Conversando durante roubo na calçada do shopping

Uma das páginas que adoro da cidade se chama Natal Invisível, que segue nos mesmos moldes do “Humans of New York”, no qual tenta procurar diversas pessoas nas ruas para falar sobre a história de suas vidas. Uma das postagens do grupo podem ser conferida a seguir:

O foco é principalmente coletar depoimento dos moradores de ruas da cidade. Mas, durante os bastidores, algo inusitado aconteceu. O criador da página, Mateus Facussé, estava coletando novos depoimentos na tarde deste sábado (28), na calçada do Midway Mall, no bairro do Tirol, zona Leste de Natal, quando foi abordado por um ladrão que queria roubar a câmera que estava fazendo o seu trabalho. Detalhe: esta foi a primeira vez que foi vítima de um assalto.

O ato que poderia ser algo traumatizante para Facussé e fazer com que ele parasse de atualizar a página fez com que aparecesse algo inusitado: ele ficou dialogando com o ladrão.

Uma das fotos do Natal Invisível (Foto: Facebook)
Uma das fotos do Natal Invisível (Foto: Facebook)

“Fez amizade comigo e começou a contar sobre a sua vida no crime. Disse que eu ia tinha cara de ser uma boa pessoa e que não ia fazer nada comigo, porém, ia fazer um arrastão na parada de ônibus que eu estava. Acredito que ele estava drogado, por isso mudou de ideia em me assaltar. Seus pensamentos oscilavam. Ora ele pedia os meus pertences, ora desistia por dizer que eu era uma boa pessoa, que ajudava o próximo. Contei para ele da existência da minha página e mostrei para ele todas as fotos dos depoimentos que eu tinha acabado de pegar”, afirmou Farcussé.

Matheus disse que até agora não entende o que foi esse assalto, apesar de não ter pensado em reagir, visto que ele estava acompanhado de uma pessoa. “Não sei se o arrastão foi realizado após isso, tendo em vista que subi no primeiro ônibus que apareceu. Por ironia do destino, o carro da polícia passou ao nosso lado enquanto conversávamos”, relatou.

Mateus, integrante da Natal Invisível, com cabelo grande ainda (Foto: Facebook)
Mateus, integrante da Natal Invisível, com cabelo grande ainda (Foto: Facebook)

Em entrevista ao blog Brechando, Matheus comentou que ele soube que o rapaz começou a sua carreira de bandido após a morte da mãe, onde ele adentrou ao mundo das drogas ilícitas. “Ele disse que não sairia [do crime], porque se quisesse ser um cidadão comum, os inimigos dele o matariam”, lamentou o jovem.

No meio deste diálogo, o ladrão devolveu o cartão de memória ao rapaz, mas que perdeu após a carreira de Matheus pegar o primeiro ônibus que viu pela frente. Além disso, ele ressaltou que a polícia estava rondando o local, porém não lhes abordaram.

“O rapaz levou apenas a minha câmera e me deixou ficar com o cartão de memória, porém eu o deixei cair, na pressa de subir no ônibus. Peguei quatro histórias aos arredores do Midway, dentre eles, o depoimento de um rapaz que veio parar nas ruas depois que os seus pais morreram em um acidente. Infelizmente, acho que não será possível postar nenhuma dessas histórias, porque já não tenho mais as fotos de nenhum deles”.

Após o roubo, Matheus criou uma vaquinha para adquirir uma nova câmera para continuar com os seus trabalhos.

Veja a postagem completa da página a seguir:

Fotógrafo desabafa assalto em ponto turístico

O fotógrafo potiguar Alex Gurgel postou em seu site sobre o assalto que ocorreu na tarde deste sábado (28) na praia do Forte, já próximo da Fortaleza dos Reis Magos. Gurgel iria levar uma turma para fotografar o pôr do sol na região quando foi surpreendido por idosos que estavam desesperados e comentando que acabaram de ser assaltados.

“Apesar de a gente ter se preparado para enfrentar esse cenário com segurança, nós não ficamos tranquilos quando vimos a cena que acabará de acontecer. No início do estacionamento, tinha uma viatura da Polícia Militar que não inibiu os bandidos que cometerem o assalto a mão armada”, afirmou Alex.

O fotógrafo ainda comentou que a polícia ainda foi acionada e contou que quatro bandidos saíram do mangue que fica próximo da passarela de pedra.  Vale lembrar que entre a praia e o prédio histórico existe uma passarela de pedra, onde os turistas andam para adentrar à Fortaleza (de um lado fica o rio Potengi e o outro o mar). A ação foi rápida e eles fugiram pelo manguezal.

Confira o depoimento completo do fotógrafo a seguir:

Na tarde desse sábado, dia 28 de maio de 2016, levei meus alunos de fotografia para fazer um pôr do sol tendo a Ponte Newton Navarro e o Rio Potengi como cenários. A turma de 15 pessoas chegou, estacionou e, quando começamos a nos preparar para entrar na estradinha que leva até a Fortaleza dos Reis Magos, vinha um senhor desesperado, dizendo que tinha acabado de ser assaltado. Atrás dele, um grupo de senhoras caminhavam lentamente chorando, apavoradas. Apesar de a gente ter se preparado para enfrentar esse cenário com segurança, (sim, levamos segurança), nós não ficamos tranquilos quando vimos a cena que acabará de acontecer. No início do estacionamento, tinha uma viatura da Polícia Militar que não inibiu os bandidos que cometerem o assalto a mão armada.

