Como pedir a pessoa em casamento usando pizza?

Isabelle e Victor já namorava há algum tempo e desejavam se casar. A história foi reproduzida pelo Novo Jornal, que também foi postada oficialmente no Facebook do estabelecimento onde aconteceu a história. Então, Victor resolveu a chamar para uma pizzaria em Capim Macio, na presença de amigos e familiares. A intenção era a pedir em casamento.

Com a ajudinha do gerente da loja, eles resolveram fazer uma pegadinha com a pobre da companheira.

Eles jantaram normalmente, No final do jantar, o gerente chegou com uma caixa de pizza para Isabelle, falando ser enviada por um outro rapaz, mais alto e moreno. Victor, com atuação digna de ator, fingiu ficar chateado com a abordagem e exigiu explicações. Quando abriu a caixa havia uma pizza de chocolate em forma de coração e e com a famosa frase “quer casar comigo?” escrita com chantilly e algumas cerejas.

Então, o rapaz ficou de joelho, fez aquele discurso e a Isabelle prontamente aceitou o pedido de casamento, para a alegria do agora noivo.  O casamento está marcado para novembro.

O pedido de casamento está todo registrado pelo You Tube (fui procurar no Novo Jornal e não tinha, aí tive que fazer uma investigação). O vídeo pode ser conferido a seguir:

 

Pium exibe doc sobre a relação de adulto com lúdico

Que tal ver filminho em um lugar diferente? O bairro de Pium, que fica na cidade Parnamirim. Esta é a proposta do evento que vai exibir o documentário, na próxima sexta-feira (20), às 19 horas, “Tarja Branca – A Revolução que Faltava” (2013), no restaurante Govinda, especializado em comida vegetariana e indiana.

Dirigido por Cacau Rhoden, o filme traz uma nova visão da arte de brincar do ser humano, convidando-o para refletir sobre como despertar a criança que existe em si. Por meio de depoimentos de pessoas de várias gerações, origens e carreiras diferentes, o documentário discute as variadas formas de brincadeira, atitude primordial da natureza humana e essencial para a construção do comportamento do homem, mesmo diante da agitação e frieza dos tempos modernos.

Nascido em Curitiba em 1974, Rhoden decidiu cedo trabalhar no audiovisual. conseguiu estágio em uma produtora por indicação de uma amiga mais velha. Começou varrendo o set e servindo café mas virou Diretor de Produção aos 21 anos. A produtora, SIR, era uma das maiores do Brasil à época e, como suas concorrentes, era mais dedicada à produção de filmes publicitários e institucionais, já que a produção cinematográfica nacional era insipiente.

Em 2003, ele produziu “Infinitamente Maio”, um curta que mostra a história de Raul chega em casa e encontra sua mulher fazendo sexo com outro. Em 2005 dirigiu “Meninos de Areia”, uma alegoria sobre duas crianças que têm um relacionamento ambíguo num universo absurdo de sonhos e pesadelos.

A criação do documentário Tarja Branca veio convite da produtora Maria Farinha, que também ajudou na elaboração de “Muito Além do Peso”.

O documentário intercala depoimentos de diferentes especialistas que refletem a relação do homem contemporâneo com o seu espírito lúdico e fala sobre a importância do brincar no desenvolvimento da criança. O conteúdo acaba por gerar um debate com reflexões sobre a criança que existe em cada um de nós e apresenta o “brincar” como um dos atos mais ancestrais desenvolvidos pelo homem para se conhecer melhor e relacionar com o mundo.

As brincadeiras infantis fazem parte de nossa formação social, intelectual e afetiva. Por elas nos socializamos, nos definimos e introjetamos muitos dos hábitos culturais da vida adulta. Todos brincamos na infância e no brincar fomos livres e felizes. Mas será que ainda carregamos essa subjetividade brincante e cultura lúdica vivas dentro de nós? Será que a criança que fomos se orgulharia do adulto em que se transformou?

Tarja Branca é um manifesto a importância de continuar sustentando um espírito lúdico, que surge em nossa infância e que o sistema nos impele a abandonar em nossa vida adulta. A intenção é questionar: Por que, nós adultos, temos vergonha de brincar?

O doc tem como elenco Antônio Carlos Nóbrega, Domingos Montagner, José Simão, Wandi Doratiotto e Bráulio Tavares. O projeto é interessante não só pelo resultado final, que mereceu até prêmio internacional, mas o processo de criação também se destaca. Rhoden conta que o filme começou pequeno e foi ganhando tamanho ao longo da sua pesquisa de preparação.

A ideia de exibição vem do Cine Mambembe da Tropa Trupe, em parceria com o coletivo Educadores de Pium.

Cartaz do filme pode ser conferido a seguir:

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Serviço
Exibição gratuita do filme: Tarja Branca
Data: Sexta, 20/05/2016
Hora: 19:00
Capacidade: 70 lugares
Classificação: Livre
Local: Restaurante Govinda, Rua Edgard Medeiros n05, Pium, Natal, Rio Grande do Norte

Minc: Cultura deve ser tratada como política pública?

No álbum “Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas”, lançado em 1987, o grupo Titãs disponibilizou uma música chamada “Comida”, onde uma das estrofes mais famosas eram:

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

Após 29 anos, a letra composta por Arnaldo Antunes continua sendo atual. Por sinal, Antunes criticou bastante a situação cultural brasileira, ele é um dos apoiadores da ocupação de brasileiros nos prédios pertencentes ao Ministério da Cultura (Minc). Os artistas potiguares também aderiram à causa. Eles ocuparam o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde terça-feira (17). O objetivo do protesto é criticar as medidas do novo Governo Federal, no qual conurbou o Ministério da Educação com o da Cultura.

