Campus Party Natal

Não Salvo: A arte de ganhar dinheiro com trollagem

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Maurício Cid se considera um dinossauro da internet e na noite deste sábado (14) realizou uma palestra para falar sobre sua carreira e do blog Não Salvo, na Campus Party, que tem mais de um milhão de acessos diários. Assim como eu, o Cid nasceu em primeiro de abril. Não sei se foi destino ou ironia do destino, a pessoa que nasceu no tão considerado dia da mentira está ganhando dinheiro  na internet com trollagem. Afinal, o que é uma trollagem? Trollar é uma gíria da internet que significa zoar, chatear, tirar o sarro.

Consiste em sacanear os participantes de uma discussão em fóruns da internet, com argumentos sem sentido, apenas para enfurecer e perturbar a conversa. O termo se refere ao Troll, personagem mítico da cultura Nórdica que tinha função de ser estúpido.

Acredita-se que o termo “troll” tenha surgido na Usenet (sistema de troca de informações em rede). O troll era o usuário que sistematicamente entrava nos fóruns para provocar os participantes.

Cid começou na internet no finado Orkut (primeira rede social de muita gente), quando chegou a criar mais de 1000 comunidades com os nomes mais bizarros possíveis, juntas reunia cinco milhões de pessoas. “Eu lembro que apareci numa matéria do Fantástico como perfis politicamente incorreto, tinha conteúdo neonazista, pedofilia infantil, briga de torcidas organizadas de futebol e a minha, porque tinha o nome de: ‘A noite é uma criança e eu sou o Michael Jackson’. Minha mãe ficou muito chateada comigo”, disse Cid, provocando risadas na plateia com seu humor bem pesado. Era comum dizer frases como: “Quem conhece o Não Salvo levanta a mão, só não levanta quem não tem.”.

Depois da repercussão do Orkut, ele foi expulso da rede social por comportamento indevido e resolveu criar um próprio site, no qual pudesse colocar o seu conteúdo sem restrição, nascendo assim o Não Salvo.

Apesar de tudo, nós temos que concordar com uma coisa: Ele realmente sabe o que é internet e como funciona o esquema, principalmente na parte de engajamento orgânico. “Os brasileiros se unem na internet quando é para zoeira”, disse Cid, no qual algumas trollagens feitas por ele já foi repercutida internacionamento. Quem lembra do aplicativo Tubby? A enquete da Anitta fazer show no Acre? Da Coreia do Norte ter dito que ganhou a Copa do Mundo de 2014? E do Cala a Boca, Galvão? Alguém lembra quando ele disse ao pai usar o Twitter alegando que era o Google?

“Uma vez eu fui ao programa de Marcelo Adnet na Globo e ele mencionou a história do Cala a Boca, Galvão na frente de Galvão Bueno. Depois, ele foi me procurar no camarim perguntando se era verdade ou se era um ator dizendo que fez isso. Claro que respondi que sim, eu era um ator”, comentou Cid sobre a oportunidade de trollar um pouco mais o jornalista, conhecido por narrar eventos esportivos.

A zoeira de Cid é tão grande, que a plateia fica “a vontade” para fazer piadas, principalmente na parte de fazer perguntas. Mas, ele não se incomoda com isso. “As pessoas têm que entender que ou você entra na zoeira ou fica rídiculo. Afinal, é apenas uma brincadeira. É assim que funciona a internet. Não dá para remar contra a maré”, explicou durante o bate-papo, no qual citou o exemplo de Nissin Ourfali, um jovem de 13 anos que fez um vídeo para comemorar seu Bar Mitzvah, uma importante comemoração judia. O conteúdo contava a história do garoto em cima de uma paródia da música “What You Makes Beautiful”, da boy band One Direction.

O pai de Nissim resolveu então postar o vídeo no YouTube, para que outros parentes do garoto pudessem ver a homenagem. Porém, o vídeo foi encontrado por Cid e ele postou no Não Salvo, no qual milhões de pessoas visualizaram e vários memes surgiram. Por conta da repercussão, os pais do garoto procesaram o Cid.

“No tribunal falei que o vídeo não foi hackeado ou invadido, foi postado por livre e espontânea vontade, tinha o direito sim de compartilhá-lo. Se ele (o pai) não quisesse o vídeo, que não colocasse de modo público. Eu ganhei na Justiça e o Google não”, relembrou Cid, que alegou já ter mais de 21 processos. “Eu já sou muito amigo do delegado do Butantã, de tanto receber processo.”.

Apesar dos processos, ele também conseguiu coletar bons frutos e particpar de comerciais e arranjar patrocinadores para o site por conta da sua zoeira. “Uma vez fui zoar o desodorante Axe e eles gostaram tanto da tiração de sarro, que eles colocaram depois um banner no meu blog.”.

Apesar de ser zoeiro, ele garante que evita denegrir a imagem da pessoa e muito menos criar calúnias. “Eu recebo muitos e-mails de sugestão de leitores, alguns são tão bizarros que é quase uma deep web. Conteúdos escortos e que realmente não vale a pena de ser colocado. Tem gente que adora criar Fake News para acabar com a integridade das pessoas e eu não concordo com essa ação. A gente já discute sobre a criação de notícias falsas, desde 2013, quando fui convidado para Campus Party de São Paulo para falar do assunto.”.

Cid também comemora pelo fato de ser um grande caça-talento de celebridades na internet, visto que descobriu o Mc Bin Landen, a música “Sou Foda e dentre outras atividades.

“Devia trabalhar como agente de celebridade (risos).”.

O paulista natural de Santos pode ser considerado um empresário de sucesso com um portal de 23 blogs que gera, em média, 27 milhões de acessos ao mês. Além disso, ele tem um podcast chamado “Não Ouvo”, no qual ele gravou uma edição no palco principal da Campus Party em Natal.

Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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