Por que ainda esse mimimi com tatuagem?

Recentemente, duas leis apareceram que questionaram o uso de tatuagem. Desde pequena eu ouvia essas seguintes frases:

“Você não vai conseguir um emprego com tatuagem”

“É muito feio”

“Coisa de marginal”

Mas, ainda bem, que ao longo dos anos houve essa desconstrução. Ou quase, visto que algumas leis ainda querem impedir que os brasileiros usem a arte.

Recentemente, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou o ato de exclusão de candidato do concurso público do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais devido à existência de tatuagens em seu corpo. A decisão foi unânime.

O candidato se inscreveu no concurso de admissão do Corpo de Bombeiros em 2004 e obteve aprovação na primeira fase do certame, constituída de provas objetivas. No entanto, após ser submetido a exames médicos, foi eliminado da disputa, sob o argumento de que tinha três tatuagens. O candidato entrou na Justiça e obteve liminar para concluir as demais etapas do concurso, superando inclusive a fase de estágio probatório. A sentença, porém, julgou improcedente o pedido de continuidade no concurso.

Segundo a decisão, pelo laudo de saúde e normas internas do órgão militar, a existência de desenhos visíveis com qualquer tipo de uniforme da corporação é motivo para exclusão do concurso.

O caso chegou ao STJ após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais concordar com os Bombeiros. No recurso, o candidato alegou que o ato de exclusão de concurso público pelo simples fato de ter tatuagem é discriminatório e preconceituoso, fundado exclusivamente em opiniões pessoais e conservadoras dos julgadores. Ele também alegou que a tatuagem não constitui doença incapacitante apta a excluí-lo do concurso e que nenhuma das tatuagens (duas com a imagem de Jesus Cristo e uma com o desenho de seu filho) possui mensagens imorais ou contrárias às instituições públicas.

Se isso fosse o único problema. No senado, uma lei queria impedir o trabalho dos tatuadores.

A lei do Ato Médico é um projeto da Câmara Federal criado em 2002 e sancionada em 2013. Entretanto, um projeto de lei do senado ainda quer propor novas mudanças nesta lei. O projeto é da senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), no qual aponta que apenas médicos sejam aptos a fazer qualquer “invasão da epiderme e derme com o uso de produtos químicos ou abrasivos”, e a “invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos”.

Ou seja, um tatuador não poderá mais tatuar. Não vai existir pessoa especializada em colocar piercing e uma esteticista não poderá mais fazer uma drenagem linfática nos clientes. O projeto ainda não entrou para votação, visto que a senadora retirou o projeto, principalmente após a rejeição.

Por causa disso, vários internautas têm se manifestado na internet. Em torno 106 mil pessoas votaram contra a aprovação do projeto, enquanto mais de 75 mil se mostraram a favor. O tatuador Segundo é um dos profissionais potiguares que cria diversos vídeos protestando contra esse projeto.

O projeto de lei estabelece outras atividades exclusivas a médicos, para evitar que elas sejam realizadas por profissionais sem a qualificação necessária.

“Alguns profissionais passaram a se aventurar em atividades que exigiam formação médica, porém sem a qualificação necessária. Além de colocar em risco a vida e a saúde dos pacientes, a ausência de definição legal sobre as competências privativas do médico possibilitava que esse profissional transferisse a terceiros suas responsabilidades”, diz o texto no site do Senado.

Países como Japão, Coreias do Sul e do Norte, Turquia, Vietnã, Sri-Lanka e Irã estão recebendo uma espécie de selo de “país não amigo da tatuagem”. Para se tatuar no país, assim como na Coréia do Sul, é preciso agora de uma licença médica, segundo decisão do governo. A medida já afetou profundamente a comunidade da tatuagem do país.

A suposta intervenção do projeto chegou a ser discutida Academia Nacional de Medicina, no qual os médicos ressaltaram que não há objeção à atividade do tatuador, desde que cuidados básicos sejam obedecidos. De acordo com os médicos, as autoridades de vigilância sanitária devem fiscalizar o funcionamento das clínicas e estúdios de tatuagem, porque sua confecção pode causar infecção pelo vírus HIV e hepatite, entre outras doenças.

Os tatuadores, porém, comentam que esses cuidados estão sendo feitos cotidianamente e sempre orientam os clientes para cuidar da arte de forma correta.

A lei foi retirada pela própria senadora, após a repercussão negativa.

Uma festa que aconteceu no meio de uma chuva

Quando chove em Natal, muitas pessoas gostam de ficar em casa, todas as festas são canceladas e ninguém quer sair de casa, mesmo para ir ao local que seja todo coberto. Este final de semana foi dessa seguinte forma.

Festas em Natal? Ela são poucas. Mas, quando tem, os natalenses possuem várias opções. Pode ser que uma seja até ruim, mas sempre haverá uma estória ou causo, podendo acontecer contigo ou aquele amigo de um amigo seu. Mas não importa. Uma festa boa ou ruim sempre haverá um espaço na minha memória afetiva. Essa que aconteceu no final de semana podemos dizer que sim.

