Tantra não se resume apenas ao sexo

Resenha/Crítica Resenhas Rolé
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A foto acima mostra a minha pessoa praticando o Tantra. Achava que isso era só associado ao sexo, principalmente quando lia reportagens sobre o assunto em revistas. Fazer esta matéria, no entanto, me ajudou a desconstruir e admirar cada vez mais a cultura indiana. Fui convidada a participar de uma vivência de meditação tântrica no Parque das Dunas e a experiência foi incrível. Já tinha feito Yoga no início da adolescência para melhorar as minhas crises de ansiedade e foi meu primeiro contato com atividade corporal e mental ao mesmo tempo. Também aprendi a meditar.

Nesta vivência do Parque das Dunas a gente teve um contato com o solo e também meditamos. Lá, eu senti o meu corpo relaxado de verdade (achava que estava tranquila, mas fazendo meditação eu vi que estava com os ombros bem tensos) e foi uma das poucas vezes que consegui me desligar das coisas de fora, além de ter sido relaxante.

Teve momentos em que fizemos uma dinâmica com pessoas e foi bastante legal ter contato com uma pessoa que não me conhece e trocar energia com ela. Esta foi a minha primeira lição: o tantra é conhecer o corpo e poder trocar esta experiência com outras pessoas. Conhecendo o corpo, as coisas ficam mais fáceis.

Fotos: Lara Paiva e Felipe Magno

Quando você lê as matérias de jornalismo, muitos associam a terapia do tantra apenas algo para melhorar o orgasmo e acabou. Entretanto, ela vai muito além. Nascido na Índia como a Yoga, o Tantra surgiu há mais de cinco mil anos e tem adeptos no mundo todo. Em Natal, a dupla Sangito e Moti, terapeutas e integrantes do Centro Metamorfose vieram para a cidade para espalhar o trabalho com essa terapia onde ainda não existia.

Sangito era publicitário e passava por certas dificuldades emocionais quando conheceu o tantra. “Era bem cabeção mesmo. Procurei o Tantra pois precisava pensar menos e sentir mais. No início estava bem cético, para mim tudo tinha que ter uma lógica, no primeiro exercício de meditação chorei feito uma criança. Tudo fez tanto sentido pra mim que decidi mudar minha carreira e me tornar terapeuta”, disse.

Já Moti havia conhecido um pouco mais de meditação quando foi ao tantra e trancou o mestrado de pedagogia na Alemanha para abraçar a prática. “Desisti no dia que iria embarcar para lá. Sou levada pelas coisas que o universo me fornece e vi que havia necessidade de seguir esse caminho na terapia”.

Sangito era publicitário e passava por certas dificuldades emocionais quando conheceu o tantra. “Era bem cabeção mesmo. Trabalhava em uma agência e por indicação fui conhecer um pouco do tantra. No início estava bem cético, para mim tudo tinha que ter uma lógica, no primeiro exercício de meditação chorei feito uma criança e depois fui me aperfeiçoando até largar tudo para fazer terapia”, disse.

Já Moti havia conhecido um pouco mais de meditação quando foi ao tantra e largou o mestrado de pedagogia na Alemanha para abraçar a prática. “Desisti no dia que iria embarcar para lá. Sou levada pelas coisas que o universo me fornece e vi que havia necessidade de seguir esse caminho na terapia”.

Aprendi neste fim de semana que o tantra pode ajudar bastante as pessoas a se desprenderem de algo que incomoda. Pode ser desde uma disfunção sexual até mesmo um problema de depressão. “A gente sempre diz que varrer os nossos problemas para debaixo do tapete pode até fazer a nossa mente esquecer, mas o corpo não esquece”, explicou Sangito.

Eles trabalham com os chakras, que são como vórtices de energia do nosso corpo energético, que distribuem a energia através de canais que nutrem órgãos e sistemas. Temos centenas de chakras no corpo, mas sete deles são considerados principais: um fica na base da coluna, outro perto dos genitais, um no plexo solar, coração, garganta, o ponto entre as sobrancelhas e o último no topo da cabeça.

Os dois explicaram que é através do desequilíbrio desta energia que as pessoas adoecem. Por isso, a relação entre as doenças e as crises emocionais. É muito comum ver pessoas que acabam somatizando e transformando energias negativas, depressão, raiva, solidão, em doenças físicas, como cânceres e outras mais graves. No Tantra, um dos chakras que eles mais trabalham é o muladhara, que fica na região do períneo, na base da coluna. Mas por que? Porque este chakra tem muita conexão com nosso instinto de sobrevivência, nosso poder de encontrar um lugar no mundo, de nos sentirmos pertencentes de um grupo ou sociedade.

“Existe um erro comum em dizer que o sexo tântrico é uma relação que deve demorar horas. Mas não é bem assim. O Tantra não é um manual para fazer sexo melhor. Isto é uma consequência das vivências do tantra, pois elas vão deixar você aterrado no momento presente, sem a tagarelice mental que quer te mandar pra angústias do futuro ou os dilemas do passado. Com isso, toda a experiência acontece com mais fluidez, sem uma corrida para o orgasmo ou preocupações com performance”, explicou Sangito.

O que ele quis dizer? Que existe uma falta de educação sexual apropriada. As pessoas estão desconectadas do próprio corpo e sobrecarregam a mente com uma sexualidade nada saudável. “A gente recebe jovens de 20 a 30 anos que estão tomando viagra para fazer sexo, sem nenhum problema fisiológico, apenas uma tremenda insegurança dado o comportamento viciado e a desconexão com os sentidos do corpo”, contou o terapeuta. E, claro, essa relação com a sexualidade torna muito difícil para algumas pessoas enxergarem o caráter terapêutico do trabalho. “Passamos grande parte do nosso dia de trabalho explicando para as pessoas como a nossa terapia funciona, desmistificando o Tantra”, concluiu Sangito.

Sobre a massagem tântrica, Sangito Deva reafirma o profissionalismo. “Nos vestimos de preto e usamos luva. Criamos na sessão de massagem um contexto meditativo muito profundo, para conseguirmos tirar as fantasias e a influência da mente de jogo, enaltecendo e valorizando os sentidos do corpo. É um trabalho de desenvolvimento sensorial”.

E esse tipo de experiência pode trazer à tona uma série de memórias que estavam no inconsciente, sendo somatizados pelo corpo. “Uma pessoa me procurou para atendimentos individuais e, após a primeira sessão de massagem, ela se recordou que havia sido vítima de abuso sexual quando ainda era criança, por volta dos seus 5 anos de idade. E havia passado mais de 30 anos da vida dela dizendo que isso nunca tinha acontecido. E o fato da memória estar insconsciente não quer dizer que não está mexendo com o comportamento atual da pessoa”, explicou Moti.

Além disso, muitos casais procuram o Tantra para tentar superar uma crise. “Fazemos práticas para o casal resgatar os valores da intimidade e da cumplicidade. É lindo perceber como um mero exercício de troca de olhares, num contexto meditativo, pode aflorar tanto conteúdo emocional e ser extremamente curativo para a relação”.

É uma forma de ajudar a ter conhecimento sobre você, melhorar a respiração e as consequências são uma vida social melhor.  Para procurá-los neste link ou no site do Sangito.

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