter cabelo colorido foi com Penélope, a repórter do Castelo Rá-Tim-Bum, eu queria ter daquele tom. Mas, as propagandas da Velaton,nos anos 90, só apresentava tons de vermelho, preto ou loiro. Achava um máximo minha mãe ou tia com as tintas no cabelo. Sempre queria pintar o cabelo, estava cansada daquele castanho escuro quase preto. Adorava ver aqueles roqueiros da MTV com cabelo colorido, apesar de não saber como pintava. Só ouvia frases como: “Eles são loucos ou engraçados”, “Isso é peruca, impossível de fazer” ou “Você não é artista, mulher”.

A infância acabou e a adolescência veio com cheios de questionamentos, a vontade de querer mudar e mostrar o que sinto através da pele e na aparência. Primeiramente, foi com maquiagem, depois os piercings e claro que viria chegar no cabelo. Spray de carnaval e papel crepom não me contentava. Neste período o fotolog bombava, a moda emo e os myspace com os cabelos pintados de vermelho, magenta e rosa. Era uma era pré-Tumblr. Não queria essas cores, queria uma cor diferente, porque tinha síndrome do underground e odiava modinha.

Após juntar alguns meses de mesada, finalmente pintei o cabelo de azul, apesar dos meus pais e o ex-namorado da época dizendo que ia ficar feio. Eu tinha curtido, era uma forma de mostrar a minha personalidade e o que pensava. Enquanto isso, o pessoal da escola tentava de todas as formas fazer bullying, desde jogar papel crepom de azul no meu cabelo ou meninas padrão descobrindo meu MSN (Whatsapp nem existia!) para esculhambar, me chamando de “tosca” ou “rídicula”. Seria hipocrisia dizer que não ficava encabulada pois chorei várias vezes e tinha vontade de desistir. Mas, a voz da consciência dizia que eu devia ser forte e resistir.

No final, nem deu certo, cansei do azul, porque não tinha paciência para manutenção (ninguém conta isso, não é?) e as tintas não duravam nem um mês exatos. Naquela época o preço de uma tinta de cabelo fantasia da Alfaparf era o dobro de um Koleston.

Sem contar que as informações que conseguia coletar era através de comunidades do Orkut.

Foi assim que coloquei a tinta vermelha na parte descolorida e com pontas vermelhas. Porém, eu tinha feito relaxamento para deixar os cabelos ondulados e tinha feito descoloração em poucos meses. Ainda tinha a falta de paciência para manter a cor do cabelo e fazer hidratação, claro que aconteceu um corte químico. O que seria isso? É quando o cabelo é cortado por conta dos cosméticos.

Resultado? Eu tive que cortar o cabelo bem curto.

Penélope, minha primeira inspiração

Após meses de cabelos curtos, comecei a pintar o cabelo de preto, para deixar mais escuro que já era e isso durou até o início da faculdade, quando vi que estava na hora de destacar alguma coisa em mim e tive a ideia de fazer mechas vermelhas.

As pequenas mechas cresceram e após descobrir como faz para pintar o cabelo de vermelho, quando uma amiga falou que colocava água oxigenada de 30 volumes que aumenta três tons do cabelo. E deu certo. Tanto que me formei com um cabelo vermelhão.

Fiquei dois anos deixando o vermelho sair para meu cabelo voltar a cor natural e assim voltei a moda dos cabelos coloridos, ficando aqui meu cabelo de unicórnio

Veja as minhas mudanças capilares nos últimos 10 anos:

[metaslider id=”19016″]

Neste período, eu cresci pessoas dizendo que não tinha idade para pintar o cabelo desta forma (tenho 24 anos), homens não gostam de mulheres que não são naturais e que devo ser doida para deixar meu cabelo como um eterno carnaval. Sem contar que sempre perguntam se os meus pais tinham autorizado de fazer e o que eles opinavam.
A sorte que sempre tive família que tinha liberdade de pensamento, onde mesmo que não concordasse comigo, eles deixariam que tivesse a minha personalidade ou opinião. Algo que muitos jovens da minha idade, mesmo empregados e tendo uma vida de sucesso, eles ainda estão angustiados por viver em padrões estabelecidos na mídia.

Antigamente, os cabelos coloridos eram poucos representados e somente quem acessava mídias alternativas, como as citei acima, podia ver sobre os cuidados no cabelo ou tendências. Agora, a gente pode ver personagens de séries, novelas e digital influencers que estão deixando as suas cabeças mais coloridas e estimulando mais pessoas a abrir o coração. Sem contar que os produtos para esta área cresceram bastante, você pode encontrar numa loja de cosméticos mais perto de sua casa, do que comprar em um site estrangeiro.

Se você quer pintar seu cabelo colorido, não ligue para as opiniões e mergulhe de cabeça neste mundo.