Brechando a Black Friday

Black Friday, a sexta-feira negra. Este ato é comum mais nos Estados Unidos, mas nas terras tupiniquins o ato vem ganhando força desde o ano de 2012. A ideia vem sendo adotada por outros países como Canadá, Austrália, Reino Unido, Portugal, Paraguai e Brasil. O que significa isso? De acordo com a nota do Wikipedia, Black Friday é um termo criado pelo varejo nos Estados Unidos para nomear a ação de vendas anual que acontece na sexta-feira após o feriado de Ação de Graças, que é comemorado na 4° quinta-feira do mês de novembro nos Estados Unidos.

Há vestígios de que a denominação surgiu no início dos anos 90, no estado americano da Filadélfia, quando a polícia local chamava de Black Friday o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças. Havia sempre muitas pessoas e congestionamentos enormes, já que a data abria o período de compras para o natal. O termo já foi associado com a crise financeira que atingiu os Estados Unidos em 1869. Também passou a ser usado em 1966, mas só se tornou popular em 1975 quando o uso do termo passou a ser conhecido por meio de artigos publicados em jornais, que abordavam a loucura da cidade durante o evento.

Alguns anos depois, Black Friday foi o nome usado pelos varejistas para indicar o período de maior faturamento e desde então é a data mais agitada do varejo no país. No dia do evento muitas lojas abrem bem cedo, algumas com até quatro horas de antecedência, para atrair o maior número de consumidores através de ofertas. Milhares de pessoas aguardam em filas enormes. Embora não seja um feriado, muitas pessoas ganham o dia de folga e se tornam consumidores com grande potencial. O dia também é conhecido por dar início à temporada de compras de natal. A popularidade do evento é grande, sendo que os descontos oferecidos são considerados mais atrativos do que os natalinos por muitos consumidores.

Aqui no Brasil, nós copiamos e colocamos os gringos. Em Natal, teve Black Friday do Alecrim até os principais shoppings da cidade. Claro que fui acompanhar o dia que a capital do Rio Grande do Norte parou para fazer compras.

Saí de casa e fomos em nossa primeira parada: um supermercado, que estava cheio de promoção. O trânsito às 15 horas, na teoria, deveria ser bem tranquilo. Porém, na prática, estava tão caótico quanto na hora do rush. Demoramos uns 15 minutos para estacionar e, por sorte, conseguimos uma vaga na sombra. A intenção era comprar bebidas para as festas natalinas, pois descobrimos que algumas marcas estavam na metade do preço.

Olha essa fila. Não era para atendimento médico e sim para comprar destilados:

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Mas, eu fiquei satisfeita em ter comprado Vodka Absolut pela metade do preço, conforme esta foto a seguir:

Minha black friday

Uma foto publicada por Lara Paiva (@paiva_lara) em

Para não cair na pegadinha da Black Friday, eu saquei que os produtos que valiam a pena eram aqueles que estavam com etiqueta. Tinha que calcular bem para saber se a compra seria rentável, pois alguns descontos eram de apenas 10 reais. Tinha que ficar bastante esperto.

Depois pegamos o beco para a loja número 2. No meio do caminho, nós vimos um estande de uma construtora com um monte de pessoas na porta, gente distribuindo panfleto, carro de som e os vendedores estavam oferecendo descontos para comprar apartamento por 40% de desconto. Parecia aquelas liquidações de janeiro. O local estava cheio de balões pretos para mostrar que estava na Black Friday.

Após ver aquela coisa esquisita, nós paramos em uma loja de eletrodomésticos na Avenida Engenheiro Roberto Freire, no qual havia duas parecidas no mesmo porte. Claro que visitamos todas elas para saber qual que valia mais a pena. Minha avó tinha ligado pedindo para comprar uma fritadeira sem óleo.

O trânsito para chegar nesses estabelecimentos comerciais estava difícil, parecia que tinha um acidente de trânsito por perto. Alguns utilizaram até carro de som para avisar as suas promoções.

 

Black Friday

Um vídeo publicado por Lara Paiva (@paiva_lara) em

Percebi que também tinha que analisar bem as promoções, pois os descontos eram oferecidos para produtos de segunda linha ou que estavam quase com o estoque finalizando. Porém, as pessoas estavam querendo mesmo era comprar celular, cuja seção deste produto estava quase pelada com poucos aparelhos telefônicos presentes naquele momento.

Alguns conseguiram levar uma televisão de 1200 reais para 900, vi várias pessoas saindo pela rua carregando duas caixas.

Sobre a fritadeira, no meio daquelas marcas de segunda linha que estavam sendo vendidas pela metade do preço, conseguimos achar uma que tinha uma qualidade bem melhor e estava rentável. Eu e minha mãe pagamos e tivemos que andar dois quarteirões com a caixa do produto. Imagina, duas pessoas de 1,58m carregando uma caixa que era do tamanho das nossas pernas e quase morrendo de tão pesado. Foi isto que aconteceu.

