Enquanto o acervo do Novo Jornal é salvo, ex-funcionários recebem calote

O Novo Jornal surgiu no final dos anos 2000 e foi desenvolvido por Cassiano Arruda Câmara após a sua demissão ao Diário do Natal, quando o impresso passou por reformulações drásticas e boa parte dos jornalistas saíram da redação. O vespertino era conhecido por matérias rápidas e uma diagramação mais dinâmica, diferente dos impressos tradicionais. Além disso, apresentou diversos novos jornalistas do mercado, fazendo com que as vagas de estágio para lá fosse disputada a tapa pelos discentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Mas o jornal passou por diversos problemas financeiros, fazendo com que no ano de 2014, o Arruda Câmara vendesse parte do seu jornal para o grupo Ritz G5 e a edição impressa deixou de circular em outubro de 2017.

Porém, desde o mês de junho, os funcionários demitidos alegam que o acordo prometido pelos proprietários foi descumprido.

Com representação do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte (Sindjorn), eles abrirão um processo para receber as verbas recisórias, como férias e salários. Inicialmente foi acordado que a primeira parcela da dívida seria paga a partir de abril, seis meses após o fechamento do jornal. Porém, eles foram comunicados que o dinheiro não seria pago.

“Após aceitarem abrir mão de juros e correção monetária, aceitarem parcelar em até oito vezes os valores a receber e permitirem que a primeira parcela fosse efetuada somente seis meses após o processo de encerramento do jornal, em outubro de 2017 (alternativa colocada pela empresa como única possibilidade de negociação), os jornalistas viram o pagamento das verbas rescisórias ser suspenso com menos de 50% da quitação prevista. O acordo foi feito com mediação do Ministério do Trabalho. E o descumprimento, comunicado ao grupo de jornalistas neste mês”, disse os jornalistas em carta aberta ao público.

O acontecimento do Novo Jornal mostra que o jornalismo nunca foi levado a sério e que na visão empresarial, os repórteres são os “assessores de imprensa dos seus interesses”. Quando os mesmos não “tem mais serventia”, estes são tratados piores que um lixo. Enquanto isso, o Rio Grande do Norte possui um dos piores pisos salariais da categoria e conta-se nos dedos quais redações (impresso, mídia digital, assessoria ou rádio) que pagam mais que 1500 reais ou fornece auxílio-saúde e vale-transporte.

Sem contar que além dos repórteres também devem para motoristas, área comercial e dentre outros trabalhadores.

Publicado em um blog, os jornalistas desabafaram sobre o acontecimento. Confira a carta dos ex-funcionários a seguir:

É com tristeza que denunciamos mais um duro golpe contra a atividade profissional regular de Jornalistas no Rio Grande do Norte. Os mais de 20 profissionais demitidos do NOVO Jornal que aceitaram proposta da empresa para receber de forma parcelada as verbas rescisórias, em um acordo claramente desvantajoso para os trabalhadores, foram prejudicados pelos sócios do jornal.

Além de tomar todas as medidas judiciais cabíveis, o grupo está tornando o caso público e procurando todos os órgãos de investigação e fiscalização para obter auxílio no processo de busca pela transparência de informações, sobretudo no tocante ao funcionamento do sistema de transferência de recursos vindos do exterior, modelo sistematicamente alegado pela empresa para justificar as inúmeras intercorrências dos pagamentos desde o final de 2014 (ano em que o grupo empresarial assumiu o jornal).

Os profissionais têm informações acerca da presença das empresas RitzG5, do ramo imobiliário, de seus diretores Luiz Matida e Fernando Lessa, gerente comercial da RitzG5, que assinava o expediente do jornal como Fernando Laudares, e do advogado e professor André Elali na organização, elaboração e no comando do arranjo empresarial que resultou na aquisição do NOVO Jornal das mãos do jornalista Cassiano Arruda Câmara, em 2014. Cassiano Arruda Câmara criou a Anote, razão social da empresa que publicava o NOVO Jornal, em 2009.

Até bem pouco tempo a Ritz era associada à construtora G5, do empresário Sami Elali. Intitulava-se RitzG5. O advogado José Henrique Azeredo também foi apontado pelo comando como responsável pela empresa durante a transição.

Todas estas informações embasarão a série de medidas que os jornalistas começaram a tomar.

Após aceitarem abrir mão de juros e correção monetária, aceitarem parcelar em até oito vezes os valores a receber e permitirem que a primeira parcela fosse efetuada somente seis meses após o processo de encerramento do jornal, em outubro de 2017 (alternativa colocada pela empresa como única possibilidade de negociação), os jornalistas viram o pagamento das verbas rescisórias ser suspenso com menos de 50% da quitação prevista. O acordo foi feito com mediação do Ministério do Trabalho. E o descumprimento, comunicado ao grupo de jornalistas neste mês.

Os profissionais vítimas do descumprimento do acordo estão recebendo apoio de colegas e entidades, como o Sindicato dos Jornalistas do RN, que está dando todo o suporte ao grupo na ação trabalhista.

É de se lamentar que, além da crise que afeta o setor, profissionais ainda sejam vítimas de um golpe só comparável à exploração de má-fé.

O Jornalismo passa por uma série de transformações, mas não concordamos que em nome delas seja justificado o desrespeito ao profissional. Ao contrário, mais do que nunca a sociedade precisa da mediação jornalística para dar vez e voz às diversas conflagrações, sobretudo as potencializadas pelas redes sociais.

Dentro desse contexto, pedimos apoio à luta dos trabalhadores demitidos do NOVO Jornal como algo que importa não só a eles, mas a toda uma classe, fundamental para a democracia e para a sociedade manter-se informada com profissionalismo e honestidade.

