“Tchutchu” do ônibus era uma ação de marketing de agência de publicidade

Não era um casal que brigou, o  “Tchutchu” era uma campanha de marketing da Rota Mídia Externa, que é a a maior empresa de propaganda em ônibus do Nordeste e a maior empresa de mídia exterior do Brasil,  atuando em cidades como Recife, Salvador, Boa Vista, Maceió, João Pessoa, Campina Grande, Natal, Fortaleza, Aracaju, Teresina, São Luís, Belém e Manaus. Além da mídia em ônibus, a Rota disponibiliza propaganda em metrô, abrigo de ônibus, outdoor, front light, painel rodoviário e mídia táxi.

A revelação foi feita a partir de um anúncio em vários ônibus de Recife na manhã desta segunda-feira (15), dizendo a seguinte frase:

Se até Tchutchu virou assunto, imagine a sua marca

A frase escrita em uma fonte parecida com Comic Sans e vários corações como plano de fundo explodiu a cabeça dos natalenses e recifenses nas redes sociais, no qual vários ônibus da cidade tinham frases escritas assim:

Tchutchu, eu te perdoo. Volta pra mim. Te amo.

Em Natal, os anúncios foram feitos em vários ônibus, principalmente o da linha Guanabara, empresa que possui a maior frota da cidade, conforme falamos nesta matéria. Todo mundo queria saber quem foi a pessoa que terminou o namoro após uma chateação (podendo ser uma traição ou não. Afinal, relacionamentos terminam a partir de outros tipos de mentiras) e quer reatar o relacionamento. Quem é esse casal? Faz quanto tempo que separaram. Será que o casal vive em Natal e Recife?

A revelação foi feita com exclusividade no jornal Folha de Pernambuco, no qual a empresa, inicialmente, falou que o cliente era uma pessoa física e pediu anonimato. Somente dia depois que eles revelaram que se tratava de uma ação de marketing. A estratégia foi planejada pela empresa, que encomendou uma campanha à agência de publicidade Ampla para chamar atenção e curiosidade e verificar o alcance dos outbus.

O co-presidente da Ampla, Manuel Cavalcanti, explica à Folha de Pernambuco qual foi o objetivo da campanha. “Quisemos mostrar a relevância das mídias de ônibus. É uma mídia de massa, que impacta milhares de pessoas diariamente, principalmente em cidades com trânsito intenso como o Recife”, disse. “Pegamos um mote de atração natural que existe em torno de relacionamentos. Esse tipo de mensagem chama bastante atenção. O desafio foi fazer de uma forma que parecesse uma pessoa física. Sabíamos que ia ter uma repercussão, mas foi maior que esperávamos”.

A campanha utilizou 50 ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR) e 25 serão utilizados nessa segunda fase. “A divulgação aconteceu em quase todos os estados onde a empresa está presente, como Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde também houve muita repercussão na imprensa”, disse Manuel.

Desnudando nas casas e pelas lentes de André Chacon

O ato de ficar em casa é um dos mais íntimos e ficar nu também. O fotógrafo André Chacon reuniu e transformou no projeto “Casa: o nu artístico na busca do eu”, que será sua primeira exposição fotográfica. Com entrada gratuita, e classificação indicativa de 18 anos, a vernissage da exposição conta com um sarau poético e um DJ Set realizado pelo músico Henrique Lopes.

A exposição que resulta de dois anos de pesquisa  é o reconhecimento do eu através do corpo despido. São ensaios de nu artístico que acontecem na casa dos próprios modelos e buscam através do diálogo momentos de autoaceitação, autocompaixão e reconhecimento de si mesmo através da fotografia e do diálogo, buscando os signos de expressão que fazem cada corpo único no universo.

“Recentemente comecei a fotografar nu artístico, a partir de uma oficina ministrada pelo Paulo Fuga, lá na Galeria Câmara Clara (onde vai rolar a exposição, conforme falamos no primeiro parágrafo). Depois disso, uni a minha pesquisa através do Achei No Escuro (projeto fotográfico de Chacon, que une fotografia com luz e sombra) ao nu e aproveitei o descobrimento do corpo para criar esse projeto, que é o reconhecimento do corpo enquanto fortaleza”, disse o fotógrafo.

