Misturando tabuleiro com a Cidade da Criança

Que tal misturar um canto divertido para jogar coisas felizes? Esta foi a proposta do “1° diversão na Lagoa: mostra de RPG e Boardgames”, no qual neste domingo (15), dia da Proclamação da República, resolveram reunir os amantes dos jogos de tabuleiro para um dos cantos mais relaxantes, a Cidade da Criança, algo que já falamos no Brechando. Desde às 10 horas, os amantes estavam lá jogando os tabuleiros, organizado pelo Mundos Colidem.

Se você achava que lá só tinha Banco Imobiliário ou War estava redondamente enganado. Recentemente houve uma nova expansão deste tipo de brincadeira, graças ao jogo “Colonizadores de Catan”, que ajudou no ressurgimento na produção e venda dos chamados boardgame.

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O local do jogo foi em frente a Lagoa Manoel Felipe que fica no centro do ponto turístico. Era difícil se concentrar no jogo, vendo a bela vista das pessoas passeando no pedalinho e o pôr do sol chegando.  Fotografei o pessoal reunido para jogar e só dava para ver concentração, sorrisos e confraternização, pois isto é a proposta de jogar um tabuleiro com a galera.

Vista da Lagoa Manoel Felipe enquanto estava jogando
Vista da Lagoa Manoel Felipe enquanto estava jogando

Fui com meu namorado e a gente conseguiu fazer amizade com um cara recém-chegado de Recife, pois ele se mudou para cá por conta de um curso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no qual estava procurando alguma coisa para fazer em Natal. O rapaz, que eu esqueci o nome, e estava querendo saber onde tinha na cidade para divertir.

– Posso jogar com vocês?

– Pode.

– Em Recife, tem muitas lojas especializadas em tabuleiro? Vocês jogam muito – questionou o meu namorado.

– Existe um grupo que joga, mas não é como aqui que tem lojas especializadas sobre o assunto – respondeu o garoto.

Então, a gente sentou numa mesa e um dos monitores que estavam lá no evento foi explicar o funcionamento do jogo e acompanhou a primeira parte da nossa jogatina. Sim, o local tinha diversos fãs e amantes do tabuleiro que estavam dispostos em difundir a cultura do boardgame.

Jogo "A Ilha Perdida" que nós estávamos jogando
Jogo “A Ilha Proibida” que nós estávamos jogando

Nós jogamos “A Ilha Proibida”, no qual a nossa função é fugir de uma ilha que está afundando sobre as águas.  É fácil de compreender e não precisa ter toda aquela estratégia mirabolante para poder ganhar O projeto teve apoio da direção do Cidade da Criança. O diretor Ricardo Buihú estava lá o tempo todo prestando ajuda para o pessoal.

Além dos jogos, o local também estavam vendendo bottoms e camisetas com temática destinada ao público nerd/geek. Havia coisas destinadas aos jogos eletrônicos, super-heróis, quadrinhos, mangás e dentre outras coisas legais.

Confira o álbum de fotos a seguir:

Saiba aonde fica o Museu Djalma Maranhão

O Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão está localizado no Largo Dom Bosco da Praça Augusto Severo, no bairro da Ribeira. Está instalado no prédio da antiga rodoviária de Natal, que foi fechado em meados dos anos 2000 e reformado para abrigar o museu, cujo objetivo é preservar a cultura popular. Quem nunca foi, não sabe que este é um dos museus mais completos da cidade.

Foi inaugurado em 22 de agosto de 2008, porém ficou fechado por um bom período e só retomou as atividades no ano passado. É administrado pela Fundação Capitania das Artes (Funcarte).

O nome é homenagem ao ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão, conhecido por ser um grande difusor da cultura popular do Rio Grande do Norte e realizou diversas atividades culturais. Tanto que o nome da lei municipal de incentivo à cultura é em sua homenagem.

Como é o museu? Subindo o primeiro pavimento, você encontra a recepção, onde deixa as suas bolsas e vai até o final do corredor, onde está a exposição fixa.

O objetivo é preservar a cultura popular potiguar num espaço de cerca de 350 metros quadrados, onde está exposto um acervo de aproximadamente 1.500 peças, de cerca de 400 artistas populares. O visitante ainda pode acessar os “totens eletrônicos”, que possibilitam conhecer em textos, fotos e vídeos um pouco da vida e obra dos artistas populares potiguares.

O nome da exposição é ‘Atos de Memória: tradição e cultura do povo potiguar’, que está dividida em quatro módulos: O mundo encantado dos folguedos e das danças tradicionais do Rio Grande do Norte; O mundo mágico: encantos e encantamentos do João Redondo (boneco também conhecido pelo nome de mamulengo); Saberes e fazeres do povo potiguar e Atos de memória: arte, fé e religiosidade do povo.

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O primeiro mostra manequins com os figurinos das principais danças típicas, além de fotos e vídeos das principais demonstrações do Boi Calemba, Fandango, Chegança, Congo, Lapinha, Pastoril, Caboclinhos, Zambê e Araruna.

Já a segunda parte do prédio tem uma parte dedicada ao João Redondo, que são bonecos de fantoche produzidos artesanalmente e também podem ser chamados de mamulengos. Ainda tem uma área dedicada aos santos, festas religiosas, e artesanato, como bonecas de pano, renda, argila e dentre outras coisas.

Além disso há três grandes telões instalados em salas especiais que exibem mais de 200 horas de vídeos de forma continua. O museu também dispõe de espaço para exposições temporárias, no qual neste momento tem três delas sendo exibidas no prédio, que ficarão no local até o fim do mês.

