1 01America/Bahia junho 01America/Bahia 2016 – Brechando

Desabafo de um professor em Natal

É muito difícil ser professor. No Brasil, nem se fala. Muitos amigos lutam todos os dias para que a profissão seja valorizada tanto pelos alunos quanto pelos pais e a sociedade. Após se formar em qualquer curso de licenciatura, o professor rala em passar num concurso numa instituição pública ou ser contratado numa particular. O professor Renan Ramalho está na lista daqueles profissionais que lutam por uma boa qualidade de ensino. Na segunda-feira (30), ele utilizou a sua conta nas redes sociais para desabafar um dos problemas aonde trabalha.

Ramalho entrou na rede estadual de ensino no ano passado. No fim do primeiro bimestre estava na Nestor Lima. Agora, ele ensina história na Escola Estadual Walfredo Gurgel, no bairro de Candelária, zona Sul da capital potiguar. É uma das maiores instituições estaduais da cidade, mas passa por problemas.  A maioria dos alunos vem do bairro do Planalto, na zona Oeste.

De acordo com o professor, a escola reduziu o quinto horário do turno da tarde devido à falta de transporte aos alunos. Após três semanas passando por essa situação, o transporte escolar foi cancelado por falta de pagamento. Então, Ramalho decidiu desabafar nas redes sociais fotografando uma de suas salas de aulas vazias por conta deste problema.

“Fotografei durante os primeiros vinte minutos de aula, quando ainda não tínhamos a confirmação se haveria expediente ou não na segunda-feira”, comentou.

O docente comentou ao Brechando que este problema no Walfredo Gurgel, no qual trabalha há dois meses, acontece constantemente. “O horário correto de terminar ás aulas deveria ser 17h30, mas os motoristas saem do colégio 15 minutos antes. Esse é um vício já incorporado na rotina do colégio. Além disso, os ônibus geralmente ficam quebrados, o que agrava cada vez mais o prejuízo”, relatou.

Ramalho ainda comentou que agora já está entrando na quarta semana que o colégio não tem os últimos horários de aula por conta da falta de ônibus. “O quarto horário, que é o penúltimo, foi reduzido em 30 minutos”.

Além da falta de transporte público, Renan não conseguiu afirmar se isso era um dos piores problemas existentes no colégio aonde trabalha, visto que o desafio da docência são diários e com diferentes graus de dificuldade. “Um dos meus desafios é pelo fato de estar desde outubro sem salários, visto que todos os professores recém-contratados levam sete meses para receber o primeiro pagamento. Também tem a desvalorização do profissional, descaso público e falta de gestão em algumas escolas”, desabafou.

Os ônibus são aqueles amarelos distribuídos pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC) e levam os alunos que moram em cidades vizinhas.  No interior do estado, esses ônibus ajudam a transportar os alunos da zona rural para urbana dos municípios.  Procurada, a assessoria de imprensa da SEEC nos fornecerá uma resposta sobre a solução do transporte no Walfredo Gurgel e uma outra matéria será elaborada para falar a solução do assunto.

Aluno potiguar ganha bolsa na Havard

Este menino da foto acima se chama Allan Coutinho, natural do Rio Grande do Norte e agora conseguiu uma bolsa para estudar na Havard.  O jovem estava com uma campanha no site de financiamento coletivo Kickante, onde pedia ajuda para estudar na maior faculdade dos Estados Unidos. Mas, a campanha acabou e isso não foi o fim, visto que conseguiu algo melhor. Baseado nas informações da campanha, vamos contar a sua história a seguir.

Ele cresceu em uma região com poucos recursos e extrema desigualdade, fazendo com que ele se apaixonasse por projetos envolvendo questões sociais.

Depois, ele conseguiu ingressar no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), onde conseguiu aprender em inglês e se formar no Ensino Médio. Dentro do IF, Coutinho se envolveu com atividades de movimentos sociais e se dedicou de forma voluntária em lutas por diversas organizações não-governamentais e sem-fins-lucrativos. Durante quatro anos, Allan desenvolveu projetos educacionais para crianças e adolescentes em situação de risco.

Na foto a seguir, mostra ele participando de um projeto no Grupo de Apoio a Criança Contra o Câncer (GAAC) em Natal:

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No meio destas mudanças, o garoto de família humilde conseguiu se mudar para os Estados Unidos para ingressar numa universidade. Como assim?

Allan foi selecionado para se tornar um Jovem Embaixador – programa patrocinado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, e no mesmo ano, recebeu honras e homenagens de diversas instituições de ensino no exterior. Em 2012, Allan foi selecionado pela Green Mountain College, para ser o ganhador da “Make a Difference Scholarship”, tendo 100% do seu ensino superior custeado pela universidade americana, devido ao seu envolvimento com a sociedade. Allan decidiu pela área de Desenvolvimento Internacional.

Enquanto aluno, Allan coordenou projetos para a comunidade em parceria com a UNICEF, Model-UN, e outras organizações ligadas à ONU. Foi selecionado pelo Ministério da Educação do Japão para cursar um semestre de seu curso na Universidade de Nagoya.

11484341_1463508034.1605_funddescriptionRecentemente, Allan foi aprovado para o programa de mestrado de Harvard, no qual pretende seguir seu sonho e advogar por comunidades que não têm suas vozes ouvidas. Allan se tornou receptor da Lemann Fellow Scholarship, para que parte dos seus estudos pudessem ser custeados, porém, o valor ainda não é o suficiente.

Apesar da campanha de financiamento coletivo, ele conseguiu uma bolsa da Havard. “Acabei de receber um e-mail da Havard me falando que vão me oferecer a bolsa por condição financeira novamente, Depois de muitos e-mails e ligações nesses últimos três dias, a Universidade conseguiu me ajudar”, comentou no site da doação de campanha. Portanto, os custos do mestrado serão pagos pela Lemann Fellow Scholarship e pela Havard.

O dinheiro arrecadado pelo Kickante será devolvido para aqueles que ajudaram. “Minha jornada até aqui tem sido em prol de uma causa que não é só minha, mas de muitos Brasileiros. Eu sei que nosso país passa por momentos delicados, mas vejo em situações como essa que temos forças para muitas coisas, juntos. O poder do nosso tecido social não tem preço. Irei para Harvard sim, mas retornarei, assim como muitos outros Brasileiros. Nosso país nos trará muito mais orgulho”, afirmou o jovem.