Como fazer um limonada com a Bololô Cia. Cênica

A nova temporada de “Memórias de Quintal” estreou nesta sexta-feira (21) e acontece durante todo o fim de semana no bairro da Ribeira. A peça têm a intenção de fazer com que o público ajude a resgatar as memórias das infâncias dos atores que participam do espetáculo. Entretanto, eles tiveram uma surpresa: só compareceram duas pessoas para assistir na noite de estreia.

O que era para ser um dia de fracasso, foi um dia de virar o jogo. Ou seja, eles deram a volta por cima. Eles resolveram transferir a peça no anfiteatro do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Deart/UFRN), no qual alguns estudantes estão ocupando o prédio público como uma forma de criticar a PEC 241, que pretende estabelecer um limite de gastos durante 20 anos.

Lá, eles conseguiram lotar o anfiteatro do departamento e as pessoas que estavam presentes no prédio ajudaram para que o espetáculo não parasse.

“Demoramos alguns minutos pra decidir, entramos em contato com alguns ocupantes, juntamos um mínimo de estrutura técnica (refletores, extensões, etc) e levamos as duas pessoas pra o Departamento de Artes com a gente e, uma hora e trinta minutos depois do horário previsto, enfim, demos início a apresentação”.

O “Memórias de Quintal” faz analogia com uma mochila velha, coberta pelo pó, contendo uma lanterna, um caleidoscópio e um mapa feito à mão, com destino há muito esquecido. Sob os traços e trilhas, a história de três crianças e uma fuga.  Inspirados nas memórias de infância dos atores, a encenação convida o público a refletir acerca de suas próprias experiências de vida.

“Assim, sem muito pensar, vamos chegar lá, estudar rapidamente a adaptação do espaço e fazer a peça”, disse a postagem do grupo Bololô Cia. Cênica no Facebook.

Como uma forma de fazer o show continuar vivo, eles resolveram voltar as raízes, no Deart, onde a peça veio a partir das pesquisas de Mestrado em Artes Cênicas dos atores Alex Cordeiro e Paulinha Medeiros

“O espetáculo que acontece no formato de um corredor, aconteceu numa semi-arena. O espetáculo que precisa de blackout total em, pelo menos, três cenas, aconteceu sem blackout. O espetáculo que precisa da segurança da caixa cênica, aconteceu completamente nu, despido. E foi tão lindo! Com certeza uma das apresentações mais bonitas desde a estreia, e isso tem mais de um ano”, comentou a postagem.

Ao invés de decepção e lamento, eles terminaram a noite com uma lição: o show tem que continuar, mesmo que às vezes é necessário voltar as raízes, assim como a proposta da peça que eles apresentam.

Sobre o espetáculo, ele vai continuar na Ribeira neste sábado (22) e domingo (23), às 20 horas. Mais informações neste link.

Confira a postagem completa a seguir:

Quem é o moço que toca flauta peruana no supermercado?

Foto: Lara Paiva

O nome certo desta flauta nem é esse, mas flauta pan (também pode ser escrito como “Pã”) e não é comum apenas no Peru. Formado a partir de um conjunto de tubos fechados numa extremidade e ligados uns aos outros em pequenos feixes. Recebem este nome, “Pã”, por associação ao deus grego de mesmo nome. Eram muito populares entre os etruscos e os gregos sob a alcunha de siringe.

Hoje, a flauta de pã é uma peça importante na música folclórica da Romênia, Myanmar (antiga Birmânia), além de países da Oceania e andinos.

Eles não têm bocal e para tocá-los, precisam apenas sobrar com os lábios tangenciando as extremidades superiores.  Parece bem fácil assim escrevendo, mas é bem complicadinho.  E o Hermani Félix, o flautista da foto também comentou da dificuldade, ele estuda o instrumento até hoje.

Com certeza você já viu ele tocando no supermercado no fim de semana enquanto você pegava aquelas comidas para elaborar aquele almoço de domingo.  Para reforçar a sua memória, eu vou publicar este vídeo, gravado em fevereiro deste ano:

Apesar de dominar o instrumento que não é comum nas terras tupiniquins, ele é brasileiríssimo. Mora em Natal há 35 anos por motivos de trabalho e há mais de 20 anos toca flauta profissionalmente, chegando a gravar vários discos instrumentais, incluindo versões dos sucessos dos Beatles.

Foi com o trabalho que conseguiu conhecer alguns peruanos que moram no Nordeste brasileiro e hoje realiza diversas parcerias musicais.

Os discos são vendidos enquanto ele faz o seu trabalho nas ruas da cidade. “Inicialmente meu interesse era apenas pelo instrumental da flauta pã, depois que apareceu a vontade de tocar. Mas, era muito difícil consegui-lo”, afirmou. Hoje, ele têm três flautas, no qual ele carrega enquanto faz as suas performances, muitas delas foram conseguidas através de contato na internet.

Hermani contou que teve a oportunidade de conhecer um integrante do grupo De Las Alturas de Los Andes e um dos integrantes forneceu a flauta. “As primeiras aulas que tive foi com esse integrante da banda”, relembrou. Depois, ele fez amizade com outro peruano e também lhe ensinou alguns detalhes.

“Mas, o aprendizado restante foi feito sozinho mesmo, praticando”, afirmou.

Hoje, Hermani toca nos supermercados, shoppings e também festas particulares, como casamento. Há mais de 20 anos atua profissionalmente e já gravou alguns discos, fazendo parcerias com músicos. Ele contou que é muito bom receber o carinho do público, principalmente quando traz efeito positivo.

Ao ser questionado que carinho lhe mais tocou, ele prontamente respondeu ficou feliz quando uma pessoa lhe procurou para dizer que o disco que comprou no supermercado fez com que largasse os remédios para dormir.

“O bacana de trabalhar com a música é proporcionar um momento de lazer entre as pessoas. Muitos já disseram que o instrumento lhe acalmou, se emocionam, provocou imaginações e trouxe momentos de felicidades. A minha grande recompensa do trabalho é proporcionar sentimento às pessoas”, finalizou.

O músico afirmou que apesar da dificuldade em trabalhar com a música, são esses momentos que lhe provocam uma grande satisfação.