Esta foto mostra as primeiras eleitoras de Natal

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Falar de eleição e mulher no Rio Grande do Norte está tudo relacionado, visto que a primeira mulher a votar era da cidade de Mossoró, em 1927, numa época que era considerado proibido. O Brasil obedecia a Constituição de 1981, no qual dizia que era considerado um eleitor “os cidadãos maiores de 21 anos”, que se alistassem na forma da lei. A brecha da lei não específica o gênero, podendo se encaixar muito bem como cidadão ou uma cidadã. Ou, o substantivo cidadãos pode se referir a um grupo que tenha homens e uma mulher.

Durante o ano de 1921, o Senadso chegou a discutir o projeto de autoria do  Justo Chermont dispondo sobre a capacidade eleitoral da mulher, maior de 21 anos, admitindo, assim, que uma lei ordinária poderia consagrar o direito político da mulher. O projeto Chermont, no entanto, não logrou ser convertido em lei, como não chegara a ser discutido projeto, apresentado em 1917, por Maurício de Lacerda, no mesmo sentido. Mas, no plano estadual, o Rio Grande do Norte iria se antecipar à União, notabilizando-se com o pioneirismo na concessão, por lei, do direito de voto à mulher.

O ano era 1927, quando a professora da Escola Normal de Mossoró, Celina Guimarães Vieira, ficou conhecida como a primeira mulher brasileira a votar.  O juiz interino da comarca, à vista de seus documentos, logo determinou sua inclusão na lista geral de eleitores, para gáudio do Jornal do Município que, em manchete de 4 de dezembro de 1927, proclamava: “Mossoró sempre à vanguarda dos grandes e nobres cometimentos.”.

Nos anos seguintes, outras professoras, também seguiram os passos de Celina. De acordo com o site do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), um pequeno opúsculo, chamado “Os direitos políticos da mulher” (Natal: Imprensa Oficial, 1928), reúne três desses processos, que permitiram o voto a professoras, a primeira, de matemática, na Escola Normal de Natal, a segunda, auxiliar de puericultura, na Escola Doméstica daquela capital, e a terceira, particular, do Município de Acari.

No ano seguinte, 20 eleitoras se inscreveram no RN. Mas, somente estas 15 da foto acima votaram na  eleição de 15 de abril de 1928, em que José Augusto Bezerra foi indicado senador, na vaga aberta com a renúncia de Juvenal Lamartine, eleito governador daquele estado.

Na foto estão  Júlia Alves Barbosa, Concita Câmara, Júlia Augusta de Medeiros, Maria de Lourdes Lamartine Varela Santiago, Maria Carolina Vanderley e outras que não foram registradas, mas faz parte de um momento histórico no Rio Grande do Norte.

Atualemente, esta fotografia está registrada no Arquivo Nacional.

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