Diário de uma torcedora na Olimpíada do Rio de Janeiro

Artigo Cidades
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Carolina Cunha Lima é jornalista formada pela UFRN, com experiência em assessoria de imprensa, e mora no Rio de Janeiro com o noivo. Com os hábitos bem cariocas já adotados, ela contou como está o Errejota neste momento de jogos. Se quiser colaborar com o Brechando é só enviar para brechandoblog@gmail.com.

Saí de casa, no sábado passado, com duas horas de antecedência para assistir aos meus primeiros jogos de vôlei da vida e em uma Olimpíada. Já no metrô, era possível sentir que o Rio de Janeiro estava invadido, não só por turistas de todas as partes do mundo, como também pelo clima Olímpico. Percebi um grupo de estrangeiros animados, conversando sobre como chegar ao local certo do jogo, em qual estação descer.

Os brasileiros por perto (vestindo a camisa verde e amarela e usando bonés, laços, e outros acessórios que forma aquele visual “torcedor”) também divergiam sobre em qual ponto saltar. Já um casal de japoneses que estava acompanhado por duas crianças, parecia bem seguro, e tirava várias fotos com elas.

Ao chegar no Maracanãzinho, local da partida, foi preciso enfrentar uma fila imensa para ser revistada antes de entrar no ginásio. Aliás, filas foram o problema até durante a partida: era impossível comprar comida e bebida sem passar muito tempo na fila. Teve gente que perdeu metade das partidas nessa “brincadeira”.

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Eu também fiquei sabendo, depois do jogo, que outras pessoas perderam o início da primeira partida, porque não chegaram muito cedo e a revista não foi nada rápida. Isso também foi uma reclamação em outros locais de jogos.

Durante a primeira partida, Japão x Coréia do Sul, o ginásio ainda não parecia muito cheio (devido a tal fila da revista), mas dava pra ver torcedores animados dos dois países, inclusive alguns estavam vestidos com os tradicionais quimonos japoneses.

Maracanãnzinho
Maracanãnzinho

Já na segunda, China x Holanda, a torcida brasileira resolveu se juntar aos torcedores holandeses para empurrar as jogadoras do país, já que as chinesas são as principais adversárias da seleção brasileira e uma vitória delas não seria coisa boa pra gente. Os gritos a favor da Holanda e as vaias contra a China deram certo, e a Holanda conseguiu vencer uma partida bem disputada na quadra e animada nas arquibancadas.

Já na segunda-feira, fui conhecer as partidas de tênis e o Parque Olímpico, criado para receber grande parte dos jogos. Novamente, saí de casa cedo. Não tive problemas com o transporte público (nova linha do metrô + integração com o BRT): apesar de cheio, funcionou bem, mas soube que muita gente passou aperto na volta pra casa, porque o metrô fechou “cedo” (funciona de segunda a sábado, das 5h às 00h; domingos e feriados, de 7h às 23h) e o BRT não circula em todos os pontos da cidade.

O que é BRT?

BRT é a sigla da palavra Bus Rapid Transit (BRT) é um tipo de sistema de transporte público baseado no uso de ônibus, visa combinar a capacidade e a velocidade do veículo leve sobre trilhos (VLT) ou do metrô com a flexibilidade, baixo custo e simplicidade de um sistema de linhas de ônibus. No Nordeste, apenas Recife, Salvador e Fortaleza têm este tipo de transporte.

Isto é um BRT
Isto é um BRT

Dessa vez, a fila para entrar praticamente não existia e a revista foi bem rápida. As lanchonetes da quadra de tênis também não tinham muitas filas, mas também não tinham comida. Sim, foi difícil conseguir pelo menos um salgado pra comer, e as opções eram bem poucas (por um preço bem salgado rs). Perdi alguns games tentando resolver a minha fome, mas tudo bem, porque as partidas do começo pareciam bem mornas.

Jogo de tênis, comidas a preço salgado
Jogo de tênis, comidas a preço salgado

A animação do público só foi aumentar no terceiro e último jogo, quando um jogador argentino entrou em quadra. Os argentinos, é claro, fizeram festa, e os brasileiros resolveram ficar do lado adversário, incentivando o português. Foi nesse clima de partida de futebol, com ambas as torcidas comemorando ponto a ponto, que os ânimos de alguns torcedores se exaltaram e rolou a treta entre um brasileiro e um argentino na arquibancada.

Eu achei bizarro isso acontecer em uma partida de tênis (!), mas ainda bem que logo se resolveu e a partida continuou. Minha reação foi mais ou menos essa:

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Depois, as provocações entre as torcidas também continuaram, só que na paz.

No Parque Olímpico o clima também era tranquilo. Grupos de torcedores caminhavam fantasiados, cantavam, tiravam fotos com os aros olímpicos e na frente dos estádios. O local também está preparado com praça de alimentação e stands de marcas parceiras. Quem não conseguiu (ou não quis) comprar ingressos para os jogos, também tem a oportunidade de aproveitar esse “clima olímpico” em outros pontos da cidade, como no Boulevard Olímpico e nas casas dos países.

São ambientes que contam com programações culturais e que trazem mais informações sobre os Jogos e os países que estão participando da Olimpíada.

Muita gente no Parque Olímpico
Muita gente nas Olimpíadas 

No fim das contas, tô achando bem válida toda essa experiência de Jogos Olímpicos. A gente sabe que o Brasil é muito carente em todos os setores, e que essa Olimpíada veio em um momento não tão favorável do país, mas torço pra que todo esse incentivo ao esporte deixe um legado entre os mais jovens.

Ver a cidade cheia de turistas, ter contato com estrangeiros (nem que seja pra ensinar onde fica a parada de ônibus ou traduzir quantos quilos de queijo a pessoa quer), e aprender sobre outras culturas nos eventos que estão rolando, é muito legal e serve até como “crescimento pessoal”. Ver os jogos (de alto nível) ao vivo, torcer junto, saber que o seu incentivo pode ajudar um atleta, também é uma experiência e tanto. Espero que esse clima continue até o fim da Rio 2016.

E pode mandar mais jogos!

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