Um fusca que mistura surf, religião e modernidade

Andando pelo super estacionamento do Midway neste sábado (1)  me deparo com este fusca na vaga de idosos do G3, todo decorado com a porta misturando arabescos com flores, duas pranchas de surfs no teto do carro com a imagem de Jesus Cristo e o Papa Francisco e o verde limão dominando o local. Não achei quem era o dono do carro, mas pela placa vi que o fusquinha era de Natal. Ainda no chiqueirinho tinha uma miniatura do carro dos Flintstones.

O carro estava próximo da entrada do estacionamento que fica na avenida Romualdo Galvão, no bairro de Tirol, e não dava para passar por despercebido. Todo mundo que chega, passava devagar para ver o veículo bastante chamativo. Então, eu resolvi tirar algumas fotos do carango bacana, evitando mostrar detalhes pessoais do dono do carro, como o que tinha lá dentro ou a placa.

Procurei algumas pessoas que participam de encontro de fuscas em Natal, um deles comentou que é bastante comum este veículo circular pelas ruas movimentadas do bairro do Alecrim e que pertence ao idoso.  Pesquisei na internet e vi que este modelo de fusca era dos anos 70, período que o carro vendeu bastante nas terras tupiniquins.

Confira algumas fotografias a seguir:

Jesus Cristo de um lado
Papa Francisco do outro
Miniatura do carro dos Flintstones
Uma visão melhor do carro

Quem conhecer o dono do fusca, entre em contato com a gente!

Dificuldade de manter o teatro vivo em Natal

Para os natalenses, o teatro é visto como coisa de doido ou assistir peça é chato. Manter teatro já é difícil e viver de arte numa cidade considerada extremamente conservadora é trinta vezes mais. Este pensamento retrógrado faz com que diversos espaços culturais sejam esquecidos pela sociedade. É normal ouvir de natalenses terem ido no teatro apenas na idade escolar e quando adulto não vão.

Ou quando vão é para ver peças de atores globais ou vindas de outros estados. A gente não sabe dos atores da terra, só aqueles que aparecem na novela das 9. O teatro bom é aquele elitizado, onde não importa o conteúdo, o importante é falar que foi para aquele musical famoso no jornal e tirar selfie. Esse hábitos precisam ser mudados, pois problemas surgiram.

As notícias para área de teatro não estão nada boas: Teatro Sandoval Wanderley prestes a se transformar em um shopping (conta com o apoio dos integrantes da Fecomércio), o centenário Alberto Maranhão continua interditado e o Aboca está lutando fortemente na campanha de financiamento coletivo para não fechar as portas. Mesmo com esse furacão de coisas ruins, as pessoas estão se juntando para conseguir com que o teatro de Natal esteja firme e forte.

ABOCA surgiu em março de 2014 a partir do encontro de três grupos da cidade, a Bololô Cia Cênica, o Coletivo Artístico Atores à Deriva e o Carmin Grupo de Teatro. A afinidade de trabalho e a busca por um espaço de compartilhamento de processos e ações formativas foram o estímulo necessário para a concretização desse projeto. Atualmente ocupam como residentes oficiais a Bololô Cia. Cênica e a Sociedade T.

É financiado especialmente pelo público, que consome, convive e reside n’ABOCA. Atualmente é residida por artistas e gestores culturais que buscam a partir de suas atividades e investimentos pessoais, manter o local como base de seu projeto de vida, estabelecendo um elo afetivo com a comunidade e a classe cultural.

No entanto, o dinheiro do público não está conseguindo sustentar nenhum dos integrantes e por isso estão buscando várias formas de fazer com que o espaço seja divulgado.

Recentemente, ABOCA criou um Núcleo de Experimentação e Práticas, no qual conseguiu reunir pessoas que estão dispostas em trabalhar no espaço, fazendo atividades de assessoria de imprensa, design, mídias sociais e produção de atividades. Lá, o grupo está ralando duro para fazer com que as pessoas saibam da campanha de financiamento coletivo para que Aboca consiga se manter por mais dois anos e não feche as portas.

“A gente trabalha numa gestão coletiva e colaborativa, no qual temos uma série de profissionais, que estão tentando manter o espaço. São nestes momentos de crise, que a gente tenta buscar soluções”, disse Arlindo Bezerra, um dos desenvolvedores do ABOCA, espaço cultural que está lutando fortemente para não fechar as portas. Até o momento, eles conseguiram apenas 25% do valor arrecadado, faltando duas semanas para encerrar o projeto, o que deixa o ator e produtor cultural preocupado, mas, ao mesmo tempo, esperançoso.

O dinheiro da campanha do ABOCA será usado para manter o aluguel da casa 16 da rua Frei Miguelinho, comprar novos equipamentos para o espaço e conseguir criar cursos novos.

Bezerra comentou que o problema da crise do teatro é pela falta de criação de um público e também a ausência de incentivo do Município e Estado de levar atrações para dentro destes equipamentos públicos.  Hoje, dos três teatros públicos existentes em Natal, apenas o Teatro de Cultura Popular, TCP, que fica no anexo da Fundação José Augusto (FJA) está aberto.

“O nosso grande medo é: Será que daqui a cinco anos as pessoas vão ter acesso ao Teatro Alberto Maranhão?. Hoje já temos uma geração que nunca conheceu o Sandoval Wanderley. Tenho medo desta falta de experiência do público com os teatros tradicionais. Isto faz com que não crie um público”.