Era uma sexta-feira a noite quando resolvi ir para uma festa dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O tema era: Aula Extra do Seu Dionísio. Não sei se era uma pessoa de verdade ou para o Deus da sacanagem e do vinho. Mas, eu sei que a festa teve. Inicialmente, a mesma seria no Departamento de Artes, que fica na Av. Senador Salgado Filho. Muita gente, todavia, confirmou bastante a presença e o seu brilho, que resolveram mudar para o pátio do Laboratório de Comunicação, o meu querido Labcom, e terminou no setor 1.

Após comer uma pizza, eu fui para a universidade. Apesar de já ter recebido o famigerado diploma de jornalismo, eu nunca cortei o cordão umbilical da universidade. Tanto que pretendo voltar a estudar lá, no mestrado ou uma segunda graduação. Um amigo meu chegou a estranhar o fato de ter falado isso quando cheguei a cerimônia, que estava alguém discotecando e ao mesmo tempo fazendo umas performances muito loucas. Parecia que tinha mais gente do que na festa da semana passada, pois tinha carro até em cima da rotatória que fornece acesso à reitoria.

Apesar do funk e das batidas eletrônicas, as pessoas estavam querendo fazer três coisas: beber, se pegar ou caçar Pokémon. Me contaram que tinha um Snorlax circulando no CCSA. Tentei capturar, mas eu não consegui. Calma, leitor, eu não cheguei a ficar problemática por conta do joguinho. Era porque a música não fazia o meu gosto.

Volto para a festa, encontro mais pessoas, começo a conversar sobre qualquer besteira, incluindo sobre Dota 2. Começa a chuviscar. Nada de mais. Vamos ficar na sombra. A chuva parou. Vamos voltar ao pátio do Labcom? Beleza, nós voltamos ao Labcom. Estava tocando alguma coisa mais legal, comecei a me hidratar e falar besteira com os amigos. Quando chega uma forte chuva. Fico embaixo do guarda-chuva dos amigos, mas não tinha mais espaço.

Vale lembrar que este mês chove bastante na cidade.

A chuva engrossou e muita gente teve a brilhante ideia de ficar embaixo das árvores. Muito ruim e piorou mais a chuva, fazendo as pessoas a ficarem encharcadas e correrem para o Setor de Aulas I. De repente, todo mundo começou a se reunir no Setor de Aulas I, mais precisamente no corredor. Aí que a festa ficou parecendo uma aula extra de verdade, daquela matéria Corredor I, que pagava enquanto era aluna do Setor II.

As pessoas podiam ficar chateadas pelo fato da festa ter sido “estragada” pelo fenômeno da natureza. Alguns até foram embora, tentaram voltar para casa. Outros resolveram ficar e começaram rir de si mesmos.

“Amiga, minha cara tá borrada?”

“Não, a minha está?”

Outros diálogos eram assim:

“Droga, vou ter que ir para casa todo sujo.”.

“Desisti de usar o óculos.”.

“Meu Deus, fiquei gripado.”.

Mas, um amigo meu ficou falando sobre os problemas de chuva que acontecem aonde nasceu e quando choveu. “Se rolasse um pigo d’água era uma tempestade pior que essa rolando por aqui”.

Eu, por exemplo, voltei para casa com os pés sujos de tanto pisar em possa d’água e minha blusa nova estava toda encharcada. Muitos tiravam onda e falavam a seguinte frase:

“Você está parecendo um cantor de Black Metal com essa maquiagem toda barrada e cabelo escorrendo”.

Alguns chegaram a rir da situação e resolveram continuar a festa no corredor mesmo chegando usar as lâmpadas como luzes de boates, mesmo sendo olhados tortos pelos seguranças. Outros resolveram ficar bebendo a sua breja aí e continuando aquele velho diálogo. Ainda havia gente que estava tendo a ousadia de xavecar.

Se a luz se apagasse era motivo de “uhuuus” ou mini-vaias. Início de uma boa zoeira.

O palco que foi montado no pátio do Labcom ainda estava lá. E agora? Engana-se que estava vazio e a festa tinha acabado, havia um bocado de pessoas que estavam cantando e dançando forró, apesar de uma menor quantidade.

Para alguns a festa continuou, outros mudaram de lugar. Os natalenses podem não ser muito festeiros, mas eles sabem fazer estória.

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Festinha transferida no setor I

O problema é que os natalenses parecem bode ou um gato: morrem medo de água. Eles fogem para as tocas quando chovem, com medo. Preferem ficar encobertados e vendo série do Netflix na chuva do que sair para um show de artista badalado em Natal.

Depois que me fixei no Setor I, muitas das conversas foram:

“Vou embora, porque está chovendo”

“Estou com medo de gripe”

“Estou morrendo”

“Já vai? É de açúcar?”

Nesta festa não foi diferente, tanto que formou um engarrafamento enorme em uma das ladeiras. Fazendo com que uma ambulância do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) tivesse dificuldade de se locomover. O problema que a UFRN fecha os portões quando passa da meia-noite. E agora? Tinha que procurar vias alternativas em Natal. Festa em Natal na chuva: bote-se tendas ou criem um plano B.