Quando a Olimpíada virou um ato político

Recentemente, as retiradas de torcedores portando bandeiras, cartazes, ou vestindo camisetas com mensagens políticas dos locais onde ocorrem os jogos olímpicos vêm gerando discussão sobre a legalidade da medida. Neste sábado (6), vídeos publicados nas redes sociais mostraram momentos em que homens da Força Nacional abordaram e levaram para fora das arenas pessoas com mensagens contra o presidente em exercício Michel Temer.

A proibição de protestos de cunho político em estádios já foi considerada legal, em 2014, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando a corte analisou um recurso sobre a Lei da Copa.

Na noite desta segunda-feira (8), o juiz federal João Augusto Carneiro. da 12ª Vara Federal do RJ, em resposta a um pedido do Ministério Público Federal, decidiu que as pessoas podem fazer protesto político. Isto lembra que os jogos olímpicos anteriores a política já foi pauta e vamos relembrar alguns momentos a seguir:

1900- Paris: participação das mulheres

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A segunda edição das Olimpíadas, realizada em Paris, contou com a presença de mulheres; ainda que de forma bastante inexpressiva (2%). O nome que entrou para a história foi o da tenista britânica Charlotte Cooper, campeã nas competições individuais e mistas.

A proporção de mulheres continuou em patamares baixos até a edição de 1928, em Amsterdã, quando as mulheres somaram 10% dos atletas. A partir daí, a porcentagem tendeu a crescer (mas em ritmo lento), ultrapassando os 41% apenas em 2004, em Sydney, e chegando a 42% na edição de Pequim.

1936 – Negros x Nazismo

Jesse Owens

Os Jogos de 1936 aconteceram em Berlim. Quando a cidade foi candidata, Hitler não havia virado líder do governo. Mesmo assim, o regime nazista usou este espaço para divulgar o seu poder e que era uma potência tão grande quanto os outros países europeus. Investiram mais de US$ 30 milhões na organização, construindo também um novo estádio com capacidade para 110 mil espectadores, diversas instalações para abrigar as competições e uma Vila Olímpica de luxo, rodeada de lagos e bosques.

Além disso, os nazistas acreditavam que teriam como objetivo comprovar a superioridade da raça ariana em relação às demais. Porém, eles não poderia esperar de Jesse Owens.

O jogador americano era negro e foi o grande destaque daquela edição dos Jogos, garantindo quatro medalhas de ouro (100 e 200 metros rasos, salto em distância e revezamento 4×100 metros). Owens derrotou o atleta alemão Luz Long, grande esperança no salto em distância. O sucesso de Owens acabou por frustrar as intenções dos nazistas de tornar os Jogos em um grande símbolo de seu regime.

Bateu ou igualou no mesmo dia, em um espaço de 100 minutos, cinco marcas mundiais diante do olhar incrédulo do Führer, que se negou a premiar o atleta norte-americano, abandonando o estádio.

1948 – 1ª Olimpíada após a segunda guerra mundial

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Durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo foi dividido entre Eixo e Aliados. O primeiro citado era formado pela Itália, Japão e Alemanha. A Segunda Guerra Mundial foi finalizada em 1945, com a derrota do Eixo, que culminou no suposto suicídio de Adolf Hitler.

Em 1948, em Londres, na primeira olimpíada após o conflito, Japão e Alemanha não seriam convidados a participar. Fazia 12 anos que não havia jogos olímpicos por conta das batalhas.

Depois de seis anos de um conflito com milhões de vítimas e um custo financeiro impossível de se calcular, o Reino Unido aceitou o desafio de organizar os jogos. De qualquer modo, os organizadores conseguiram fazer um evento digno, restaurando o famoso Estádio de Wembley para servir como palco central dos Jogos Olímpicos, que contou com a participação de 59 nações, com a presença de 4.104 atletas, 370 deles sendo mulheres, em 19 modalidades e foram abertos pelo Rei Jorge VI em pessoa.

1968 – A luta contra o racismo

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Quando falamos do ano de 1968, nos lembramos rapidamente de política, do movimento “É proibido, proibir”, luta pela igualdade, direitos humanos e dentre outras coisas. Na Olimpíada, que aconteceu no México, não seria diferente e claro que virou uma manifestação política.

Nos Estados Unidos estava acontecendo as movimentações dos direitos civis dos negros. Na época, o líder, Martin Luther King, foi assassinado, demonstrando a tensão racial existente naquele país.

Um dos momentos mais marcantes dos jogos foi quando os corredores americanos Tommie Smith e John Carlos subiram ao pódio para receber o ouro e o bronze dos 200 metros rasos. Durante a execução do hino dos Estados Unidos, os dois levantaram os braços para o alto, com os punhos cerrados. Esse era o gesto do movimento Panteras Negras, um dos grupos mais radicais na luta pelos direitos civis para os negros nos Estados Unidos. Como manifestações políticas de qualquer natureza são proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nos ambientes dos Jogos, ambos os atletas foram expulsos do evento.

1968 – Tchecoslováquia x URSS

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A ginasta checoslovaca Vera Caslavska era favorita para brilhar novamente. Seis meses antes dos Jogos, ela assinou o “Manifesto das 2000 Palavras” contra a presença soviética em seu país. Diante do risco de ser presa, precisou fugir para as montanhas, onde continuou os treinos se agarrando de árvore em árvore e praticando o exercício de solo num descampado.

Autorizada pelo governo a voar para o México na última hora, ela levou 4 medalhas de ouro e duas de prata – e ainda encontrou tempo para se casar, numa catedral mexicana, com o velocista Josef Odlozil. Atitudes como a de virar o rosto durante a execução do hino soviético nas entregas de medalhas fizeram de Caslavska persona non grata em seu país e a levaram ao exílio no México até o fim da década de 80.