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Depois, nós fomos para o shopping. Primeiro, tivemos que aguentar um enorme trânsito para entrar no estabelecimento e outro para conseguir estacionar. Algumas lojas botavam avisos bem grande que estavam com 70% de desconto e só colocavam produtos ruins para vender. Outros maquiavam os preços. Porém, as pessoas lotaram os estabelecimentos mesmo assim e estavam seguindo este lema: “Se é promoção, eu vou comprar”.

Esta foi a minha observação da Black Friday: Dava certo, mas tinha que observar bastante os produtos.

Professor de Natal doa 70% do fígado para jovem

E, você, professor, o que você faria para melhorar o estado de saúde de um aluno? O Cláudio Custódio, é conhecido por ter trabalhado em diversas escolas particulares do Ensino Médio. Todos os seus estudantes sabem do lado exigente de Claudinho, como é conhecido pelos alunos e amigos, nas provas de geografia e de seu amor pelas artes marciais, no qual também possui uma academia na cidade.

Porém, nas redes sociais, descobriram um lado bastante humano do docente. Recentemente, ele resolveu viajar para São Paulo, mais precisamente na semana passada, com a intenção de fazer uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês e fornecer 70% do fígado para Matheus Leandro, que era portador da síndrome hepato-pulmonar (alguns artigos apontam que o nome não tem hífen), uma doença no fígado que prejudica as artérias e o pulmão.

Consiste da dilatação dos vasos do pulmão onde ocorrem as trocas gasosas. Essa desorganização vascular resulta no desenvolvimento de unidades alveolares nos quais a ventilação é preservada, mas a perfusão é profundamente aumentada, comprometendo a oxigenação arterial.

Desde setembro, o garoto estava internado em um hospital de Natal e precisava de um doador vivo para fornecer o fígado. Ao contrário de que muitas pessoas pensam, não necessariamente precisa estar morta para doar um órgão.

Além disso, o jovem precisava ir à São Paulo para fazer o transplante, uma vez que não existe gente especializada em fazer este procedimento. Então, os pais do garoto, primos e tios (sim, ele é filho único) começaram fazer uma forte campanha nas redes sociais para arrecadar dinheiro para esta viagem fora do estado e procurar um doador entre 68 a 83 quilos e que tivesse entre 18 a 55 anos.

A recomendação médica dizia que o doador não podia ter tido hepatite e ter sangue do tipo O positivo. O fígado é um órgão que se regenera. Ou seja, se você tira 30% dele, futuramente esta parte retirada será recuperada naturalmente.

Então, o professor, sensibilizado com a história, procurou a família e prontamente se propôs a doar o fígado para que o menino tenha mais saúde. Após exames, o fígado de Cláudio Custódio era compatível do garoto e ambos, na semana passada, viajaram para a terra da garoa para fazer o procedimento cirúrgico.  Junto com Cláudio, mais outra pessoa era candidata para ser o doador.

A cirurgia aconteceu no dia 19 de novembro e a cirurgia foi um sucesso. A atitude causou diversas mensagens nas redes sociais parabenizando o Custódio pela sua atitude.

Esta foto colocada na postagem foi feita após a saída do professor da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi o primeiro encontro dos dois após a realização das cirurgias.  Ambos voltarão para Natal ainda nesta semana e no seu retorno, Claudinho contará mais detalhes do blog do procedimento.

Após esta foto, o professor postou esta mensagem, que será transmitida a seguir e rendeu mais de 1200 curtidas, além de quase 200 compartilhamentos. Segue a mensagem (sem nenhuma alteração no que foi escrito):

Agora que o pior passou e que vencemos a cirurgia e as complicações imediatas da mesma, quero agradecer a todos que rezaram, torceram, escreveram palavras inspiradoras e vibraram com os acontecimentos. Preferi ficar anônimo, apesar da notoriedade da história, por que prefiro uma vida real e virtual discreta, mas não poderia deixar de dizer um MUITO, MUITO, MUITO obrigado a todos. Na verdade nem sabia que era tão querido. Vendo por esses dias tantas mortes, tanta necessidade de ter-parecer, tanto individualismo, corrupção e outros defeitos da nossa doente sociedade, fiz algo que alguns comentaram como sendo “do bem”, “de demonstração de caráter”, “de despreendimento”. Não iria falar nada por aqui, mas as pessoas me convenceram de que o BEM deve ser sim compartilhado e exposto. “Fazer o bem sem olhar a quem”, “pq se não vivo para servir, não sirvo para viver”. Obrigado pelo carinho, nunca me senti tão amado e acolhido. Nos momentos mais difíceis as palavras de vcs me emocionaram e me ajudaram a extravasar um pouco a pressão que sentia. Não vou falar do medo, da dor, das lágrimas, isso pertence a mim e a Mateus, não devo compartilhar aqui. Mas foram tantas reflexões… Espero ser amigo de Mateus Leandro por toda as nossas longas vidas, porque irmão de sangue já sou (e de fígado rsrsrsrsr) e espero mais ainda que ele sempre faça o bem. Façamos todos uma corrente do bem! Se cada um fizer um pequeno gesto como esse, o mundo será um lugar melhor para os nossos filhos e para as futuras gerações. Gostaria de agradecer ainda especialmente aos amigos e familiares que me visitaram em São Paulo e cuidaram de mim. Preferi não citar o nome de ninguém, mas não tenham um pingo de dúvida que sempre serão lembrados. Quero lembrar ainda de Alanderson (o outro candidato a doador) que compartilhou angústias comigo até a decisão final de quem seria o doador quase na véspera da operação. Esse jovem é especial, muito orgulho em te conhecer. E por último um grande beijo a minha esposa Débora Sampaio, que ficou em Natal segurando a onda com nosso bebê de apenas 6 meses. Vocês dois não imaginam como senti falta de vocês TAD (ela sabe o que significa) e aos meus pais, que são meus heróis, sem eles não seria metade do homem que sou. Não tenho 10% da bondade e do coração da minha mãe. (Essa foto foi a primeira visita a Mateus após a cirurgia e a UTI) 