De acordo com Chacon, “Casa” é uma referência a casa da infância, o  primeiro referencial de lar e, depois de algumas imersões, terminou descobrindo que esse lugar estava permeado no inconsciente, e foi a partir dele que começou a se reconhecer também. “O nu me ajudou a reconhecer meu corpo, minha casa, e foi a partir dele que comecei a entender a dinâmica da minha identidade e do meu ego, estabelecendo diálogo e construindo a aceitação de mim mesmo”, relatou.

Quando percebi isso, resolvi expandir e usar a fotografia como canal de expressão para outras pessoas, e foi aí que “Casa” surgiu, com diálogo e a busca por se encontrar e encontrar o próprio equilíbrio, vibrando amor e luz para si mesmo para poder vibrar para o universo, entendendo que o tudo é uma coisa só e a nossa paz é a paz do mundo inteiro”, continua.

O artista busca através da imagem construir narrativas que representem o subjetivo de cada modelo registrado, evidenciando a singularidade de cada pessoa e trazendo à tona a importância do equilíbrio e da aceitação de si mesmo. “Casa: o nu artístico na busca do eu” é sobre os sentimentos que percorrem nossos corpos, sobre o ego e sobre a identificação de si mesmo enquanto fortaleza.

André ainda acha que o nu ainda é um tabu por não sermos ensinados a conhecer o próprio corpo. “Até as aulas de ciências na escola parecem mais ficção científica do que algo biológico, é esperado que as pessoas não se relacionem de uma forma saudável com essas questões. Para todo lado que a gente olha só tem padrão, formas e cores impossíveis de alcançar, gente obcecada com dieta e em fazer modificações no próprio corpo, e acredito que isso se deve a essas avalanches de informações que recebemos da mídia, da política, da educação, todas elas voltadas para a gente ficar cada vez mais longe e mais desligados dos nossos corpos”, contou.

Esse é o primeiro projeto solo de André, que também faz parte do coletivo residente na Galeria Câmara Clara junto com o fotógrafo Paulo Fuga, que me acompanha em algumas aventuras fotográficas.

“Recentemente lançamos o projeto “Entardecer”, que une música à fotografia, e dentro dele produzimos para cada edição uma intervenção fotográfica baseada em trocas que temos com os músicos, e aí no dia do evento temos música + uma obra produzida exclusivamente para aquele artista que está envolvido no projeto. Já produzimos “à unha” com o duo Pedro Fasanaro e Maria Fontes e “mulher terra” com Dani Cruz. Agora no dia 21/01 temos uma nova edição com a multiartista Joana Knnobe, que produziu junto com a gente o ensaio “M.arte”, que é uma provocação sobre os espaços urbanos, sobre a individualidade e sobre os contextos de vida”, finalizou.

Sobre a Galeria Câmara Clara

A Galeria Câmara Clara foi idealizada pelo produtor cultural Flávio Rodriguez e o fotógrafo Paulo Fuga, e surge como um equipamento de arte, cultura e alimentação consciente, atuando como laboratório de vivências, cujos objetivos são a acessibilidade, difusão, fruição, inclusão, responsabilidade socioambiental, valorização das práticas sustentáveis e a educação.

Dar vida à Galeria Câmara Clara vem com o propósito de criar um espaço acolhedor, onde os artistas e público possam desenvolver uma relação com o lugar e as atividades realizadas. Além de ser um espaço que facilita o acesso do artista com suas propostas criativas, fugindo dos processos burocráticos presentes nos editais de ocupação de salas expositoras.”, complementa Rodriguez.

Serviço: Exposição “Casa: o nu artístico na busca do eu” na Galeria Câmara Clara

18 de janeiro, 19h | entrada gratuita | classificação indicativa 16 anos
Galeria Câmara Clara (Rua Missionário Joel Carlson, 1955, Capim Macio)