Forte dos Reis Magos volta a ser administrado pelo Governo do Estado

Após nos últimos cinco anos ser administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan), a Fortaleza (também conhecido como Forte) dos Reis Magos volta a ser administrado, na próxima quinta-feira (15), pelo Governo do Estado, através da Fundação José Augusto (FJA).  A transferência administrativa será feita através de um evento solene com a assinatura dos representantes dos respectivos órgãos citados.

Pelo termo de cessão do equipamento, celebrado entre a FJA e o IPHAN por um período de 20 anos, caberá ao Governo do Estado conservar o imóvel, respondendo por todas as despesas de uso, guarda e preservação, seguindo as orientações do órgão federal.

Agora o Estado será responsável pela reforma do local, que se arrasta há um bom tempo. Desde 2013 estava sob a gestão do IPHAN, a reestruturação terá obras de restauração de piso, teto e acessibilidade, através de investimentos em torno de R$ 5 milhões a partir dos recursos estaduais. O monumento é um dos mais visitados pontos turísticos de Natal. A edificação conta um pouco da história da capital e de todo o estado do Rio Grande do Norte. Construído para proteger Natal ainda na época de sua colonização, a fortificação está localizada na Praia do Forte.

A construção, que demorou 30 anos, foi concluída em 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis.

A Fortaleza foi tombada em 1949 e esteve sob administração da FJA até 2013. Uma grande intervenção para a conservação foi realizada em 2005 com recursos do IPHAN.  Em 2013 a gestão foi transferida para a União.

Durante a gestão do IPHAN, o Superintendente Regional Armando Holanda, articulou a devolução do equipamento ao Governo do RN, devido a reduzida estrutura do órgão federal para a administração da Fortaleza. Na oportunidade, o projeto de restauração estava pronto e aprovado pelo IPHAN, cujas sucessivas mudanças na direção do órgão retardaram a transferência que agora se concretiza.

Dia da poesia: Castro Alves, o homenageado que lutou contra escravidão

Para alguns 14 de março é considerado no Brasil o Dia Nacional da Poesia (oficialmente é novembro). Por quê? Uma forma de homenagear um dos maiores nomes da literatura brasileira, o Castro Alves, que flertou com o romantismo e realismo; sem contar que foi um dos grandes defensores da libertação dos escravos.

Seu nome é Antônio Frederico de Castro Alves. Nasceu em Curralinho, no dia 14 de março de 1847. Sua mãe, Clélia Brasília Castro, morreu quando o poeta tinha dois anos.

No colégio, por sua vez, teve acesso aos primeiros gênios literários e começou a frequentar aos eventos de artes e saraus, além de escrever os primeiros versos.

Castro Alves no início de sua carreira como poeta

Com o segundo casamento do pai, Antônio José, se mudou para Recife, onde frequentara a Faculdade de Direito e recitava os seus primeiros versos no pátio da instituição de ensino. Em 1863, ele lança o seu primeiro poema a favor da abolição, “A Canção do Africano”.
Após o falecimento do pai e irmão, Castro Alves começa a manifestar os primeiros sinais de turbeculose, mas isso não deixou de continuar com a intensa produção de poemas e peças teatrais.

Seu primeiro trabalho conhecido foi o drama “Gonzaga ou Revolução de Minas”, que foi interpretado em vários teatros do Brasil. Neste período, Alves ficou conhecido pelos textos a favor da moral, causa social e, principalmente abolição dos escravos, que só aconteceu em 1889, quase 30 anos depois de sua morte.

Em 1868 viajou para o Rio de Janeiro, onde recebeu visitas de José de Alencar e Machado de Assis. Para imprensa, Alencar o comparara com Dante Alighieri.

Resolveu continuar os seus estudos de Direito em São Paulo, mas continuava a publicar poemas nos jornais de vários lugares do Brasil. No mesmo ano, ele lançou o “Navio Negreiro”, a mais importante obra do autor.

Nos últimos três anos de vida, a tuberculose piorou bastante, chegando a amputar uma de suas pernas. Sua última aparição foi em fevereiro de 1871, em Salvador, falecendo quatro meses depois, na mesma cidade.

