Acordando presa em um episódio de Black Mirror

Cresci aprendendo nas aulas de história que o Nazismo foi uma política criada por Adolf Hitler, no qual ele quis dominar o mundo e perseguiu e exterminou os judeus, além de outras minorias, mas que países contra esta ideologia conseguiram lhe derrotar na Segunda Guerra Mundial, fazendo com que Hitler se matasse. Só olhar os vídeos de seus discursos no YouTube, como era assustador ver que ele conseguia disseminar o ódio facilmente e de forma tão crua e asquerosa.

Pior: as pessoas lhe definiam como herói, porque ele “salvou a Alemanha de uma grave crise econômica”.  Após a morte de Hitler, diziam que este tipo de maldade iria acabar e que o mundo viveria em paz e que todos deveriam se respeitar como bons irmãos.

Nada disso, veio a Guerra Fria, União Soviética e Estados Unidos brigando por quem tem os melhores avanços tecnológicos, quem ia para à Lua primeiro, melhores armas (bombas atômicas sendo testadas por todos os lados), quem dominava mais países com suas ideologias e dentre outras coisas. As consequências a gente já sabe, ditaduras militares na América Latina, países divididos até hoje (Oi, Coreias), surgimento de grupos terroristas, fundamentalismo religiosos em alguns países e dentre outras coisas.

Chegou a década de 1990, acordo de paz, a União Soviética se transformou em 11 países. Ainda bem que vai ter paz, não é?

Não, nesses 20 anos apareceram a Guerra do Iraque, 11 de setembro e a Guerra ao Terror, grupos terroristas sustentados pelos dois países fazendo atrocidades em algumas áreas do Oriente Médio, briga por Petróleo se intensifica (agora que está ficando escasso) e os fundamentalistas religiosos agora querem dominar sozinhos.

Estados Unidos em crise econômica, imigrantes sofrendo preconceito de todos os tipos, outra Guerra do Iraque, Invasão ao Afeganistão e um muro separando EUA e México. George W. Bush por oito anos dominou o poder, mas a popularidade dele caiu.

Ao mesmo tempo, estamos consumindo novas tecnologias, hoje a internet não está apenas no computador, o celular que era somente para ligar virou uma extensão do nosso corpo, o touchscreen dominando o meio digital e somos movidos por diversos aparelhos que dão dicas para a gente ter uma vida melhor.

Nesta loucura que está o Planeta Terra, elege-se Barack Obama, filho de imigrantes e negros. Muitas pessoas não aceitaram medidas sociais, como um plano de saúde público, acordo de paz entre países inimigos, flexibilização entre imigrantes, melhorias para o povo negro e outras medidas que faziam a desigualdade social com quo diminuísse um pouquinho.

Entretanto, ele não conseguiu controlar a raiva dos americanos, onde muitos negros foram mortos por policiais brancos, no qual houve protestos em vários lugares.  Saiu um presidente popular para Donald Trump, que ficou conhecido pelos discursos contra imigrantes, negros, mulheres e LGBT+.  Um cara bem raivoso, no qual muitos desejavam que ele fosse líder do país, achavam que deveriam ser um homem ideal para “tirar a sujeira dos EUA”.

Algo que seria inaceitável, se estudássemos história e víssemos líderes tiranos, como Nero de Roma e Hitler (já citado neste texto). O que chocou em Trump na população é mostrar o seu lado tirano abertamente, sem se importar com que os outros vão dizer. Fazendo com que muitas pessoas o odiassem ou o amassem. Gerando brigas em debates entre americanos e outras pessoas que acompanharam as Eleições 2016.

Foram essas brigas que, infelizmente, fez com que líderes preconceituosos ganhassem a Eleição nos Estados Unidos e Brasil (não preciso nem citar que um pastor de uma igreja conhecida por charlatanices e por criar mensagens de ódios ao LGBT e proferir diversas mensagens machistas é prefeito do Rio de Janeiro, não é?).

