Pesquisadora analisa diários de cuidadores de idoso de Currais Novos para discutir a velhice no Brasil

Utilidade Pública
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O termo diário vem do latim diarium, que significa registro. Por muito tempo, as pessoas faziam anotações em cadernos ou agendas para falar sobre suas experiências pessoais, no qual muitas vezes estes documentos foram utilizados como pesquisa para entender a personalidade de certas pessoas. No campus de Currais Novos, no Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por exemplo, um grupo de pesquisadores estudam as anotações de cuidadores de idosos para saber como os profissionais tratam as pessoas da terceira idade.

O interesse em analisar a prática dos cuidadores de pessoas idosas surgiu de uma demanda social, que é o envelhecimento da população brasileira, no qual há registros sobre maus tratos de idosos, discussões sobre a longevidade da população brasileira e programas de políticas públicas voltadas para essa faixa etária. A pesquisa foi desenvolvida pela professora Ana Maria Paz.

Para verificar o tratamento dado aos idosos, foram reunidos cadernos de registros utilizados por cuidadores. “É um trabalho de natureza documental. Nós reunimos os registros e vamos trabalhar no que está posto nos escritos, estudar como eles se organizam em termos estruturais, conteúdo e estilo. Além de avaliar os termos mais utilizados e as escolhas linguísticas”, explica a coordenadora em entrevista para o site da UFRN.

Na foto acima, por exemplo, está uma das cuidadoras de idosos que está participando do projeto, cujo objetivo é identificar a forma como os idosos estão sendo tratados pelos profissionais a partir da análise dos registros textuais

A pesquisadora acredita que além de estudar o tratamento dado aos idosos, a análise dos textos permite ter um retorno sobre a formação das pessoas que completam cursos técnicos e universitários. “Os profissionais são lançados no mercado, mas depois não há um resgate sobre o que eles estão fazendo. Estudar a produção escrita é uma maneira de acompanhar e de avaliar como a formação está sendo implementada na prática”, defende Ana Paz.

Os textos que compõem a pesquisa foram produzidos por dois cuidadores. Um deles é formado em Enfermagem e o outro tem experiência na área, mas não tem formação específica. “Vamos observar para ver o que há em comum entre os dois registros”, descreve. A estudante Milana Sayonara Gomes da Silva é uma das integrantes da pesquisa. Aluna do 7º período da graduação em Letras do Ceres Currais Novos, a universitária atua na análise dos textos. “Além do processo de formação acadêmica, tenho um interesse pessoal pela pesquisa, porque minha mãe é cuidadora de idosos e isso amplia a minha visão sobre a prática profissional”, conta Milana Sayonara.

Especialista em estudos de Letramento Profissional, a coordenadora da pesquisa Ana Maria de Oliveira Paz é responsável por uma série de trabalhos ligados à escrita após a formação profissional. “A Universidade prepara as pessoas, mas pouco se estuda acerca do que elas fazem após a formação. Nossas pesquisas mostram o que os profissionais escrevem quando estão em atividade. Há muitas práticas de escrita nos diferentes domínios. Nosso foco é estudar esses textos e valorizá-los”, afirma.

A pesquisadora conta que teve contato com a escrita profissional no Doutorado, quando estudou o que enfermeiros e técnicos de enfermagem escreviam durante seus turnos de trabalho. “A partir disso, fui seduzida pelo letramento profissional. Percebi que não havia uma preocupação nas pesquisas com essa área. Depois desenvolvi estudos com condutores de veículos, agentes comunitários de saúde e profissionais do judiciário”, relata.

Por meio de suas pesquisa, Ana Paz pretende ampliar as discussões e a reflexão sobre os estudos de letramento. “A escrita é uma tecnologia indispensável. É fundamental às atividades humanas nos diferentes segmentos sociais”, analisa.

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