O rapaz que vinha na frente desesperado chamou a viatura da PM e contou que foram quatro bandidos, todos armados, que surgiram do mangue e sumiram pelo mangue também. Apesar de agente ter levado um segurança, nós desistimos na hora de ficar para fotografar o pôr do sol na beira do Potengi pela falta total de segurança. A guarnição que estava no local, não inibiu os meliantes e a sensação de insegurança tomou conta de todos que tinham câmeras de alto padrão e caras, alvo fácil para os bandidos que estão aterrorizando turistas e fotógrafos no caminho do Forte dos Reis Magos. Como eram quatro bandidos armados, todos foram unânimes em sair do local imediatamente.

O sentimento que fica é de total falta de segurança. Ora, se não há segurança num dos principais pontos turísticos de Natal, imagine na noite pelos bairros! Os turistas comprovaram da por maneira que está muito perigoso visitar Natal. O grupo de fotógrafos descobriu da pior forma que não é possível fotografar as belezas da Cidade do Sol com equipamentos caros porque o Governo do RN continua inerte com a Segurança Pública.

Alex Gurgel Fotógrafo, professor de Fotografia e jornalista

A Fortaleza dos Reis Magos é uma edificação militar histórica localizada na cidade de Natal, onde ajudou a começar a fundar o que seria hoje o estado do Rio Grande do Norte, além de ser o marco inicial para a fundação da capital potiguar. É administrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Ministério da Cultura.

Recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, dia de Reis pelo calendário católico.

O prédio foi construído no início da dominação portuguesa ao Brasil quando a terra era ameaçada por corsários franceses que traficavam o pau-brasil. Sob o comando do Capitão-mor da Capitania de Pernambuco, Manuel de Mascarenhas Homem, com ordens para iniciar uma fortificação. Para a defesa do acampamento, junto à praia, foi iniciada uma paliçada de estacada e taipa, com planta no formato circular, à moda indígena, a 6 de janeiro de 1598 (dia dos Santos Reis), enquanto se procedia à escolha do local definitivo para a fortificação ordenada pela coroa portuguesa.

Hoje, o prédio, que é importante para a história potiguar, se encontra com a reforma paralisada. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1949 e esteve sob a administração da Fundação José Augusto, fundação pública ligada ao Governo do Rio Grande do Norte, de 1965 até dezembro de 2013. A última grande intervenção de conservação foi realizada em 2005.

Ato “Por Todas Elas”: o dia que a Ribeira questionou o machismo

Grupo de mulheres realizam protesto em todo o Brasil contra os casos de estupros e violência contra mulher que foram impunes. Recentemente, no Rio de Janeiro, uma jovem de 16 anos, atacada por mais de 30 homens e exposta em vídeo divulgado na internet, revoltou milhões de pessoas no Rio, no Brasil e no exterior. Neste sábado (28), o protesto aconteceu em Natal, no bairro da Ribeira, onde mulheres marcharam pelas ruas, com cartazes em punho, por melhores apurações nos casos envolvendo crimes contra o gênero feminino e também pelo fim da cultura do machismo.

Fotos: Itamar Léo
Fotos: Itamar Léo

O nome do evento se chama “Por Todas Elas”, a intenção é mostrar a revolta pelo caso que chocou várias cidades brasileiras.

“Os agressores divulgaram vídeos e fotos em redes sociais como se fossem troféus por seu feito. Violentaram-na e depois expuseram-na. Essa violência não é um fato isolado, essa violência é reflexo da nossa sociedade machista, de uma sociedade que condena e culpa a vítima, e justifica a violência do agressor, sociedade essa que todos os dias estupra várias mulheres, que espanca, assedia, discrimina, menospreza, que quer nos colocar sempre em lugar de submissão, de inferioridade aos homens, sociedade essa que tem seu governo omisso ás violências sofridas por nós mulheres diariamente”, disse uma das organizadoras do evento.

Centenas de mulheres compareceram ao tradicional bairro da capital potiguar e mostraram as suas indignações pelo fato da mulher ter que ser desafiada em todas as fases de suas vidas. Várias imagens e vídeos do protesto foram compartilhadas nas redes sociais. O protesto foi totalmente organizado através do Facebook e nesta semana mais protestos em outras cidades brasileiras ocorrerão.

“Nós não vamos mais deixar passar esse machismo que quer se tornar crônico, não mais nos calaremos, não mais nos silenciaremos, e em forma de grito, de manifesto, de repúdio à todas as forma de violência sofrida por nós mulheres seja física ou psicológica”, conta a descrição do evento via Facebook.

O ponto de concentração do evento foi a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde o local está sendo ocupado por críticas as atitudes do atual governo de Michel Temer, como a extinção inicial do Ministério da Cultura e fim da Secretaria Nacional de Mulher. Vale lembrar que o primeiro ministério citado já foi recriado.

“O protesto foi lindo,é orgulho,é luta…Quando uma mulher luta o machismo retrocede”, comentou uma das participantes do evento no Facebook após de ter participado do ato.

Além disso, houve uma intervenção artística chamada #ADordeTodos, no qual atores desfilaram de camisetas brancas e as mancharam de tinta vermelha, representando a dor vítimas. O grupo também fotografou homens e mulheres que participaram do ato. O integrante do grupo, Itamar Léo, cedeu as fotos para o Brechando.

De acordo com a estimativa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em informações das secretarias estaduais de Segurança, apenas 35% desses crimes são registrados nas delegacias em todo o país.

Apesar do foco do ato é mostrar a indignação das mulheres, muitos homens acompanharam a manifestação como forma de apoiar as meninas.

Confira as fotos a seguir: