Vamos melhorar o Presépio: estudantes de arquitetura estão com essa iniciativa

Vocês lembram da Bárbara Rodrigues? Aquela que falou das dificuldades de morar sozinho para o Brechando. Ela é estudante de arquitetura e está fazendo um projeto para ajudar na melhoria do Presépio de Natal, que atualmente é utilizado como pista de skate e patinação pelo público natalense. O projeto vem de uma matéria que ela está pagando dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Se as pessoas ajudarem, algo pode ficar ainda maior. Rodrigues e o estudante Luiz Miguel Ribeiro juntos estão fazendo um questionário sobre que coisas poderiam fazer com a intenção de melhorar o espaço público. Para respondê-lo, clique neste link.

O prédio foi arquitetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 2006. Custou R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. Deveria ter lojas, lanchonetes, além de promover eventos. Era uma homenagem à cidade, que foi fundada no dia 25 de dezembro.

Por muito tempo o local foi utilizado como residência daqueles que não tinham casas. Entretanto, as curvas conhecidas dos projetos arquitetônicos de Niemeyer virou uma improvisada pista para esportes radicais. Vale lembrar que Natal é a única capital do Brasil não haver uma pista para skate. Quer saber mais sobre o presépio, acesse a nossa matéria.

Aqui jaz o cabaré de Maria Boa

O nome dela é Maria Oliveira de Barros, natural de Campina Grande, Paraíba, mas todo mundo a lembra como Maria Boa. Dona do mais famoso cabaré que o Rio Grande do Norte já teve e foi uma pessoa bastante a frente de seu tempo. Alguns a chamam de cafetina, outros de uma grande dama. Na verdade, Maria deixou um legado para a história de Natal. Infelizmente, só existe fotos delas, o seu cabaré não existe mais, é só um terreno gigante que pertence à uma construtora. A mesma empresa construiu um prédio do lado. Fica no bairro de Cidade Alta, próximo ao Baldo.

Por conta de uma desilusão amorosa, passou a vida vendendo o corpo em alguns municípios da Paraíba e chegou em Natal. Após ter trabalhado em alguns bordéis, ela juntou o dinheiro e conseguiu financiar o seu próprio estabelecimento.

Apesar dos poucos estudos, ela era uma mulher que lia bastante, adorava filmes e gostava de armazenar reportagens.

Esta é a Maria Boa
Esta é a Maria Boa

A década de 40 era marcada pela Segunda Guerra Mundial e a luta dos americanos em destruir o Adolf Hitler, líder da Alemanha, e sua política do nazismo. Neste momento, soldados estadunidenses se instalaram nas terras potiguares, causando uma revolução urbana na capital potiguar.

Registro da atividade da casa de Maria Boa, quatro anos antes de sua morte
Registro da atividade da casa de Maria Boa, cinco anos antes de sua morte

Então, ela instalou sua casa em Natal, que alegrou tanto os soldados americanos quanto à população natalense. Jovens, eles adoravam passar as noites da cidade juntamente com as meninas de Maria Boa, que saíram de suas casas por motivos similares ao de Maria. Era o refúgio aos homens, independente da classe social, da cidades.

O local fornecia boas músicas, mulheres realmente bonitas e as melhores bebidas, cigarros e música estavam por lá. Muitos começaram a sua “iniciação” no Maria Boa.

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Vários fatos envolveram a personagem numa época que sexo era um tabu maior do que era hoje e se tornou uma grande lenda.

Um dos aviões B-25 dos americanos foi batizado com o seu nome e outros tiveram a sua imagem. Sua fama corria mundo, tanto que a casa virou um importante ponto turístico da cidade. Além disso, o seu cabaré foi retrato no filme “For All- Trampolim da Vitória”, que retrata muito bem o período que os americanos estiveram na cidade.

Reservada, era conhecida por se vestir bem e ser bastante educada com todos em sua volta. Ela esteve trabalhando até nos últimos dias de sua vida. A casa passou meia década de vida alegrando os natalenses. .

Maria Boa faleceu em 1997, aos 77 anos, após ter ficado internada na Casa de Saúde São Lucas, por conta de um acidente vascular cerebral (AVC).

Sabe quem morou nesta casa? A Viúva Machado

Uma das lendas urbanas mais conhecidas da cidade é da Viúva Machado, conhecida por ser a comedora de fígado, ou como dizem, a “papa-figo”. Pouca gente sabe que a famosa viúva realmente existiu e totalmente diferente do que a lenda dizia.

Quem nunca escutou da mãe: “Me obedeça, pois senão vou chamar a Viúva Machado para comer o teu fígado”. Muitos pequenos natalenses já choraram com isso.

O nome dela era Amélia Duarte Machado, nasceu em 1881. Quando jovem, ela casou com o português Manoel Duarte Machado, um homem bastante rico naquela época. Dono de muitas terras e um grande comerciante, tinha lojas nas ruas da Ribeira. Dizem que o bairro de Nova Descoberta e Morro Branco eram de propriedade da família Machado. A Dona Amélia contribuiu para fama do marido, promovendo jantares para a elite natalense.

Em 1910, eles construíram esta casa próximo da Igreja do Rosário, no bairro de Cidade Alta. No ano de 1934, o Manuel Machado faleceu e a viúva continuou a morar. Depois da morte do Manuel, a viúva começou a administrar os seus negócios. Então, nasce a lenda. Por ser uma mulher bastante rica e muito reservada, surgiu diversas lendas sobre a então empresária.

Alguns evitavam passar pelo local ou desviavam o caminho, outros sentiam calafrios ao vislumbrar a arquitetura pomposa do palacete ornamentado com gradil e estátuas, provenientes da França e estilo Art Nouveau.

Como era viúva, empresária e sem filhos, mas gostava de brincar com as crianças. As lendas começaram a apontar que odiava crianças e era uma mulher malvada apareceram. Diziam que ela comia o fígados dos meninos e que as orelhas eram grandes, fruto de uma doença misteriosa que alguns pontam como elefantíase ou uma outra doença rara.

Esses boatos era uma forma de derrubá-la, principalmente neste período em que mulher trabalhando era considerado uma blasfêmia. Isto culminou dela se isolar cada vez mais da sociedade e realizar poucas aparições públicas.

A casa até hoje permanece de forma intacta e o Solar Ferreiro Torto, em Macaíba, propriedade construída em meados de 1600 e por muitos anos foi habitada por antigos fazendeiros da cana de açúcar. A viúva foi a última moradora antes da casa ser entregue para o Município.

Dizem que o Casarão do Guarapes, em Macaíba, conhecida pela fundação da cidade, já pertenceu à família Machado e hoje se encontra em ruínas.

Casarão do Guarapes
Casarão do Guarapes
Solar Ferreiro Torto
Solar Ferreiro Torto