Hoje, quarta-feira (9), acordei de um pesadelo, parece que estou presa naqueles filmes, como o “V de Vingança” ou em um episódio dos Simpsons, no qual o que é mais esdrúxulo e ridículo, que passaria apenas na televisão, está se tornando uma realidade. Alguns ficaram felizes, outros angustiados e eu estou numa terceira lista, sabendo dos defeitos de Hillary Clinton.

Parece que quanto mais tentamos melhorar mais estamos nos enfiando em um buraco sem fundo, no qual as pessoas estão preferindo pessoas doidas e preconceituosas mais pelo fato “que pelo menos não estão fingindo”.  A cada dia vejo que o criador de Black Mirror está certo.

Charlie Brooks, seu criador, critica, através de um seriado de ficção científica, imperialismo, xenofobia, racismo, manipulação e controle de massas. Critica a faceta negra da humanidade que nós relutamos em aceitar e corrigir.

Muita gente que acha é uma crítica apenas às novas tecnologias e de como estamos escravos das mesmas, mas isso é só um contexto. Cada episódio mostra como estamos cada vez mais preconceituosos, desonestos e fazemos o possível e impossível para nos dar bem. O Planeta Terra é habitado por milhares de Trumps. Não precisa ser rico para divulgar ódio, basta apenas ter internet.

A tecnologia tem o mesmo poder que uma AK-47 na Guerra. Neste momento, jovens usam uma rede social para humilhar e destruir uma pessoa, porém a tecnologia não é a culpada. Assim como uma arma, ela é apenas a ferramenta usada para expor um lado negro e doentio do ser humano.

A vitória de Trump mostra  apenas uma reflexão sobre uma característica obscura do ser humano. Parece que gostamos de andar em ciclos, aonde vamos aos lados extremos em dois toques. Assim como cada episódio de Black Mirror.

Quando não há smartphones, o ser humano destila seu ódio por fuzis. Sem fuzis, ele utiliza espadas ou lanças. E, agora, o que nos resta a fazer? Procurar uma reflexão sobre os acontecimentos e criar mecanismos para evitar ideias autodestrutivas, os episódios do Black Mirror estão nos ajudando, fazendo uma crítica ou reflexão.

 

Natal ganha mais um selo independente: Sopro Movimento

Após falar das editoras de livros independentes, vamos falar de gravadoras independentes. O que é isso? São aqueles artistas e produtores culturais que não possuem alguma ligação com grandes empresas, mas contam com uma vontade de imensa de gravar discos e músicas. Não importa aonde seja o estúdio, se for alugado em um lugar profissional ou no quarto, o importante é divulgar a arte.

Recentemente, Natal lançou mais um selo independente, através das redes sociais, que se chama Sopro Movimento, que por enquanto ainda tem poucas curtidas, porém pode crescer mais.

Entretanto, ele não quer focar apenas em música, mas também em outras formas de artes, como literatura, artes visuais e teatro. Com o slogan “Faça Você Mesmo, mas se nos Precisa nos chame”, ele funciona não só como uma gravadora, mas também como uma produtora cultural, que quer divulgar a arte de todas as formas possíveis.

De acordo com o selo, o objetivo é criar uma conexão e valorização maior dos movimentos artísticos e todo mundo crescer junto.

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Além disso, eles pretendem criar eventos, exposições e fanzines. “A nossa ideia é criar uma conexão ainda maior entre algumas manifestações artísticas. Acredito que nosso diferencial em relação aos selos musicais é que não vamos lançar só bandas, nós temos a intenção de lançar outros tipos de artistas”, disse a equipe que representa o selo em entrevista ao Brechando.

Num vídeo parecendo a abertura do infantil “Rá-Tim-Bum“, eles divulgaram o vídeo de lançamento do selo. Confira a seguir:

A recepção do vídeo foi bem aceita até o momento pelos natalenses.

O primeiro trabalho divulgado pelo selo é o clipe mais novo da banda Kalouv (eles não querem focar apenas no Rio Grande do Norte), que pode ser conferido a seguir:

Entretanto, outros projetos ainda poderão sair no papel. “Ainda estamos definindo exatamente como faremos isso, mas deve rolar sim nas próximas semanas/meses”, finalizou.