Artistas potiguares discutem o fim do Minc

Artistas potiguares discutirão na Casa da Ribeira, nesta segunda-feira (16), a partir das 19 horas, sobre o fim do Ministério da Cultura e criarão uma campanha para o retorno do órgão público. O debate será composto por intelectuais, jornalistas, produtores culturais e outros membros da classe artística.

No último fim de semana, o Brasil presenciou a mudança de sua gestão do Governo Federal, que agora será assumido por 180 dias por Michel Temer, podendo se estender até o fim de 2017. Uma das medidas da nova administração foi a fusão do Ministério da Cultura (Minc) e Ministério da Educação (MEC), algo que não existia desde 1985, quando o país se safou da Ditadura Militar.

Uma das primeiras medidas do novo Governo foi a publicação do decreto no Diário Oficial da União (DOU), extinguindo alguns dos ministérios, como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério da Cultura.

Inconformados, muitos artistas estão criando várias campanhas para pedir o fim da extinção do Ministério da Cultura, entidade principal representativa da cultura e políticas culturais no Brasil. Após a insatisfação, a nova presidência cogita criar uma Secretaria Nacional de Cultura, no qual até o momento não possui o nome para assumir.

Os artistas potiguares também estão insatisfeito com a nomeação do novo Ministério da Educação e Cultura, que agora é comandado pelo deputado federal pernambucano Mendonça Filho, do partido Democratas.

Para debater sobre o tema proposto foram convidados Durval Muniz de Albuquerque Júnior, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Sávio Araújo, também professor da UFRN, o ex-diretor da Fundação José Augusto (FJA), Rodrigo Bico, Gilson Matias, ex-chefe da representação regional nordeste do Ministério da Cultural, e Nara Pessoa, professora do curso de Produção Cultural do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

O debate será mediado por Tácito Costa, jornalista cultural e atualmente um dos cabeças do site de jornalismo cultural Substantivo Plural. Além disso, trabalhou nos principais veículos de comunicação e assessorias de imprensa do RN. Foi professor da UNP, editou a revista PREÁ e coordenou o Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães.

Além do debate que será organizado com a primeira hora reservada para falas expositivas dos convidados e após isso aberto para intervenções e perguntas do público presente, será realizado um vídeo manifesto em prol do MinC e também serão feitas fotografias com plaquinhas para disseminação nas mídias sociais.

Esta ação é organizada pelo Fórum Potiguar de Cultura e Casa da Ribeira. Conta ainda com a colaboração e emprenho de todos que ajudam a divulgar, que se disponibilizaram para fotografar, filmar, cobrir pelas mídias sociais, ajudar na logística e muito mais.

A gente não tem o guaraná Dolly, mas o Dore

Muitos têm “vergonha” de falar que gosta de guaranás mais baratos do que os tradicionais, ficam tirando sarro desses produtos, mas esquecem que os mesmos tiveram uma luta por trás para ficarem famosos. No Rio Grande do Norte, nós temos um guaraná que fica na cidade de Parnamirim: o Dore. Quem nunca o comprou por ser mais barato?

053b3d28896515.55dc8ded7ea02Já presenciei em vários aniversários de parentes e amigos usando este guaraná que está há mais de 100 anos em atividade (mas, já?). Alguns pensam que o guaraná Dore é genuinamente potiguar, mas ele nasceu na Paraíba.

Uma das curiosidades é que foi a Dore a primeira fábrica de refrigerantes instalada no Nordeste brasileiro. Sabia que a Grapette e Dore são fabricadas no mesmo local? Quem pede sempre repete.

A Dore foi fundada por um engenheiro inglês chamado Sidney Clement Dore, em 1911, na cidade de João Pessoa. Surgiu antes da Coca-Cola chegar ao Brasil. As garrafas para colocar os produtos eram importadas da Europa.

Na época a empresa, a Anglo Brasileira de Águas Gasosas, era pequena, mas produziam os refris nos mesmos moldes em que se era fabricado um na Inglaterra. Atendia apenas a capital paraibana, cidades circunvizinhas e interior do estado.  Era filho de um ta­be­lião e de uma do­na de ca­sa na Inglaterra, Sidney nas­ceu em Londres, formou-se em en­ge­nha­ria e che­gou as terras tupiniquins com 25 anos de idade.

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Em 1917 foi fundada a segunda fábrica de bebidas gasosas em Natal, situada na Rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira. Como não encontrou, por aqui, um mercado promissor, a unidade foi fechada

Na década de 50, os filhos de Sidney tomaram a frente do negócio familiar, conjugando esforços em favor da manutenção da empresa. Então, a fábrica do Rio Grande do Norte passou a ser filial da matriz. Ou seja, eles voltaram a acreditar no Rio Grande do Norte.

Novas ampliações e mudanças foram implementadas desde então, principalmente na matriz paraibana, onde novo conjunto de equipamentos alemães foram importados para a expansão da divisão de refrigerantes.

Atualmente, a principal fábrica da Dore é aquela localizada no estado potiguar.

Hoje, a empresa tem mais de 200 empregados e apesar das pessoas “mangarem” dos guaranás e conseguir sobreviver à luta dos produtos gringos, eles ainda estão na ativa. Atualmente a empresa é administrada por netos e trisnetos do Sidney Dore.