 

A Ribeira estava toda interditada neste domingo

Natal estava cheio de compromissos no fim de semana, estava difícil de escolher. Alguns estavam lotados de natalenses e outros vazios, que dava uma pena. Uma das iniciativas que não deu tanta gente foi a atividade na Avenida Duque de Caxias, interditada até o largo do Teatro Alberto Maranhão (TAM) com a finalidade de receber diversas atividades de entretenimento.

Desde as 15 horas o local estava interditado, porém só pude chegar às 18 horas deste domingo (29). Quando estacionei o carro, eu vi que uma família estava chegando igual comigo. Então, nós começamos a andar pela parte bloqueada e ficamos frustrados. A expectativa era para ficar tão lotado quanto o projeto da Via Costeira (o Governo do Estado nos domingos interdita a via para os natalenses), porém só tinha umas 300 pessoas.

Pessoal na Ribeira neste domingo
Pessoal na Ribeira neste domingo

A via fica no bairro da Ribeira, onde surgiu a parte urbana da cidade e a intenção era estimular os moradores da capital potiguar a valorizar a história do Natal. A atividade faz parte de um projeto da Prefeitura do Natal, chamado “Se Essa Rua Fosse Minha…”.

A primeira edição da iniciativa foi realizada no próximo domingo (29), no reduto histórico e boêmio da cidade. Vale lembrar que a Ribeira é o segundo bairro menos populoso de Natal,  2.254 habitantes, de acordo com estimativa do IBGE de 2013.

Coleção de carros antigos (Fotos: Lara Paiva)
Coleção de carros antigos (Fotos: Lara Paiva)

A Avenida Duque de Caxias foi escolhida como foco na primeira edição do projeto por acolher ao longo de sua extensão prédios históricos e de relevância cultural, o que facilita a execução das atividades programadas. A atividade fazia parte da revitalização do bairro.

O projeto-piloto é coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e pelo Grupo para Projetos Estruturantes da Ribeira e Entorno (Coopere), contando ainda com o apoio de outras secretarias da Prefeitura.

O quadrilátero lateral do teatro foi bloqueado para a passagem de carros, das 15 até às 21 horas, para que o espaço dê lugar a atividades como caminhada, patinação, ciclismo e skatismo. Também tinha uma tenda composta por alguns órgãos da Prefeitura mostrando quais são as suas funções e objetivos, além de trazer alguns objetos para realização de demonstrações.

A pouca quantidade de pessoas era composta por família com crianças pequenas, alguns funcionários do Município, ciclistas e gente que era fã dos foodtrucks da cidade.

“Nossa, eu esperava que tivesse mais gente aqui, porque o bairro da Ribeira é bem legal e o povo gosta das festas que rolam por aqui”, disse uma das vendedoras de um foodtruck quando estava por lá.

Exames de saúde na Ribeira
Exames de saúde na Ribeira

Uma das coisas legais que tinha dentro do evento era exposição de carros antigos, trazida por alguns colecionadores da cidade. O local estava no meio da praça Augusto Severo fazendo com que os garotos ficassem loucos ao vê-los. Eram tão bonitos e bem cuidados que pareciam ser de brinquedos.

Outras ações foram as apresentações artísticas e culturais, serviços de saúde (estavam fazendo teste de HIV, lembrar que 01 de dezembro é dia de combate contra a AIDS), oficinas de beleza, feirinha de artesanato, corte de cabelo masculino, avaliação física (massa e estatura corporal), ginástica laboral, aulas de zumba e outros ritmos.

Após a aula de zumba, houve um concerto com um trio sanfoneiro chamado “Forró Mirim”, que animou uma plateia que estava presente e pôde dançar agarradinho.

Os investimentos de R$ 790 milhões naquele que foi o berço comercial e boêmio da capital do Rio Grande do Norte.

Confira o álbum completo a seguir: