Dando uma volta completa na Ribeira

Música Resenha/Crítica Rolé
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Quando foi divulgado que em janeiro teria um festival dentro do bairro da Ribeira no mês de janeiro com artistas da terrinha, o questionamento seria: E, aí, vai dar certo? Tem público para isso? A resposta para isso: Sim! Tinha tanta gente quanto no Festival Dosol em novembro. Isto mostra que as pessoas estão interessadas em participar, conhecer e ouvir bandas daqui, mesmo que só tenha agora a Universitária FM que toque canções daqui.

Neste fim de semana aconteceu o Ribeira 360, que a intenção era divulgar o melhor da música potiguar, além de comemorar os 20 anos do projeto de revitalização do bairro da zona Leste da cidade. Claro que demos boas brechadas! Foi difícil elencar algo mais legal! Acompanhei os dois dias de evento.

Queria acompanhar desde o início, cheguei o mais cedo possível, estacionei na Avenida Duque de Caxias e andei até a Rua Chile, a expectativa era grande, pois era uma festa nova e não sabia o que poderia rolar.

Resultado final: me diverti muito e cheguei a ficar com as pernas doendo de tanto dançar e andar.

Pessoal estava animado ao som da Ribeira (Fotos: Lara Paiva)

Muitos estavam curiosos em saber o que teria de bom no evento, visto que quase não tem algo em janeiro em Natal, sem contar que eles estavam mesmo interessados com que o público “vestisse a camisa do festival”, pois os ingressos estavam baratos: 10 reais para os estudantes. Parecia o tempo quando Jane Fonda tocava nos primórdios do Dosol por cinco reais, a meia.

O festival não tinha como ter um nome melhor. A gente dava uma volta completa para saber o que rolava, a vontade era criar várias cópias (Podia fazer uma ferramenta tipo o Ctrl+J do Photoshop) e ficar em cada palco. Era legal ouvir pessoas cantando toda a letra de Khrystal e Plutão Já Foi Planeta.  Ou o pessoal gritando por “Bufo”, quando a dupla Gabryuri chegou discotecando no Galpão e fazendo quadradinhos com os diversos funks.

Rua Chile respirava música

Queria música eletrônica e escutar o pancadão do funk? Galpão 29. Beber bons drinks? Alchemist. Ouvir o melhor das bandas independentes? Ateliê Bar. Mas também podia ir no palco principal, onde os artistas faziam um giro em volta do espaço para interagir com o público de todos os jeitos possíveis.

Era possível conversar com um artista no final da apresentação e dizer:

“Poxa, seu trabalho é muito incrível, parabéns, aonde comprar ou baixar o seu disco?”

“Googla a gente e tem os nossos sites para colocar a música”

“Qual é o nome da banda mesmo?”

Mas quem já conhecia a banda, os diálogos mais comuns eram:

“LINDOOOOOOOOO”

“SUA LINDAAAAAAAAAAAAA”

“TOCA AQUELA MÚSICA”

“VAI COMEÇAR NÃO?”

Você também podia ver amigos, tirar selfie com aquela artista fofa, gritar bem alto o nome do artista ou pedir aquele biz.  Uma grande vitrine, praticamente.

No festival podia conhecer bandas novas ou comprar cds

Os artistas faziam questão de enfatizar os links do Spotify, Deezer, You Tube e outras mídias sociais relacionadas à música. Alguns também fizeram uma banquinha para vender os seus produtos. Os celulares estavam apostos para salvar cada nome. Era muito comum ver pessoas comprando camisetas do Plutão Já Foi Planeta.

A escolha de uma line-up foi bem eclética, tocou desde MPB até heavy metal. Mas deu briga nisso? De jeito nenhum, foi até melhor, pois foi muito engraçado ver alguns amigos headbangers dançando até o chão ao som do MC Priguissa ou ver aquele funkeiro balançando a cabeça com Expose Your Hate.

Durante a festa houve diversos duetos, como Talma & Gadelha com Khrystal e Plutão Já Foi Planeta com Juão Nin.   Mas o ápice da festa mesmo foi quando o Dusouto resolveu cantar com Grafith, no qual fez com que o pessoal ficasse louco ao som do clássico “Jungle People”. Vou parafrasear uma frase que ouvi: “Não existe alternativo quando toca Grafith”.

Veja a nossa live que fizemos no Facebook:

Todos os públicos que visitam a Ribeira cotidianamente apareceram para comemorar esses 20 anos, isto foi um fato. Coincide com um período em que se realiza diversas campanhas para valorizar a música potiguar na rádio, televisão e outros meios de comunicação.

Foi inusitado ver que as pessoas realmente estão interessadas em saber o que toca no Rio Grande do Norte. Cada casa estava mais lotada que a outra. A banda poderia começar com três pessoas em frente ao palco, mas era só começar a tocar os três primeiros acordes que chamava a galera para entrar e no final, as pessoas estavam espremidas, mas felizes, como aconteceu com Joseph Little Drop. Ou ficar até o sol raiar para ouvir Luísa e Os Alquimistas.

Confira as fotos da brechada a seguir:

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