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“Empoderamento é uma questão de tempo”, afirma Alice Carvalho

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Com um lenço vermelho, Alice andava pelo Espaço Duas, alegremente, mais um trabalho tinha nascido. O livro “A Princesa Empoderou”, da atriz Alice Carvalho, aborda temas como feminismo e homofobia fazendo bom uso do humor, sarcasmo e indignação com crônicas curtas, mas bem sagaz. “Mostra de forma bastante crua a forma como penso sobre o cotidiano”.  Com 21 anos, além do trabalho literário, ela tem a peça “Do Amor”, que rendeu a primeira obra literária, virou protagonista da série premiada “Septo” e ainda fez o monólogo chamado “Inkubus”, que denuncia a violência contra mulher.

O lançamento aconteceu no Bazar Independente, parceria do selo Jovens Escribas, onde publicou as suas obras, e o Espaço Cultural Duas. A crônica que dá nome ao livro é uma sátira que conta a história de uma atriz que interpreta princesas de contos de fadas. Ela liga para o seu patrão “Sr. Valdisney” e desabafa sobre como sofre nas mãos dos produtores do estúdio.

O empoderamento surgiu através do trabalho, do avô com mente aberta, e, principalmente, por não desistir de ser atriz após sucessivos testes de elenco sem sucesso. Como não se encaixava nos papeis disponíveis, a potiguar, ainda adolescente, percebeu que para ir atrás de seu sonho seria preciso criar os próprios trabalhos. “É uma reação em cadeia. Cada uma tem o seu tempo. Eu, por exemplo, descobri o feminismo há três anos e ainda falta muita coisa para desconstruir. Para mim o empoderamento feminino é uma questão de tempo, não sei dizer ainda se estamos andando em passos curtos ou largos, mas acredito que está saindo”, comemorou.

Ainda faz um mea culpa por ter tido comportamentos machistas, mas ao mesmo tempo tenta compreender o porquê de algumas mulheres ainda serem machistas. “Antes eu dizia que não era feminista, pois achava que era o contrário do machismo. Acho que é uma das barreiras que as mulheres ainda não engajam no movimento político.”.

A foto de Alice para o projeto O Ser de Luana virou capa do livro

Ao ser questionada se já conseguiu empoderar o suficiente, ela prontamente disse que não e ainda está em um aprendizado constante. “Ainda posso emitir algumas atitudes consideradas machistas, afinal ainda estamos em um processo de desconstrução”, contou em entrevista ao Brechando, no qual apontou que “muitos comportamentos machistas reproduzidos por mulheres vem da criação de uma sociedade patriarcal”.

Perto de lançar a segunda temporada de Septo, Alice Carvalho disse que não se preocupa pelo julgamento alheio por conta da personagem, uma triatleta que se apaixona por outra mulher. “Quando vou interpretar algum personagem, independente de suas características, eu mergulho de cabeça. Se é para beijar mulher, eu vou beijar. Não me preocupo com o que os outros vão dizer. O empoderamento começa a partir daí”, disse diretamente.

De acordo com a atriz, personagens como a Jéssica, precisam ser cada vez mais apresentados nas novelas, séries, filmes e dentre outros produtos midiáticos, como uma forma de outras mulheres possam se identificar e sentir representadas. “O que precisa estimular para criar o empoderamento é desenvolver as representatividades do nosso cotidiano, através de produções midiáticos. Queremos aquelas mulheres do cotidiano, que não estão sendo retratadas. Precisa ter na produção mulheres nordestinas, LGBT e dentre outras”

Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista e publicitária formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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