Jornalistas demitidos do NOVO Jornal.

Enquanto isso, o acervo impresso do Novo Jornal é administrado pela UFRN

Reitora Ângela Paiva e Cassiano Arruda Câmara assinando o documento que garante que o acervo do Novo Jornal ficar dentro da UFRN (Foto: Agecom)

O acervo jornalístico do Novo Jornal foi doado oficialmente à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na manhã desta segunda-feira, 18, em sessão solene de assinatura, na Sala dos Colegiados Superiores. A cessão do material visa o armazenamento adequado do imprenso e a melhoria de acesso do conteúdo digitalizado à população.

A reitoria Ângela Maria Paiva Cruz agradeceu ao proprietário do Novo Jornal e professor aposentado do curso de Jornalismo, Cassiano Arruda Câmara, por ter escolhido a UFRN para doar o acervo, especialmente no momento em que a instituição de ensino comemora 60 anos. A gestora lembrou que o trabalho de arquivamento dos exemplares do periódico foi viabilizado devido ao trabalho da Universidade junto aos senadores Fátima Bezerra, Garibaldi Alves e Agripino Maia e aos deputados federais Rafael Motta, Rogério Marinho e Zenaide Maia, por meio de emendas parlamentares.

Com a cessão do acervo, o material online ficará no repositório do Laboratório de Imagens (Labim) da UFRN, plataforma aberta para consulta, e o acervo físico, em suporte de papel, já está sob a guarda do Laboratório de Restauração e Conservação de Livros e Documentos Históricos (Labre).

Além do Novo Jornal, que começou a circular em 17 de novembro de 2009 e teve a última edição impressa em 27 de outubro de 2017, a UFRN também é responsável pelo processo de documentação do Diário de Natal, que foi veiculado no período de 18 de setembro de 1939 até 2 de outubro de 2012.

Por que chamamos toca-discos de Vitrola?

Durante os dias de Cine Fest RN, em Natal, houve uma exposição de diversos objetos antigos no terceiro piso do Midway Mall. Lá havia um aparelho de Gramophone, da marca Victor, e discos produzidos de goma-lasca de Nelson Gonçalves, que está na foto acima do título. Então veio curiosidade para saber a origem deste instrumento legal. E também sabero porquê de se chamar vitrola. Então, fui pesquisar na internet.

Antes de falar da vitrola, precisamos falar do gramofone, que foi uma invenção do alemão Emil Berliner de 1888, que servia para reproduzir som gravado utilizando um disco plano, em contraste com o cilindro do fonógrafo de Thomas Edison. Ela É um disco giratório coberto com cera, goma laca, vinil, cobre, entre outros onde são gravadas por uma agulha, as vibrações de um som emitido e afunilado em uma corneta, interligada a uma lâmina (membrana) que sustenta a agulha. Com a emissão do som o ar movimenta-se vibrando a lâmina que faz a agulha riscar em forma de ondas a superfície do disco que está girando.

É interessante notar que nos primeiros gramofones, o acionamento era puramente manual de forma que quando em movimento, através de uma manivela, o disco deveria girar em 70 rotações por minuto. Esta velocidade foi inicialmente indicada pelos fabricantes por dar maior fidelidade e tempo de execução uma vez que os primeiros discos tinham aproximadamente 2 minutos de duração. Posteriormente a rotação oscilou entre 74 e 82 rpm até que finalmente a velocidade passou para o meio-termo de 78 rpm.

Mas, qual é a diferença? Na verdade nenhuma!

Em 1913, começam a ser feitas as primeiras tentativas para substituição do sistema de acionamento mecânico por um motor elétrico. Entretanto, no princípio esta inovação foi lenta e onerosa devida ainda à insipiência do fornecimento de eletricidade nas cidades como do próprio custo dos motores elétricos. Em 1925, a Victor Talking Machine Company, nos EUA, introduz no mercado o sistema “ortofônico”. Era uma avançada tecnologia em reprodução sonora consistindo na substituição dos antigos diafragmas com membranas de mica, por um material de maior resiliencia, como o Alumínio.

No setor de amplificação os aparelhos apesar de serem ainda de origem acústica usavam agora da chamada corneta dobrada exponencial.

O nome Vitrola é uma referência à Victrola, uma marca registrada do gramofone da Victor Talking Machine Co. Segundo declarado na época pelo fabricante, o nome “tinha um som sugestivo de música”. Mais tarde, no Brasil, a palavra passou a ser empregada como sinônimo. Algo parecido com a lâmina de barbear, no Brasil muita gente conhece o instrumento como gilete.

Depois vieram vários modelos de Victrola, até chegar ao modelo de 1925. Consiste de uma base que acomoda o prato circular, que gira no sentido horário acionado por um motor elétrico, com um pino central onde se deposita ou encaixa o disco (uma espécie de “ferro” no caso de ser um modelo automático); à direita existe um braço pivotante contendo, na extremidade, uma cápsula fonocaptora e agulha para se fazer a leitura dos microssulcos do vinil.

Para se ouvir o disco, desde o início, a agulha é colocada na borda externa do disco. As velocidades de rotação do prato podem ser de 16, 33 e 1/3, 45 ou 78 RPM, dependendo do modelo do toca-discos e do disco que será tocado.

A Victor Talking Machine Co foi uma das primeiras gravadoras dos Estados Unidos, resultando da fusão da Berliner Gramophone com a Consolidated Talking Machine.

A Victor foi uma das empresas líderes do mercado mundial de fonogramas até que a grande depressão em 1929 trouxe problemas ao setor e levou a sua fusão com a Radio Corporation of America, dando origem à RCA Victor.