Uma é a exibição do “Bonecos de Pano: Auto do Boi Calemba”, do artesão Plínio Faro, após 10 anos sem mostrar algum trabalho, no qual vestiu 24 brinquedos fabricados artesanalmente com os personagens deste tipo de manifestação popular. A ação foi baseada nas obras do folclorista Deífilo Gurgel.

Ainda dentro do museu existe a exibição da série “Cordelíricas Nordestinas”, que está desde o dia 20 de agosto em exposição, idealizado pelo coletivo Caminhos Comunicação e Cultura. Foi contemplado com o edital de literatura de cordel da Fundação Capitania das Artes (Funcarte). São exibidos pequenos filmes mostrando a importância do cordel, a participação dele nos dias atuais e como está inserido em outras manifestações artísticas a partir de colaboradores do Rio Grande do Norte e outros estados do Nordeste.

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O projeto expõe 12 minidocumentários, cada um com três minutos com entrevistas de Acaci, Antônio Francisco, Braúlio Tavares, Abaeté e Ceguinho Aboiador.

No corredor principal existe uma exposição, com fotografias da cantora e compositora Candinha Bezerra, chamada de “Zambê”, que vem dos descendentes africanos e é um ritmo nativo do Rio Grande do Norte, que os seus brincantes sobrevivem hoje no munícipio de Tibau do Sul. As fotos foram tiradas durante um passeio de Bezerra pelo município, que já foram retratadas no livro “Fotografias de Coco de Zambê”, lançado no ano de 2007.

Ateliê Cambará: bordados e pinturas com toques subversivos

Metade Pernambuco, metade Rio Grande do Norte e criado por duas primas de prefixo “Sil”.  Foi com essa mistura que nasceu o Ateliê Cambará, desenvolvido há três meses e já está chamando bastante atenção nas redes sociais e feiras. As primas Sylara Silvério e Silmara Rocha Silvério desenvolvem produtos artesanais e personalizados com artes subversivas.  O foco delas é pintura e bordados.

Como assim? A arte delas é quanto mais fugir do tradicional, melhor. Então, elas abordam diversos temas que ainda são considerados um “tabu”.  A intenção era desenvolver uma arte que representasse tanto as duas quanto as outras pessoas, “uma necessidade real e urgente”.

O ateliê começou a ser desenvolvido quando Sylara se mudou para Recife por conta do trabalho do marido e encontrou com a prima, que é artista plástica há anos. “Não sabia nem a pau fazer bordado (risos). Quando criança tive uma semana intensa aprendendo a fazer crochê, até que eu resolvi que era melhor tá no meio da rua brincando”, comentou Sylara Silvério.

Ateliê Cambará surgiu há três meses (Foto: Facebook)
Ateliê Cambará surgiu há três meses (Foto: Facebook)

Um belo dia, então, Sylara resolveu que iria aprender a bordar. Comprou uma linha, pano e assistiu vários tutoriais do You Tube. Ela conseguiu desenvolver o seu próprio estilo e começou a postar no Instagram. Uma de suas fotos mostrando os seus bordados foi publicada no site Buzz Feed.

“A galera está adorando e já estivemos em algumas feirinhas em Recife, como no Som Na Rural e Coquetel Molotov. As pessoas sentem representadas com nossas artes. É incrível como as pinturas e bordados com palavrão são as que mais saem e alguns chegam a falar: ‘Meninaaaaaa, lembrei de fulano, vou levar’. A gente acha massa o fato de que as pessoas precisarem de coisas mais leves e presentes mais personalizados no dia a dia, mesmo que ele tem um palavrão ou uma frase meio agressiva”, disse.

Sobre o tema de seus trabalhos, Sylara explicou que a arte, por si só, já é um posicionamento político e é importante intensificar cada vez mais esse tipo de expressão, além de fugir cada vez mais do tradicional. “Antes mesmo de eu começar a fazer, já achava o máximo ter aquelas palavrões, vaginas e frases de emponderamento nos bordados. Quando eu e minha prima decidimos colocar o ateliê em prática, ficou imediatamente decidido entre nós que seguiríamos essa linha subversiva, tanto no bordado quanto na pintura”, comentou.

Agora o próximo passo das meninas é ampliar a venda online para que o Ateliê Cambará seja visto em outros estados e neste momento estão abrindo a lojinha na Elo7, que é um site que funciona como o Mercado Livre para os artesões.

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Para Sylara, fugir do tradicional não foi difícil, visto que é basicamente está relacionado a partir de todas as coisas que faz. Sylara ainda contou que esse é o lema das primas Silvérios.

“Às vezes o tradicional é ok, mas a maioria das vezes é um saco. Sempre fui “espevitada”, falei grosso e sou bem impaciente. Minha prima, apesar de ter uma fala mansa e ser mega fofinha, também tem seus momentos de indelicadeza e o botão do foda-se sempre prestes a ser ligado”, finalizou.

As primas Silmara e Sylara Silvério, criadoras do Ateliê Cambará (Foto: Facebook)
As primas Silmara e Sylara Silvério, criadoras do Ateliê Cambará (Foto: Facebook)

Onde procurar o Ateliê:

Site oficial: www.ateliecambara.com
Facebook: www.facebook.com/ateliecambara
Instagram: www.instagram.com/ateliecambara
Pinterest: www.pinterest.com/ateliecambara
Flickr: www.flickr.com/ateliecambara