Por isso, muitas companhias particulares criaram os seus próprios espaços para divulgar as suas peças, como ABOCA, Barracão do Clowns de Shakespeare o TECESOL. “São espaços alternativos, não propriamente um teatro, mas era uma forma para que os trabalhos cênicos fossem divulgados e é importante que eles existam, pois é uma forma de encontrar o público”.

Para Arlindo Bezerra é importante a participação do poder público para estimular a criação de peças, como criação de editais tanto na gestão municipal quanto estadual. “O que a gente mais precisa é de instituições que ajudem a fomentar os espaços culturais, independente que a peça aconteça aqui, na Casa da Ribeira ou Barracão do Clowns de Shakespeare. A gente tendo este fomento público, uma campanha de financiamento coletivo não seria a principal forma que as companhias estariam buscando para se manter”.

Uma outra forma que o ABOCA está tentando manter o espaço aberto se chama o evento Movimento n’Aboca, no qual a edição de março/abril vai comemorar os três anos do espaço.

A festa terá as atrações Bando das Brenhas, Luisa & Os Alquimistas e Skarimbó, além da DJ Karol Posadzki. O ingresso antecipado com valor promocional (R$15) pode ser adquirido online no site bit.ly/ingressomovimento3anos.

O Movimento n’ABOCA é uma das ações artísticas continuadas que os grupos residentes e o núcleo gestor do espaço promovem para manter e movimentar o espaço. Essa é a 12ª edição do Movimento que, além de celebrar os três anos de resistência d’ABOCA, tem o intuito de divulgar e buscar mais apoios para a campanha de financiamento coletivo que os grupos estão encampando no Catarse, para manter ABOCA em pleno funcionamento pelos próximos dois anos.

“Não estamos conseguindo manter ABOCA sozinhos, e nos vemos sobre a triste ameaça de ter que fechar as portas e perder esse sonho que estamos construindo com tanto esforço”, comentou. Mas, Arlindo comenta que está esperançoso com a ajuda das pessoas e espera conseguir manter o seu sonho ainda de portas abertas.

Sobre a campanha citada na matéria

ABOCA ABERTA é uma campanha que visa na manutenção do espaço com ações artísticas continuadas pelo período de dois anos, através de atividades de residência, ocupação, formação, apreciação e celebração. O projeto segue recebendo contribuições até o dia 16 de abril, no site catarse.me/abocaaberta ou diretamente com os gestores do espaço, com financiamentos a partir de R$15 e várias recompensas.

Veja o vídeo da campanha:

 

Após três anos, Editora Tribo anuncia encerramento das atividades

Quem estava ansioso por um lançamento da Editora Tribo neste ano, infelizmente temos que anunciar uma notícia triste: Ela fechou as portas. A jornalista e criadora do selo, Themis Lima, anunciou em seu perfil pessoal na noite deste domingo (2) que o selo está realmente encerrando as atividades. Até o momento, não existe nenhuma declaração nas plataformas oficiais.

“Há três anos, meu trabalho vem traçando uma relação bem translúcida com o resto da minha vida. Fomos honestos um com o outro, nos apaixonamos e nos abraçamos em toda santa extensão possível. Provei a delícia de experimentar, de errar, de descobrir meus horários de funcionamento, de conhecer gente maravilhosa e crescer com eles. E ganhei de presente uma das maiores paixões da minha vida: fazer livro. Isso não vai sair de mim, é tatuagem, virou amor desses sólidos, de gente grande. Aprendi muito mais que ensinei e tive muito mais sorriso que estresse.”, disse Lima, que atualmente mora na Europa e está esperando um bebê.

A jornalista contou ao blog que o motivo foi a necessidade por mudanças, não admitindo se foi por motivos financeiros ou não. Além disso, ela nega que a gravidez foi o motivo do encerramento do selo.

A última publicação da Tribo foi em agosto do ano passado com o “Baleia” (Jorake), “Follie à Deux” (Max Pereira) e “Rompazine” (Vinicíus Dantas).

“Tribo, esse projeto-ciclo-lindo de puro movimento, vai descansar um pouco, enquanto eu descubro em outras terras onde essa loucura de fazer livro pode me levar”, disse a jovem.

Criada por Themis Lima, no ano de 2013, é um coletivo de escritores, artistas e comunicadores. Juntos, eles já publicaram diversos livros e fanzines, como “A Bruxa”, biografia do jogador de futebol potiguar Marinho Chagas, que chegou a participar da Seleção Brasileira.  Um dos best-sellers é o livro reportagem da Rafael Barbosa e Paulo Nascimento, que fala sobre Valdetário Carneiro, um dos famosos bandidos que botou medo no Rio Grande do Norte na década de 80 e 90.

Também está no catálogo o “Bandeira de Trapos”, da própria Themis Lima, e “Contos Rabiscados para Corações Maltrapilhos”, de Luíza de Souza.

O selo ainda auxiliou a despontar artistas locais, como Aureliano Medeiros, ilustrador que ficou conhecido pela sua página “Oi, Aure” e pelo livro “Madame Xanadu”, lançado pela própria editora. Medeiros coordenava a produção dos zines do selo e também lançou alguns, como “Diário Desenhado” (Vol. 01 e 02) e “Elevador”.

Por enquanto, a única forma de comprar os livros da editora é através dos estoques que estão espalhados nas principais livrarias na cidade ou com as tiragens que ainda restam pelos atores, pois o site da loja da editora já está fora do ar.