1972: Atentado envolvendo israel x palestina

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Os Jogos Olímpicos de 1972 aconteceu na cidade de Munique, na Alemanha Ocidental. Deveria ser considerado um dos jogos  mais pacíficos e tecnicamente perfeitos de todos os tempos, mas houve um atentado na Vila Olímpica que se transformou em Massacre de Munique.  Na madrugada do dia 5 de setembro, oito árabes do grupo terrorista Setembro Negro invadiram a vila olímpica, mataram dois membros da equipe de Israel e fizeram outros nove de reféns.

Os terroristas reivindicavam a libertação de 200 prisioneiros nas mãos de Israel. No confronto com a polícia, todos os reféns, cinco palestinos e mais um policial morreram. A disputa entre Israel e Palestina segue sem conclusão até hoje.

Apesar da resistência inicial, o Comitê Organizador das Olimpíadas decidiu suspender os jogos. Uma cerimônia foi feita no estádio olímpico de Munique, onde 80 000 espectadores e 3 000 atletas compareceram. Autoridades de vários países pelo mundo condenaram os atentados. Décadas mais tarde, os descentes das vítimas receberam indenizações, pelo governo alemão, que chegaram a € 3 milhões de euros.

1980 – boicote à moscou

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Apesar das pessoas lembrarem do ursinho Misha, as Olimpíadas de Moscou, em 1980, foram marcadas por um grande boicote liderado pelos Estados Unidos. O motivo do boicote era a invasão da União Soviética ao Afeganistão, que aconteceu em dezembro de 1979 (que ironia, né?). Naquela época, a Guerra Fria ainda criava uma forte tensão, dividindo o mundo entre o bloco comunista e o bloco capitalista.

Em 1984, que aconteceu em Los Angeles, o bloco comunista resolveu se vingar e boicotou os jogos.

1992- Barcelona

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Fim da União Soviética, o término da Guerra Fria, a junção das Alemanhas e do Apartheid na África do Sul marcaram os jogos de Barcelona. Este foi o primeiro jogo da Alemanha unida desde 1964 e o retorno da África do Sul aos jogos olímpicos.

O país estava suspenso das olimpíadas havia 32 anos, por conta do regime racista do Apartheid que comandava a política nacional sul-africana. Nelson Mandela havia deixado a cadeia em 1990, e se tornaria presidente do país em 1994. Em 1992 o apartheid ainda não havia oficialmente se encerrado, mas a própria participação do país nos jogos ilustrava o enfraquecimento do horror que abateu a África do Sul por impressionantes 46 anos.

2012 – participação das mulheres muçulmanas

Members of Saudi Arabia's contingent take part in athletes parade during opening ceremony of London 2012 Olympic Games at Olympic Stadium

Os Jogos de Londres terminaram como um marco na afirmação feminina em países muçulmanos. Foi a primeira vez em que a Arábia Saudita, assim como Catar e Brunei, enviaram atletas mulheres para os jogos. A presença de mulheres nessas delegações fez com que pela primeira vez na história dos jogos, todos os países participantes enviaram delegações femininas.

Crime tenebroso que aconteceu em Capim Macio na década de 70

O ano era 1975. O mês era agosto. Na época Capim Macio era uma região longínqua de Natal e era abrigado por diversas granjas, tanto que a granja que será falada se chama “Capim Macio”. Uma delas pertencia a professora alemã Ruth Carolina Marta Looman e ela morava com a mãe, as três filhas e a empregada doméstica, de 14 anos e estava grávida. Ainda tinha o José Vilarim Neto, o caseiro, de 25 anos, sendo descrito como um homem baixo e moreno, mas prestativo e considerado um bom ajudante de serviços pesados.

Vilarim havia sido demitido e na noite do dia 8 de agosto matou com um rifle de calibre 12 as duas filhas mais velhas de Ruth Carolina, Carla e Anthonieta, a mãe e a empregada. Feito isso, ele foi ao quintal da casa e cavou um grande buraco, onde pretendia colocar os corpos.

Ruth não estava em casa quando aconteceu o crime. Ela chegou na granja junto com a caçula Astrid enquanto o assassino estava lá. O ex-caseiro tentou matar a dona da granja, desferindo dois disparos que lhe atingiram o maxilar e o ombro. Apesar de ter sido ferida, ela conseguiu desarmá-lo e se trancou com Astrid, conseguindo sobreviver. O caseiro, por sua vez, fugiu.

Ruth e Astrid buscaram ajuda e foram encaminhadas para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Vilarim passou a ser caçado e virou o “Monstro de Capim Macio”. Na época, todos os jornais da capital potiguar começaram a relatar sobre o caso. 15 dias depois Vilarim foi capturado em uma granja próximo a Macaíba, pelo delegado Maurílio Pinto, coordenador-geral da Polícia Civil na época.

Vilarim, o acusado de ter feito a chacina
Vilarim, o acusado de ter feito a chacina

Quase cinco anos depois Vilarim sentou no banco dos réus, sendo acusado da prática de quatro homicídios, necrofilia e lesão corporal. Foi condenado a 132 anos de prisão e mais 2 anos de medida de segurança. Consta que esta foi a maior sentença já aplicada na história da justiça criminal do Rio Grande do Norte. Chegou a ser conduzido para a Penitenciária João Chaves, o “Caldeirão do Diabo”, mas fugiu e ninguém soube do paradeiro do mesmo.

Já as sobreviventes continuaram em Natal, onde continuaram fazendo as suas atividades cotidianamente.