Nos anos seguintes foram lançados postumamente algumas de suas obras, como “Os Escravos”. Hoje, a cidade de Curralinho, terra Natal do poeta, virou Castro Alves em sua homenagem.

A Duas Flores

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu…
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar…
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas… Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

A canção do africano

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão…

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar…
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

“Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

“0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

“Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar …

“Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro”.

O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!

……………………….

O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.

E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!

Alessandra Leão toca no Ateliê Bar neste domingo

“Aiiin, domingo tem nada para fazer”. Gente, vamos para o Ateliê Bar, a partir das 19 horas, onde a cantora e percussionista pernambucana Alessandra Leão vai tocar e está sendo considerada na mídia especializada uma das artistas revelações. Sabe quem vai abrir o show? Os potiguares da banda Luísa e os Alquimistas, que apresentará o disco Vekanandra, bastante elogiado por misturar ritmos latinos, pop e música eletrônica. O evento conta com o apoio do Festival Mada, será que é uma isca para as primeiras atrações? O Brechando acredita que sim!

 Já Alessandra Leão, estará acompanhada pelos paraibanos do Berra Boi, que compõe os músicos Dj Chico Correa (drum machine, sampler e guitarra), Lucas Dan (sanfona, sintetizador) e Cassicobra (percussões). O quarteto vem apresentando esse show há pouco mais de um ano e já esteve em cidades do Nordeste e Centro-Oeste.

Alessandra iniciou sua carreira em 1997, integrando o grupo Comadre Fulozinha, destaque feminino da cena que agitou Recife no final da década de 90. De lá pra cá, tem feito shows e colaborações com artistas como Juçara Marçal, Tulipa Ruiz, Kiko Dinucci, Chico César, Anelis Assumpção, Siba, Josyara, Giovanni Cidreira, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina). Em 2006, lançou se primeiro trabalho autoral, com o elogiado “Brinquedo de Tambor”, produzido em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Rodrigo Caçapa. Em 2008 lançou o CD do projeto Folia de Santo, idealizado, coordenado e produzido por ela. Em 2009, lançou seu segundo álbum solo “Dois Cordões” que lhe rendeu a projeção internacional do seu trabalho.

Luisa e os Alquimistas vai abrir para Alessandra Leão

A partir de 2014 lançou seu último trabalho em um novo formato, uma trilogia de EP´s pelo Pedra de Sal, Aço e Língua, todos bastante elogiados pela crítica.

A banda Berra Boi é formada pela junção dos músicos Lucas Dan (Sanfona, Sintetizador), ChicoCorrea (drum machine, sampler e guitarra) e Cassicobra (percussoes). O trio instrumental busca sonoridades urbanas e nativas da América Latina, Caribe e da África, passeando pela Funana, Ragga, Dub, Cúmbia e Baião. O resultado é uma música dançante, que bebe de diversos estilos festivos dos guetos do planeta.

Lucas Dan é pesquisador do forró, atua nos grupos Os Fulano e Orquestra Balaio Nordeste, toca sanfona de 120 e de 8 baixos, estuda rabeca e pífano. Cassicobra é percussionista ativo nos principais grupos de música independente de João Pessoa, marca presença como percussionista dos grupos Seu Pereira e Coletivo 401, Vieira, ChicoCorrea&ElectronicBandalém de atuar como Dj de música do terceiro mundo.

Com carreira na Europa, ChicoCorrea já circulou vários recantos do mundo trabalhando ora com seus projetos pessoais ora com os grupos Cabruera, Baiana System, Totonho e os Cabra. No Berra Boi, leva sua coleção de drum machines para mixar os beats e também toca guitarra baiana.

 

Serviço
Local: Ateliê Bar, Ribeira
Data: 18 de Março
Horário: 19h
Ingressos:
1º Lote – R$10 (LIMITADO)
2º Lote – R$15
Lista amiga – R$15 / Válido das 19h as 20h
Na portaria – R$20