As desvantagens de ter Mcdonald’s perto de casa

Minha casa fica muito perto de um dos Mc Donald’s existentes na cidade, no total existem oito. Mais precisamente à dois quarteirões e já ouvi muitas frases como:

“Nossa, que legal você mora perto do Mc”.

“Queria morar perto do Mc”.

“Nossa, você deve engordar horrores”.

“Se morasse perto do Mc, eu engordaria e ficaria pobre”.

Mas, quero desconstruir algumas dessas frases e refletir de como estamos acostumados demais a ter coisas com qualidades duvidosas só por ser mais fácil. Fico me lembrando do filme Wall-E de que as pessoas comiam sanduíches dentro da nave por ser prático e depois a vida ficou terrível, pois ficaram obesos e com capacidade motora ilimitada.

O fato de ter um Mc perto de casa me fez refletir e desconstruir diversas coisas que pensava durante toda a vida. Antigamente, quando viajava para cidades como Fortaleza e Recife, achava uma ideia de “cidade desenvolvida” ter a rede de fast food em cada canto da cidade e que Natal era terrível por ter apenas duas unidades da lanchonete.

Demorou muito para que os natalenses aceitassem a lanchonete made in USA, visto que o lance mesmo era comer no Pittsburg, uma lanchonete mais antiga e já querida pelos natalenses.

Em meados dos anos 2000, as duas franquias da cidade fecharam e as pessoas começaram a realmente sentir falta do Ronald Mcdonald e seus amigos. Reza a lenda que o estabelecimento fechou por conta da lenda que uma criança foi mordida por uma cobra em um dos brinquedos existentes.

Quando viajava com meus pais, nesta época, a primeira parada era comer um Mc Lanche Feliz. Quando estava no Ensino Médio, a lanchonete que ficava no shopping voltou e a utilizava como almoço, visto que era barato e o troco usava para brincar no Pump It Up. Mas, eu sempre ficava dizendo: “Seria tão legal ter MC na Avenida Engenheiro Roberto Freire, pois não precisava sair de carro para nenhum canto”.

Quando conheci o meu namorado, ele odiava Mc Donald’s e eu o “converti” para o lado junk food da coisa.  O meu “sonho” virou uma realidade no ano passado, quando instalaram uma unidade. Detalhe, dos oito restaurantes existentes na cidade, ele é razoalvelmente avaliado.

O que era felicidade acabou sendo um pesadelo por algumas razões.

  1. Comecei a engordar bastante.
  2. Usava o Mc como desculpa para não ter que cozinhar comida.
  3. Qualquer motivo vou ao Mc .
  4. Sempre vinha para o local depois que não conseguia acessar ao determinado restaurante, mesmo enfrentando uma enorme fila.
  5. Fiquei viciada no café da manhã da lanchonete.
  6. Comecei a gastar dinheiro por comida gordurosa ao invés de ir ao restaurante próximo que tem comida mais barata e mais saudável.
  7. Sexta-feira, horário do rush, onde todo mundo vai em direção as principais faculdades da Roberto Freire, você pega um trânsito infernal, por conta da fila do Drive-Thru.
  8. Me arrependo de ter comido demais.
  9. Já falei que é caro?
  10.  Mas, o local aceita vale alimentação.

Nós só vamos para o Mc Donald’s e outras redes de fast food próximas de nossas casas por conta da facilidade e por ser uma zona de conforto. Afinal, o sabor do quarteirão é o mesmo em todas as partes do mundo, não é?  Aonde você estiver, ela está também. E essa é sua principal vantagem, a acessibilidade. As pessoas vão ao local, mesmo que o atendimento não seja de cinco estrelas.

Quer dizer que o Mc é a comida mais gostosa do mundo? Não! Estamos muito acostumados em coisas práticas, não gostamos de fazer coisas difíceis e isso é um problema contemporâneo: as pessoas estão com preguiça de correr atrás de seus objetivos, inclusive de fazer uma comida que seja perfeita para seu paladar e saúde.

Precisamos sair da zona de conforto e esse recado vale para mim!

A história dos fanzines em Natal

Primeiro, o que é fanzine? De acordo com o Wikipedia, a palavra é uma aglutinação de fanatic magazine (expressão da língua inglesa que significa “revista de fanático”). É, portanto, uma revista editada por um fã. Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, podendo enfocar assuntos como histórias em quadrinhos (banda desenhada), ficção científica, poesia, música, feminismo, vegetarianismo, veganismo, cinema, jogos de computador, jogos eletrônicos etc.

Embora essa manifestação midiática seja comumente relacionada aos jovens, há produtores e leitores de fanzines em quase todas as faixas etárias. Em Natal, a produção de revistinhas independentes tomou febre na década de 80 e 90 e voltou com tudo nos anos de 2010.

Em março, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) realizou um evento chamado “Born To Zine” que reuniu a galera das antigas e com aqueles que estão fazendo diversas produções recentemente.

Além disso, houve uma mesa-redonda conta com a presença de Alexandre Alves – escritor e editor dos fanzines Automatic! (1995 a 1998) e Barulhoscopio (entre 2006 e 2008), Pablo Capistrano – ex membro do Sótão 277, que atuou entre 1990 e 1995 publicando os zines Tempestade & Ìmpeto, Peru Frio e Papai, Estamos Vivos!, Leandro Menezes – membro do fanzine Lado [R] nos anos 2000, Regina Azevedo – organizadora do fanzine Iapois Poesia, lançado em 2015 e Shilton Roque – organizador do Born to Zine.

Na década de 80, um dos primeiros fanzines produzidos pelos potiguares se chamava “Delírio Urbano”, produzido pelo artista gráfico Afonso Martins e pelos poetas João Batista de Moraes Neto e Carlos Astral, além de Novenil Barros e Jota Medeiros.  O foco do zine era divulgar a artes visuais e os poemas em um mesmo espaço. Foram três edições, mas que ajudou a mexer a cabeça da tímida cena urbana natalense.

Além de Delírio Urbano, outras publicações surgiram na década de 80, como “Cebola Faz Chorar”, “Sol que Faltava” e “Folha Poética”.  Nos anos 2000, existiu a fanzine Lado [R], que foi até destaque do site da Trama, uma das gravadoras mais famosas de música independente.

Em 2010, a editora Tribo ficou conhecida pela produção de fanzines, no qual no ano de 2014, eles chegavam a produzir uma edição por mês, chamando autores de diversas regiões de Natal e também de outras cidades brasileiras.  O conteúdo era diverso, desde poemas até quadrinhos.

Os fanzines estimularam o pontapé para a produção de muitos escritores, poetas, jornalistas e quadrinistas da cidade. A produção independente tem a tendência de crescer cada vez mais na cidade.

Além desses citados, podemos citar a poeta Regina Azevedo que lançou vários zines de forma independente e de Victor Hugo Azevedo,  no qual ambos já realizaram diversas parcerias e realizaram diversas revistinhas de forma independente.