O Iphan é uma autarquia do Governo do Brasil, vinculada ao Ministério da Cultura há 30 anos, responsável pela preservação do acervo patrimonial tangível e intangível do país. Dentro dos prédios que é administrado pelo instituto está a Fortaleza dos Reis Magos, cuja obra de reforma está paralisada. A criação da Instituição obedece a um princípio normativo, atualmente contemplado pelo artigo 216 da Constituição da República Federativa do Brasil.

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Apresentações culturais são destaques da manifestação

Neste momento, dentro do casarão do órgão localizado na Ribeira, acontecem oficinas, ensaios abertos, mostra audiovisual e música. Centenas de pessoas estão dentro do local. Cheguei às 16 horas e estava rolando várias atividades ao mesmo tempo. O sol ainda estava forte quando o Brechando foi acompanhar a manifestação e perguntou aos ocupantes do prédio e também aos simpatizantes: Qual a importância de manter a cultura como política pública?

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Fotos: Lara Paiva

Para a produtora cultural, Nathalia Santana, o Ministério da Cultura é uma das poucas formas que tratou o assunto como política pública, independente de que lado político seja inserido.

“Falar de cultura não depende de partido político ou governo, é algo nosso, que vem cotidianamente, da nossa vivência, crenças e modos. Dentro da cultura está a arte e as manifestações artísticas, como teatro, cinema, circo, dança, literatura e a fotografia. O papel do governo é estimular a produção, acesso e continuidade com estas manifestações artísticas. As pessoas pensam que cultura é só shows e festas culturais, é muito mais amplo.  A Cultura é uma forma de ajudar a manter os grupos artísticos, patrimônio material e imaterial e comunidades quilombolas e ciganas”, disse a produtora, que também faz parte da organização de comunicação da ocupação em Natal, que acontece em outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e dentre outras.

A artista Stephane Vasconcelos lamentou a situação de transformar um Ministério da Cultura para uma Secretaria Nacional de Cultura. De acordo com a Vasconcelos, o ocorrido é um exemplo de um retrocesso. “Já foi comprovado com estudos que a importância cultural é importante para a formação intelectual da pessoa e também a geração de recursos. A cultura, hoje, representa cinco por cento do que está sendo produzido economicamente”, disse Stephane Vasconcelos.

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Já para Gustavo Guedes, a fusão do Ministério da Cultura com Educação não é benéfica para as duas áreas. A tendência é que o estímulo às atividades culturais diminua cada vez mais. “Agora com a fusão de dois ministérios sem o planejamento ou estudo mostra que os políticos estão despreparados e que estão nem aí com a cultura”, justificou.

O Rudá de Melo analisou que mesmo voltasse o Ministério, a gestão deve ser questionada e necessita retirar a falta de valorização cultural. “Precisa ter algum gestor especificado na questão cultural, pois através dela que traz valores importantes para a sociedade e comunidade. Se voltar o Ministério da Cultura neste governo será uma outra forma de gestão e terá que mudar de muitas coisas.”.

Como falado anteriormente, durante a ocupação acontecem várias atividades culturais, como palestras, oficinas, apresentações culturais e dentre outras coisas. A intenção é mostrar a importância da cultura em nosso cotidiano. O ator César Ferrario participou de uma palestra feita por estudantes de Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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“O espaço da arte e da cultura é manter as vivências de uma determinada população”, disse o ator César Ferrario

Ferrario, por sua vez, acredita que a cultura é algo útil para sociedade e o lugar onde as pessoas possam se sentir livres.

“A importância da cultura para mim é o lugar de liberdade. É uma janela aberta para que possamos imaginar, se projetar, outras realidades que estão distantes da gente. O espaço da arte e da cultura é manter as vivências de uma determinada população, algo que provavelmente não experimentei e não compreendo. É o espaço útil”, comentou.

O estudante de Teatro, Mário Rubens, que também participou da palestra, avaliou a importância sociocultural no Brasil: “Manter a cultura abrange todas as áreas que envolve a cidadania. Sem cultura, nós não somos cidadãos. As pessoas estão vendo a importância de manter as manifestações históricas e culturais vivas”.

À medida que as atividades das manifestações aconteciam, várias pessoas compareceram ao bairro da Ribeira para registrar o momento. Amanda Bones trouxe a sua câmera analógica com filme preto e branco como forma de mostrar o apoio ao protesto de ocupação do prédio.

A Amanda analisou que a importância da cultura como política pública é uma necessidade básica tão importante quanto a comida. “Nós temos necessidades básicas, como alimentação, saúde e moradia, mas a questão cultural também está incluída. Cultura é o que move as pessoas e o nosso intelecto”, disse.

Bones ainda elogiou a participação das pessoas neste ato. “A ocupação mostra um pouco do que a cultura pode funcionar para uma população, onde as pessoas podem compartilhar o intelecto e conhecimento com as outras pessoas.”, Amanda Bones.

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Dentro da ocupação, os servidores do Iphan estão apoiando a manifestação, no qual alega que a situação atual do Ministério da Cultura já era caótica e estão temendo como funcionará o setor cultural brasileiro a partir destas mudanças. “A junção dos dois ministérios já mostra que não houve um estudo necessário para saber o quanto afetaria para as duas pastas. Foi um ato de politicagem”, alegou uma das funcionários que pediu o anonimato.

Os artista potiguares e apoiadores ainda continuam acampados por tempo indeterminado e durante todos os dias ocorrerão diversas atividades.  Confira as fotos da ocupação, fotografadas na tarde desta quarta-feira (18):